AGRONEGÓCIO

Mercado de feijão registra baixa liquidez e incertezas diante da colheita da segunda safra

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A segunda semana de abril foi marcada por fraca liquidez e negociações limitadas no mercado de feijão carioca. De acordo com o analista e consultor da Safras & Mercado, mesmo com boa oferta — composta, em grande parte, por remanescentes da semana anterior — os compradores demonstraram cautela, enquanto os vendedores mantiveram resistência em aceitar preços mais baixos.

“As tentativas de pressão por parte da ponta compradora esbarraram na postura firme dos produtores, limitando os negócios. Houve vendas pontuais de feijão nota 9 de escurecimento lento a R$ 305 por saca CIF São Paulo e de grãos nota 9,5 a R$ 320 por saca, mas sem grande volume”, explicou o analista.

Ainda segundo ele, a demanda se manteve seletiva, com preferência por grãos de padrão entre 8 e 8,5, comercializados entre R$ 260 e R$ 280 por saca. Já os lotes de qualidade inferior sofreram deságios de R$ 5 a R$ 10 por saca, como tentativa de destravar parte das vendas.

Ao final da semana, o mercado manteve-se estável, com poucos negócios efetivados e vendedores pouco dispostos a aceitar reduções nos preços. Alguns lotes destinados à exportação foram negociados entre R$ 300 e R$ 315 por saca CIF São Paulo.

“A expectativa é de que a intensificação da colheita da segunda safra 2024/25 aumente a pressão sobre os preços nas próximas semanas. Corretores já consideram a necessidade de ajustes para reaquecer a demanda, enquanto o clima adverso e os relatos de pragas seguem sendo monitorados pelos agentes do mercado”, afirmou o consultor.

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Feijão preto enfrenta queda de preços com avanço da segunda safra

No segmento do feijão preto, o cenário também foi de lentidão e pressão nos preços durante a segunda semana de abril. A combinação entre o aumento da oferta, devido ao avanço da colheita da segunda safra, e a demanda retraída resultou em novas desvalorizações.

Negociações pontuais ocorreram na Zona Cerealista de São Paulo, com o feijão extra ofertado a R$ 225 por saca, mas sem firmeza nas cotações. No Paraná, o grão de melhor qualidade recuou de R$ 210 para até R$ 190 por saca FOB. Para os grãos intermediários, os preços caíram para patamares inferiores a R$ 170 por saca, pressionando ainda mais os produtores.

No campo, a colheita da primeira safra no Rio Grande do Sul está próxima da conclusão, enquanto os trabalhos da segunda safra avançam lentamente. O clima frio e os relatos de pragas seguem sendo fatores de preocupação. A expectativa é de que a pressão de baixa continue nas próximas semanas, com os preços dependendo do desempenho das exportações e da capacidade de absorção da nova safra pelo mercado doméstico.

Exportações ganham protagonismo e aliviam o setor

As exportações brasileiras de feijão apresentaram forte crescimento no primeiro trimestre da safra 2025/26, alcançando 71,7 mil toneladas — volume mais de cinco vezes superior ao registrado no mesmo período da temporada anterior. A receita também avançou significativamente, saltando de US$ 11,7 milhões para US$ 63,5 milhões, impulsionada pela maior disponibilidade da primeira safra, preços competitivos e pela valorização do dólar, próximo a R$ 6,00.

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O feijão comum liderou os embarques, com 36,4 mil toneladas — oito vezes mais que no ano anterior —, tendo como principais destinos a África do Sul (8,2 mil t), Índia (6,8 mil t) e Venezuela (5,65 mil t). O feijão caupi também apresentou crescimento expressivo, de 179%, atingindo 13,6 mil toneladas, com destaque para Índia, Egito e Nepal. Já o feijão mungo somou 21,3 mil toneladas, com a Índia (15,1 mil t) e o Paquistão (5,4 mil t) como principais compradores. O feijão adzuki manteve participação marginal, com apenas 0,1 mil tonelada exportada.

“Diante da lentidão do mercado interno e da fragilidade dos preços no início de 2025, as exportações têm sido fundamentais para sustentar o setor e proporcionar maior liquidez ao mercado, especialmente neste período de intensificação da colheita da segunda safra”, concluiu Oliveira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade

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Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.

Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.

O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.

A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.

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Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.

Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.

Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.

Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.

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Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.

Fonte: Pensar Agro

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