AGRONEGÓCIO
Produtores do RS comemoram safra recorde de cana-de-açúcar
Publicado em
19 de dezembro de 2024por
Da Redação
O Rio Grande do Sul está colhendo resultados promissores na safra de cana-de-açúcar, especialmente na região de Santa Rosa, administrada pela Emater/RS-Ascar. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado na última quinta-feira (12), a área plantada totaliza 2.234 hectares, com uma produtividade média estimada de 55 toneladas por hectare.
Entre as variedades cultivadas, a SP 813250 tem se destacado, particularmente pela alta eficiência na produção de melado e açúcar mascavo. Especialistas atribuem o bom desempenho às chuvas regulares observadas desde o segundo semestre de 2023 e às temperaturas elevadas, condições ideais para o cultivo. Atualmente, o preço médio pago ao produtor é de R$ 124,61 por tonelada.
Mercado global registra oscilações
Enquanto os produtores gaúchos celebram os bons resultados, o mercado de açúcar enfrenta flutuações significativas. Dados da União Nacional da Bioenergia (Udop) indicam que os contratos futuros de açúcar bruto na ICE Futures de Nova York começaram a semana em queda. Na última segunda-feira (16), o contrato para março de 2025 foi negociado a 20,68 centavos de dólar por libra-peso, apresentando uma redução de 0,2% em relação à sessão anterior. Esse foi o menor valor registrado em quase três meses, atingindo 20,43 centavos. O contrato para maio de 2025 também sofreu retração, sendo cotado a 19,20 centavos de dólar por libra-peso.
Na ICE Futures Europe, em Londres, o cenário foi misto. O contrato de março de 2025 registrou uma leve alta de US$ 1,40, encerrando a sessão a US$ 529,40 por tonelada. Por outro lado, os contratos seguintes apresentaram quedas entre US$ 2 e US$ 3,40 por tonelada.
Queda no mercado interno
No Brasil, o mercado interno do açúcar cristal segue em retração. Segundo o Indicador Cepea/Esalq da USP, a saca de 50 quilos foi comercializada na segunda-feira (16) por R$ 160,77, uma queda de 0,32% em relação à última sexta-feira. Desde o início de dezembro, o indicador já acumula uma desvalorização de 2,3%.
Apesar das oscilações nos mercados interno e externo, os produtores gaúchos continuam comemorando os resultados excepcionais desta safra, que refletem o equilíbrio entre as condições climáticas favoráveis e o manejo eficiente da cultura.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
Published
7 horas agoon
15 de outubro de 2026By
Da Redação
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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