AGRONEGÓCIO

Desenvolvimento das pastagens de inverno avança no RS, mesmo com solo úmido

Publicado em

Condições climáticas favorecem pastagens de inverno no Rio Grande do Sul

O retorno das chuvas e a permanência de temperaturas amenas têm contribuído para o avanço das pastagens em diversas regiões do Rio Grande do Sul. Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (17), há uma melhora significativa nas áreas recém-implantadas com forrageiras de inverno, como aveia e azevém.

Oferta de forragem ainda se mantém no campo nativo

Mesmo com o avanço do outono, o campo nativo continua oferecendo suporte à carga animal, conforme indica o boletim. No entanto, a Emater alerta para a preocupação com o rebrote lento em áreas mais sensíveis, o que pode comprometer a disponibilidade de forragem ao final da estação. “Há apreensão quanto à oferta forrageira no final do outono”, ressalta o relatório.

Bagé: manejo favorece sobressemeadura de azevém

Na região de Bagé, produtores aproveitaram a trégua das chuvas para realizar a roçada dos campos, prática que, segundo a Emater, tem contribuído para melhorar o aproveitamento da sobressemeadura de azevém.

Caxias do Sul: umidade do solo dificulta o manejo, mas beneficia germinação

Em Caxias do Sul, as chuvas recentes estimularam tanto o crescimento das pastagens quanto a germinação das forrageiras de inverno. Apesar disso, o solo excessivamente úmido tem dificultado parte do manejo necessário ao pleno desenvolvimento das culturas.

Leia Também:  Agrodefesa orienta sobre prazos para declaração de rebanho e vacinação
Erechim: transição evidencia “vazio outonal”

Em Erechim, a combinação entre precipitações e temperaturas mais amenas tem favorecido a implantação das pastagens. Porém, o fim do ciclo das forrageiras de verão e a diminuição do rebrote do campo nativo sinalizam o início do período conhecido como “vazio outonal”.

Frederico Westphalen: sobressemeadura avança, mas acesso às sementes é limitado

Na região de Frederico Westphalen, observa-se uma recuperação gradual das pastagens cultivadas. A sobressemeadura com espécies de inverno está em andamento, embora enfrente dificuldades devido ao acesso restrito às sementes.

Ijuí: boas condições na implantação das forrageiras adaptadas ao outono

Em Ijuí, a implantação das pastagens de inverno tem priorizado forrageiras adequadas às condições do outono. A Emater avalia que a emergência inicial das culturas tem sido satisfatória. A região também iniciou o corte do milho safrinha, mesmo diante de baixos índices de produtividade.

Passo Fundo: avanço na semeadura e redução no vigor do campo nativo

As chuvas em Passo Fundo favoreceram o desenvolvimento das forrageiras, permitindo o avanço da semeadura das espécies de inverno. Em contrapartida, o campo nativo apresenta redução no crescimento, afetado por chuvas irregulares e pela presença de plantas invasoras.

Pelotas: rebrote melhora, mas oferta de alimento ainda é limitada

Na região de Pelotas, o rebrote das pastagens nativas foi beneficiado pelas chuvas, viabilizando o início da semeadura de inverno. Ainda assim, a oferta de alimento permanece restrita em áreas mais afetadas pela estiagem anterior.

Leia Também:  Balança comercial tem superávit de R$ 8,7 bilhões até maio
Porto Alegre: estabilidade nas pastagens e bom pastejo

Em Porto Alegre, a situação das pastagens é considerada estável. A boa disponibilidade de forragem é sustentada pela umidade do solo e pelas temperaturas elevadas, favorecendo tanto o pastejo quanto a transição para as espécies de inverno.

Santa Maria: aumento na oferta de forragem com as últimas chuvas

As precipitações recentes em Santa Maria proporcionaram um incremento na oferta de forragem das pastagens cultivadas, auxiliando na manutenção da alimentação dos rebanhos.

Santa Rosa: quebra das pastagens de verão antecipa o cultivo de inverno

Em Santa Rosa, a quebra das pastagens de verão acelerou a implantação das forrageiras de inverno. O rebrote tem sido satisfatório e o desenvolvimento inicial das plantas é considerado positivo, embora a umidade do solo ainda limite o pastejo em determinadas áreas.

Soledade: clima favorece implantação e mantém boa oferta alimentar

Por fim, na região de Soledade, as chuvas leves e frequentes têm favorecido a implantação das forrageiras de inverno. As pastagens perenes continuam oferecendo boa disponibilidade de alimento, garantindo suporte nutricional aos rebanhos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Bioinsumos ganham protagonismo diante da dependência de fertilizantes importados e reforçam soberania do agro brasileiro

Published

on

A elevada dependência do Brasil de fertilizantes importados voltou ao centro das discussões sobre a competitividade e a segurança do agronegócio nacional. Em um cenário marcado pela alta dos preços internacionais, restrições logísticas e instabilidade geopolítica, os bioinsumos ganham espaço como uma alternativa estratégica para aumentar a eficiência das lavouras e reduzir a vulnerabilidade do setor.

Atualmente, cerca de 88% dos fertilizantes utilizados no país são importados, sobretudo de regiões sujeitas a conflitos e oscilações no comércio internacional. Diante desse contexto, a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio) defende a ampliação do uso de tecnologias biológicas como complemento à adubação mineral e instrumento para fortalecer a soberania produtiva brasileira.

Crise logística pressiona custos dos fertilizantes

A preocupação do setor aumentou após as recentes restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio global de fertilizantes. O corredor concentra aproximadamente um terço do fluxo mundial desses insumos e passou a enfrentar novas dificuldades logísticas, agravando um cenário que já vinha sendo impactado pelos reflexos da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Mesmo com expectativa de normalização gradual das operações, especialistas avaliam que os efeitos sobre preços, oferta e fretes deverão continuar influenciando o mercado nos próximos meses.

Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que, entre fevereiro e abril de 2026, o Brasil importou 4% menos fertilizantes, mas desembolsou 16% a mais pelo volume adquirido. No mesmo período, o fertilizante fosfatado MAP acumulou valorização de 20%.

Bioinsumos aumentam eficiência sem substituir fertilizantes minerais

Segundo o presidente da ANPII Bio, Thiago Delgado, os bioinsumos não eliminam a necessidade dos fertilizantes convencionais, mas desempenham papel importante ao elevar o aproveitamento dos nutrientes disponíveis no solo e reduzir parte da dependência externa.

Leia Também:  Safra de algodão 2025/26 do Brasil deve atingir 3,86 milhões de toneladas, aponta StoneX

“O Brasil possui elevada dependência de nitrogênio, fósforo e potássio importados. Os bioinsumos contribuem para aumentar a eficiência nutricional das plantas, oferecendo maior estabilidade de custos e fortalecendo a segurança agrícola”, afirma.

Para a entidade, enquanto projetos destinados à ampliação da produção nacional de fertilizantes minerais exigem investimentos elevados e longo prazo para maturação, as tecnologias biológicas já estão disponíveis comercialmente e podem ser adotadas imediatamente pelos produtores.

Mercado brasileiro lidera desenvolvimento de tecnologias biológicas

O Brasil ocupa posição de destaque no mercado mundial de bioinsumos. De acordo com a ANPII Bio, o setor movimenta mais de R$ 7 bilhões por safra, concentra aproximadamente metade do mercado latino-americano e figura entre os três maiores mercados globais da atividade.

Além disso, cerca de 85% dos bioinsumos comercializados no país são produzidos pela própria indústria nacional, consolidando o Brasil como uma das principais referências internacionais no desenvolvimento de soluções biológicas voltadas ao agronegócio tropical.

O segmento reúne atualmente mais de 200 empresas registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e contabiliza mais de 1.500 produtos registrados, apresentando crescimento superior a 50% entre 2022 e 2025.

Fixação biológica de nitrogênio é exemplo de sucesso no campo

Entre as principais aplicações dos bioinsumos estão a fixação biológica de nitrogênio (FBN), a solubilização de fósforo e potássio, o estímulo ao desenvolvimento radicular e o aumento da absorção de água e nutrientes pelas plantas.

O caso mais consolidado é o da soja brasileira. Segundo a Embrapa, a utilização de bactérias do gênero Bradyrhizobium permite suprir biologicamente a necessidade de nitrogênio da cultura, reduzindo drasticamente os custos com fertilização.

Enquanto a adubação nitrogenada convencional pode atingir cerca de R$ 906 por hectare, a inoculação biológica apresenta custo próximo de R$ 8 por hectare, mantendo elevada eficiência produtiva.

Leia Também:  Paraná Reduz ICMS para Erva-Mate com Objetivo de Aumentar Competitividade

Hoje, aproximadamente 90% das áreas cultivadas com soja no Brasil utilizam essa tecnologia, gerando economia estimada entre US$ 25 bilhões e US$ 40 bilhões por ano aos produtores.

Outro microrganismo amplamente empregado é o Azospirillum brasilense, associado ao fortalecimento do sistema radicular, maior absorção de nutrientes e aumento da tolerância das plantas aos estresses climáticos.

Reconhecimento internacional fortalece pesquisa brasileira

O avanço da pesquisa nacional em bioinsumos ganhou destaque internacional em 2025, quando a pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria recebeu o World Food Prize, considerado o “Nobel da Agricultura”, pelo desenvolvimento de tecnologias ligadas à fixação biológica de nitrogênio.

Para a ANPII Bio, o reconhecimento reforça o protagonismo do Brasil na construção de soluções capazes de aumentar a produtividade agrícola com menor dependência de fertilizantes minerais importados.

Marco legal impulsiona expansão do setor

Outro fator considerado decisivo para o crescimento do segmento é a Lei dos Bioinsumos (Lei nº 15.070/2024), que estabelece um marco regulatório para estimular a inovação, ampliar a produção nacional e acelerar a adoção dessas tecnologias no campo.

Segundo a entidade, a regulamentação da legislação deverá fortalecer ainda mais a competitividade da indústria brasileira de bioinsumos, criando condições favoráveis para novos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e produção.

Na avaliação da ANPII Bio, os bioinsumos não devem ser vistos como substitutos dos fertilizantes minerais, mas como ferramentas complementares para tornar os sistemas produtivos mais eficientes, resilientes e menos vulneráveis às oscilações do mercado internacional, contribuindo para a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA