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Governo recua parcialmente em alta do IOF, mas Haddad admite possível ajuste no contingenciamento

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (23) que o governo está disposto a corrigir a rota de decisões econômicas sempre que necessário, sem abrir mão dos objetivos fiscais. A declaração veio após o recuo na proposta de aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre aplicações de fundos nacionais no exterior.

Revogação parcial do aumento do IOF

A medida original previa uma alíquota de 3,5% sobre investimentos de fundos brasileiros fora do país. Após críticas do mercado financeiro, a Fazenda decidiu manter a alíquota zero para esse tipo de operação.

“O impacto é muito baixo. Estamos falando de menos de R$ 2 bilhões. Todas as medidas anunciadas somam R$ 54 bilhões”, afirmou Haddad.

Possível revisão no contingenciamento

Com a arrecadação menor do que a prevista inicialmente por conta do recuo, Haddad admitiu que poderá haver ajustes no contingenciamento anunciado anteriormente, a fim de manter o equilíbrio das contas públicas.

Relação com o mercado e esclarecimentos sobre ruídos

O ministro também reconheceu que houve ruídos no mercado, especialmente em relação a medidas que envolvem Juros sobre Capital Próprio (JCP), dividendos e remessas ao exterior.

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“Nosso diálogo com o mercado tem sido constante. Não temos problema em corrigir a rota, desde que o objetivo de reforçar o arcabouço fiscal e as metas para a saúde financeira sejam mantidas”, destacou.

IOF em compras internacionais com cartão de crédito

Outro ponto abordado por Haddad foi a mudança nas alíquotas do IOF sobre compras internacionais com cartões de crédito, débito e pré-pagos. A alíquota, que estava em trajetória de queda e chegaria a 3,38% em 2025, será ajustada para 3,5%.

Inicialmente, o governo pretendia zerar a cobrança até 2028, reduzindo o imposto gradualmente desde o patamar de 6,38%.

Trecho revogado por pressão do mercado

Na noite de quinta-feira (23), o Ministério da Fazenda informou por meio das redes sociais que voltaria atrás na cobrança do IOF sobre aplicações de fundos brasileiros no exterior.

“Será restaurada a redação do inciso II do art. 15-B do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, que previa a alíquota zero”, informou a pasta em publicação na rede X (antigo Twitter).

Entenda o pacote original do governo

As medidas anunciadas inicialmente tinham como meta arrecadar R$ 20,5 bilhões ainda em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026. Entre os pontos previstos estavam:

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Alíquota de 3,5% de IOF para:

  • Compras com cartões internacionais;
  • Remessas ao exterior;
  • Empréstimos externos de curto prazo;
  • Aplicações financeiras feitas por fundos brasileiros no exterior.

Com a revogação, os investimentos de fundos nacionais no exterior permanecem isentos de IOF, como já acontecia anteriormente.

Outras mudanças no IOF que seguem em vigor

Mesmo com o recuo parcial, outras alterações no imposto começam a valer a partir desta sexta-feira (23):

  • Aumento da alíquota de IOF sobre compra de moeda estrangeira em espécie: de 1,1% para 3,5%;
  • Elevação das alíquotas para empresas em operações de crédito;
  • Criação de uma alíquota de 5% para grandes aportes em planos de previdência complementar (VGBL).
Expectativa de arrecadação

O governo espera arrecadar R$ 20,5 bilhões a mais ainda neste ano com o pacote tributário, o que deve reduzir a necessidade de bloqueios adicionais no Orçamento.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Dependência de fertilizantes importados expõe vulnerabilidade estratégica do agronegócio brasileiro

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Apesar de ocupar posição de destaque entre os maiores produtores de alimentos do mundo, o Brasil ainda enfrenta um desafio estratégico que preocupa especialistas e agentes do setor: a elevada dependência de fertilizantes importados.

Dados da AMR Business Intelligence mostram que a produção nacional foi responsável por suprir apenas 10,7% da demanda interna de fertilizantes em 2025. O cenário evidencia a distância entre a relevância do agronegócio brasileiro no abastecimento global e sua capacidade de produzir os insumos essenciais para sustentar a produtividade no campo.

A situação ganha ainda mais relevância diante da crescente demanda mundial por alimentos e da importância do Brasil como um dos principais fornecedores agrícolas do planeta.

Brasil alimenta o mundo, mas depende de insumos externos

Nas últimas décadas, o país passou por uma profunda transformação no setor agropecuário. De importador de alimentos, tornou-se uma potência agrícola capaz de abastecer mercados em todos os continentes.

Segundo estimativas da Embrapa, a produção brasileira de alimentos contribui para alimentar mais de 800 milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, essa força produtiva continua fortemente dependente do fornecimento externo de fertilizantes para manter elevados níveis de produtividade.

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Essa dependência representa um desafio para a segurança produtiva do setor, especialmente em momentos de instabilidade econômica ou geopolítica internacional.

Nitrogenados e potássicos concentram maior dependência

Os números revelam uma situação ainda mais crítica em alguns segmentos do mercado de fertilizantes.

Em 2025, a produção nacional foi suficiente para atender apenas:

  • 3,1% da demanda brasileira por fertilizantes nitrogenados;
  • 2,9% do consumo de fertilizantes potássicos;
  • 30,5% da demanda por fertilizantes fosfatados.

Os dados demonstram que o Brasil continua altamente dependente das importações, principalmente em produtos estratégicos para culturas como soja, milho, algodão, cana-de-açúcar e café.

Geopolítica e logística ampliam riscos para o setor

A forte dependência externa torna o agronegócio brasileiro mais vulnerável a fatores que fogem do controle da cadeia produtiva nacional.

Conflitos geopolíticos, sanções econômicas, restrições comerciais, alterações cambiais e problemas logísticos internacionais podem comprometer o abastecimento de fertilizantes e elevar significativamente os custos de produção.

Nos últimos anos, episódios envolvendo grandes exportadores globais de nutrientes agrícolas evidenciaram como interrupções no comércio internacional podem gerar impactos imediatos nos preços e na disponibilidade dos insumos.

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Para um setor que responde por parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e das exportações do país, a previsibilidade no fornecimento desses produtos tornou-se uma questão estratégica.

Segurança de insumos é desafio para a competitividade do agro

Especialistas apontam que ampliar a produção nacional de fertilizantes é um dos caminhos para reduzir a vulnerabilidade do setor e fortalecer a segurança produtiva do agronegócio.

Além de diminuir a exposição a crises internacionais, o aumento da autonomia na produção de nutrientes pode contribuir para maior estabilidade de custos, melhor planejamento das safras e expansão sustentável da produção agrícola.

Em um cenário de crescimento contínuo da demanda mundial por alimentos, garantir o acesso seguro e competitivo aos fertilizantes será cada vez mais determinante para preservar a liderança do Brasil no mercado global e sustentar os avanços do agronegócio nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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