AGRONEGÓCIO
A Importância de Reduzir o Uso do Óxido de Zinco na Suinocultura: Alternativas Sustentáveis para o Setor
Publicado em
30 de janeiro de 2025por
Da Redação
O Brasil, que ocupa a posição de quarto maior produtor e exportador de carne suína do mundo, deverá exportar cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne suína em 2024, de acordo com estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Com um papel fundamental na economia nacional, o setor suinícola busca soluções para manter a sanidade dos plantéis e atender à crescente demanda global por proteína suína.
Entre as práticas amplamente utilizadas, destaca-se o uso do óxido de zinco (ZnO) na prevenção de doenças entéricas, como a diarreia pós-desmame e a doença do edema em leitões desmamados. Contudo, o crescente debate sobre os impactos ambientais e a resistência antimicrobiana tem impulsionado a busca por alternativas mais sustentáveis a esse composto.
Eficácia do Óxido de Zinco e Seus Desafios Ambientais
Pedro Filsner, médico-veterinário e gerente nacional de serviços veterinários de suínos da Ceva Saúde Animal, explica que o uso do óxido de zinco é essencial durante a fase de desmame, momento crítico para os leitões, quando o estresse compromete o sistema imunológico e aumenta a susceptibilidade a patógenos. O ZnO é eficaz na prevenção de problemas intestinais, melhorando a saúde intestinal e controlando a proliferação de bactérias como a Escherichia coli.
A doença do edema, causada por cepas de Escherichia coli produtoras da toxina Shiga2 (Vt2e), é uma das condições mais fatais que afeta os leitões desmamados. O óxido de zinco desempenha um papel importante no controle dessa doença. Contudo, o uso prolongado e em altas concentrações do composto gera preocupações, especialmente no que diz respeito à sua excreção nas fezes dos animais, que, frequentemente, são utilizadas como fertilizante natural. Esse processo pode levar à contaminação do solo e dos lençóis freáticos, impactando negativamente o meio ambiente.
Além disso, o acúmulo excessivo de zinco pode ter efeitos tóxicos nos órgãos dos suínos, como rins, fígado e pâncreas, comprometendo a saúde e a produtividade dos animais. A utilização indiscriminada do composto também pode contribuir para o desenvolvimento de resistência bacteriana, um fenômeno que ameaça a eficácia dos tratamentos antimicrobianos, afetando tanto a saúde animal quanto humana.
Restrições Internacionais e Oportunidade para Inovação
Preocupações com os impactos do óxido de zinco têm levado a restrições em vários países. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) proibiu o uso de ZnO para leitões na fase de desmame, permitindo sua utilização apenas com fins terapêuticos e em doses abaixo de 150 ppm. O Canadá impôs uma restrição, permitindo a inclusão de no máximo 350 ppm do mineral na alimentação dos leitões, enquanto a China estipulou um limite de 1600 ppm nas suas granjas.
Embora no Brasil, assim como nos Estados Unidos, não haja restrições formais sobre o uso de óxido de zinco, o país, com seu papel destacado na produção e exportação de carne suína, poderá ser impactado por novas diretrizes internacionais que visam a redução ou o banimento desse mineral na cadeia produtiva, como observa Filsner.
Alternativas Sustentáveis e o Papel das Vacinas
A transição para métodos mais ecológicos e eficazes exige uma abordagem integrada, que combine alternativas naturais, ajustes nutricionais e melhores práticas de manejo. A inclusão de probióticos, como Lactobacillus e Bifidobacterium, e prebióticos, como inulina e frutooligossacarídeos, pode melhorar a saúde intestinal e reduzir a incidência de doenças entéricas. A suplementação com ácidos orgânicos, como ácido fórmico e ácido láctico, também é eficaz para acidificar o trato gastrointestinal e inibir o crescimento de patógenos como E. coli.
Uma alternativa promissora é a vacinação. Pedro Filsner destaca que o desenvolvimento de vacinas específicas contra cepas de Escherichia coli, causadoras da diarreia e da Doença do Edema, representa uma estratégia preventiva e sustentável. Essas vacinas podem reduzir a necessidade do uso de óxido de zinco, estimulando a imunidade dos leitões contra os patógenos responsáveis pelas doenças entéricas.
O Futuro Sustentável da Suinocultura Brasileira
A substituição do óxido de zinco é crucial para mitigar os impactos ambientais e combater a resistência antimicrobiana. A implementação de alternativas sustentáveis pode garantir a eficácia na prevenção de doenças como a do edema e outras condições intestinais, promovendo uma suinocultura mais responsável e ambientalmente consciente. Filsner reforça que investimentos em pesquisa e desenvolvimento são essenciais para viabilizar práticas inovadoras, assegurando um futuro sustentável para a suinocultura brasileira. A transição para métodos mais ecológicos é um passo importante para uma produção suína moderna, eficiente e ambientalmente responsável.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Mato Grosso deve ampliar produção de etanol em 16% na safra 2026/27 e reforça liderança nacional em biocombustíveis
Published
8 horas agoon
25 de maio de 2026By
Da Redação
Mato Grosso deve consolidar ainda mais sua posição estratégica no setor brasileiro de biocombustíveis na safra 2026/27. Projeção divulgada pelo Bioind-MT, com elaboração do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), aponta crescimento de 16,08% na produção estadual de etanol, que poderá atingir 8,44 milhões de metros cúbicos no próximo ciclo.
O avanço será liderado principalmente pelo etanol de milho, segmento em que Mato Grosso já responde por 62% da produção nacional de etanol de cereais. O crescimento também será sustentado pela entrada de novas plantas industriais e pela ampliação da moagem de milho destinada à produção de biocombustíveis.
Segundo o presidente do Bioind-MT e da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, o setor ganha importância crescente na matriz energética brasileira e no processo de descarbonização dos transportes.
“O avanço do etanol de milho fortalece a segurança energética e amplia o papel estratégico do Brasil na oferta de combustíveis renováveis, inclusive para setores como aviação e navegação marítima”, afirma.
Produção de etanol de milho deve crescer quase 19%
Antes mesmo da safra 2026/27, Mato Grosso já deve encerrar o ciclo 2025/26 com forte expansão na produção de etanol. A estimativa aponta crescimento de 8,52%, alcançando 7,27 milhões de metros cúbicos, enquanto a produção nacional deverá ficar praticamente estável, com leve alta de 0,22%.
Com esse desempenho, o estado mantém a segunda posição no ranking brasileiro de produção de etanol, atrás apenas de São Paulo.
Na safra atual, a produção de etanol de milho deverá atingir 6,18 milhões de metros cúbicos, avanço de 9,89% em relação ao ciclo anterior. Já o etanol de cana-de-açúcar deve alcançar 1,09 milhão de metros cúbicos, com crescimento mais moderado de 1,37%.
Para 2026/27, a expectativa é de aceleração ainda maior no segmento de milho. A produção deverá subir 18,67%, alcançando 7,33 milhões de metros cúbicos. O etanol de cana, por sua vez, deve crescer 1,42%, chegando a 1,11 milhão de metros cúbicos.
O levantamento também mostra expansão significativa da moagem de milho para etanol. O volume processado deve atingir 13,81 milhões de toneladas em 2025/26, alta de 10,45%. Já para 2026/27, a projeção é de crescimento de 18,52%, totalizando 16,36 milhões de toneladas.
A entrada de duas novas plantas industriais no estado aparece como um dos principais fatores de impulso para o setor.
Cadeia de coprodutos amplia relevância econômica
Além do combustível, a indústria de etanol de milho segue fortalecendo a produção de coprodutos utilizados principalmente na nutrição animal e na indústria de alimentos.
A produção de DDG e DDGS — coprodutos proteicos derivados do processamento do milho — deverá crescer 16,14% na safra 2026/27, chegando a 3,41 milhões de toneladas.
Já a produção de óleo de milho deve avançar 12,9%, alcançando 338,9 mil toneladas.
No segmento sucroenergético, a moagem de cana-de-açúcar deverá permanecer praticamente estável no próximo ciclo, com previsão de 18,61 milhões de toneladas, alta de 0,39%.
A produção de açúcar, por outro lado, poderá registrar leve retração de 1,42%, ficando em 579,7 mil toneladas.
Segundo o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, o setor vem ampliando sua participação em diferentes segmentos da economia.
“A cadeia de bioenergia em Mato Grosso amplia sua relevância na produção de combustíveis renováveis, coprodutos para nutrição animal, óleo vegetal, bioenergia e créditos de descarbonização”, destaca.
Mato Grosso pode dobrar produção até 2033
As projeções de longo prazo indicam continuidade do forte crescimento da indústria de biocombustíveis no estado.
Segundo o levantamento, Mato Grosso poderá alcançar produção de 15,02 milhões de metros cúbicos de etanol até a safra 2033/34 — mais que o dobro do volume estimado para o ciclo atual.
O estudo também destaca os impactos ambientais positivos da cadeia de bioenergia. Desde o início do programa de Créditos de Descarbonização (CBIOs), o setor já contribuiu para mitigação equivalente a 189,64 milhões de toneladas de CO₂, sendo 40,06 milhões de toneladas apenas em 2025.
Além da relevância energética e ambiental, a cadeia produtiva do etanol em Mato Grosso também amplia sua importância econômica e social. Atualmente, o setor gera mais de 12 mil empregos diretos e movimenta arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS no estado.

Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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