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Securitização das dívidas agropecuárias: solução essencial para a sustentabilidade do agronegócio

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Desde 2018, a securitização das dívidas agropecuárias tem sido defendida como uma ferramenta essencial para reduzir a pressão financeira sobre os produtores rurais e garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro. Segundo o advogado e presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra), Jerônimo Goergen, o setor enfrenta desafios constantes, como oscilações de mercado, condições climáticas adversas e dificuldades no acesso ao crédito, tornando indispensável a adoção de mecanismos que viabilizem a reestruturação das obrigações financeiras dos produtores.

Com esse objetivo, foi apresentado o Projeto de Lei nº 10.331/2018, que estabelece diretrizes para a securitização das dívidas do setor agropecuário. A proposta permite a conversão de passivos rurais em títulos negociáveis no mercado financeiro, proporcionando maior liquidez aos produtores e possibilitando a reorganização de suas dívidas sem comprometer a capacidade produtiva. Essa estratégia já se mostrou eficaz em outros segmentos econômicos e pode ser adaptada para atender às especificidades do agronegócio.

Atualmente, o PL segue em tramitação na Câmara dos Deputados, aguardando a designação de um relator na Comissão de Finanças e Tributação (CFT). Para que a proposta avance, é fundamental a mobilização dos parlamentares e das entidades do setor, garantindo que o tema seja amplamente debatido, atualizado e votado com celeridade.

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O contexto atual reforça a necessidade urgente da medida. O aumento do endividamento rural tem levado muitos produtores a renegociações e, em casos extremos, a pedidos de falência. Recentemente, o Banco do Brasil lançou uma campanha para mitigar esse problema, evidenciando a gravidade da situação. A securitização surge, assim, como uma solução estruturante, permitindo a conversão dos débitos em ativos negociáveis, reduzindo riscos e proporcionando maior previsibilidade financeira ao setor.

Embora não esteja mais na Câmara, Goergen segue empenhado para que a pauta avance e seja implementada. O PL 10.331/2018 já está estruturado para servir como base na resolução desse impasse. Com a designação de um relator e os ajustes necessários para adaptar o texto às novas demandas do setor, o projeto tem potencial para transformar a política de crédito agrícola do país. A mobilização é essencial para garantir sua tramitação e aprovação, fortalecendo o agronegócio brasileiro e assegurando sua sustentabilidade financeira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Safra 2026/27 confirma avanço do crédito privado e reduz dependência do financiamento oficial no agro

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O anúncio do Plano Safra 2026/27 trouxe um novo recorde nominal para o crédito rural empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados a médios e grandes produtores. Apesar do volume expressivo, o crescimento de apenas 1,7% em relação à safra anterior ficou abaixo da inflação acumulada e do avanço esperado para o setor, gerando questionamentos sobre a capacidade do programa de sustentar sozinho a expansão do agronegócio brasileiro.

Mais do que o valor anunciado, o que chama a atenção é a mudança estrutural que vem ocorrendo no sistema de financiamento rural. O crédito privado, impulsionado por instrumentos como CPR, Fiagro, CRA e LCA, assume papel cada vez mais relevante, reduzindo a dependência histórica dos recursos subsidiados pelo governo.

Plano Safra cresce menos e reflete cenário de maior cautela

O novo ciclo do Plano Safra foi lançado em um contexto marcado por margens mais apertadas no campo, aumento da inadimplência em algumas cadeias produtivas e maior seletividade das instituições financeiras.

Dos R$ 525,1 bilhões anunciados, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização da produção, uma redução de 7,2% em relação à safra anterior. Já os recursos para investimentos somam R$ 140,2 bilhões, alta de 38,1%, sinalizando prioridade para projetos de modernização, tecnologia e infraestrutura.

Além disso, houve redução nas principais taxas de juros das linhas de financiamento, acompanhando o início do ciclo de queda da taxa Selic. O crédito de custeio empresarial passou de 14% para 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp caiu de 10% para 9%.

Crédito privado ganha protagonismo no financiamento rural

Embora o Plano Safra continue sendo um importante instrumento de política agrícola, sua participação relativa no financiamento do setor vem diminuindo.

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Nas últimas cinco safras, o crescimento do crédito rural ocorreu principalmente por meio de recursos livres, captados a mercado. Enquanto o crédito subsidiado permaneceu praticamente estável, as operações com recursos privados avançaram de forma consistente.

Esse movimento mostra que o agronegócio brasileiro está cada vez menos dependente dos subsídios governamentais e mais conectado ao sistema financeiro e ao mercado de capitais.

A participação dos recursos equalizados — aqueles em que o Tesouro Nacional subsidia parte dos juros — caiu significativamente nos últimos anos, representando atualmente cerca de 22% do total disponibilizado pelo Plano Safra.

Cooperativas ampliam presença no campo

Outro destaque da transformação do crédito rural é o avanço das cooperativas financeiras.

Nos últimos dez anos, a participação dessas instituições nas operações de crédito rural praticamente dobrou. Em diversas regiões do país, especialmente no interior, as cooperativas se tornaram a principal fonte de financiamento para produtores rurais.

Além da proximidade com o associado, essas instituições ampliaram sua capacidade de captação no mercado, fortalecendo sua atuação em um cenário de maior demanda por crédito e menor participação dos bancos tradicionais.

CPR alcança R$ 565 bilhões e lidera expansão do mercado privado

A principal evidência da mudança estrutural está no crescimento da Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento que se consolidou como a espinha dorsal do crédito privado no agronegócio.

O estoque de CPR saltou de aproximadamente R$ 170 bilhões para R$ 565 bilhões em apenas seis safras, crescimento superior a 230%. O avanço supera com folga a expansão registrada pelo próprio Plano Safra no mesmo período.

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Paralelamente, outros instrumentos também ganharam espaço. O estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançou cerca de R$ 176 bilhões, enquanto os Fiagros já administram aproximadamente R$ 62 bilhões em ativos distribuídos em centenas de fundos.

Somados a operações de barter e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os mecanismos privados movimentam atualmente cerca de R$ 1,4 trilhão, consolidando uma nova realidade para o financiamento da produção agropecuária.

Desafio para produtores passa a ser gestão financeira

Especialistas apontam que o principal desafio para os próximos anos não será apenas acessar crédito, mas administrar diferentes fontes de financiamento de forma estratégica.

Ferramentas como CPR, barter, Fiagro e operações estruturadas passam a integrar cada vez mais o planejamento financeiro das propriedades rurais. Nesse cenário, gestão de risco, proteção de margem e eficiência operacional tornam-se fatores tão importantes quanto produtividade e tecnologia.

Nova fase do crédito rural já começou

O Plano Safra 2026/27 reforça uma tendência que vem se consolidando no agronegócio brasileiro: o financiamento da produção deixou de depender exclusivamente dos recursos oficiais.

Embora continue relevante, o programa governamental passa a atuar como parte de um sistema mais amplo, formado por cooperativas, mercado financeiro, investidores e instrumentos privados.

A mensagem para o setor é clara: o futuro do crédito rural será construído pela combinação entre recursos públicos e privados. Mais do que acompanhar o tamanho dos anúncios oficiais, produtores, empresas e investidores precisarão observar a qualidade do funding, a gestão dos riscos e a capacidade de execução dos projetos para garantir competitividade nos próximos ciclos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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