AGRONEGÓCIO
Oferta restrita sustenta preços da carne de frango no mercado brasileiro
Publicado em
21 de março de 2025por
Da Redação
O mercado brasileiro de carne de frango manteve preços estáveis tanto no segmento vivo quanto no atacado ao longo da última semana. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, a limitação da oferta e a boa reposição ao longo da cadeia contribuíram para esse cenário positivo.
“Por outro lado, o alojamento de pintainhos segue em alta, o que demanda atenção para as próximas semanas. Além disso, os custos de produção continuam sendo um ponto de preocupação”, ressaltou Maia.
No atacado, as cotações permaneceram firmes. “A reposição entre atacado e varejo segue em bom ritmo, assim como a demanda na ponta final. Os cortes de frango seguem altamente competitivos em relação a outras proteínas, especialmente à carne bovina. Além disso, as exportações registram ótimo desempenho, o que ajuda a reduzir a disponibilidade no mercado doméstico”, acrescentou o analista.
Preços internos
Segundo levantamento da Safras & Mercado, os preços dos cortes congelados de frango no atacado paulista se mantiveram estáveis ao longo da semana. O quilo do peito permaneceu em R$ 11,00, enquanto a coxa seguiu cotada a R$ 8,30 e a asa a R$ 12,10. Na distribuição, o peito ficou em R$ 11,25, a coxa em R$ 8,50 e a asa em R$ 12,30.
Nos cortes resfriados vendidos no atacado, o comportamento das cotações também seguiu a tendência de estabilidade. O preço do quilo do peito permaneceu em R$ 11,10, o da coxa em R$ 8,40 e o da asa em R$ 12,20. Na distribuição, o peito seguiu em R$ 11,35, a coxa em R$ 8,60 e a asa em R$ 12,40.
Levantamento semanal da Safras & Mercado apontou que, nas principais praças de comercialização do Brasil, o quilo do frango vivo apresentou leves variações. Em Minas Gerais, a cotação subiu de R$ 5,55 para R$ 5,60, enquanto em São Paulo houve avanço de R$ 5,60 para R$ 5,70.
Na integração catarinense, a cotação permaneceu em R$ 4,50. No oeste do Paraná, o preço seguiu em R$ 4,55, e no Rio Grande do Sul, em R$ 4,00. Já no Mato Grosso do Sul e em Goiás, o quilo do frango vivo permaneceu em R$ 5,50, enquanto no Distrito Federal se manteve em R$ 5,55. Em Pernambuco, o preço subiu de R$ 7,25 para R$ 7,70, no Ceará avançou de R$ 7,50 para R$ 8,30 e, no Pará, de R$ 8,00 para R$ 8,50.
Exportações seguem aquecidas
As exportações brasileiras de carne de aves e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas totalizaram US$ 406,544 milhões nos oito primeiros dias úteis de março, com uma média diária de US$ 50,818 milhões. O volume total embarcado chegou a 227,768 mil toneladas, com uma média diária de 28,471 mil toneladas. O preço médio por tonelada ficou em US$ 1.784,9.
Em comparação com março de 2024, houve um avanço de 47,8% no valor médio diário, um crescimento de 45,7% no volume exportado por dia e um aumento de 1,4% no preço médio da tonelada. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas
Published
20 horas agoon
27 de setembro de 2026By
Da Redação
A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.
Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.
“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.
“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.
Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.
A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.
O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.
A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.
O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.
As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.
A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.
O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.
Fonte: Pensar Agro
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