AGRONEGÓCIO
Fiscais do Mapa Apreendem Arroz de Qualidade Inferior Comercializado como Tipo 1 em SP
Publicado em
3 de dezembro de 2024por
Da Redação
Em uma fiscalização realizada no dia 21 de novembro em São José do Rio Preto (SP), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apreendeu 18,7 toneladas de arroz que estavam sendo comercializadas com informações falsas sobre sua qualidade. A operação identificou que 1.332 pacotes de 5 quilos, que estavam embalados como arroz tipo 1, correspondiam, na verdade, ao arroz tipo 5, de qualidade inferior. O produto, embalado por uma empresa de Colina (SP), totalizou 6.660 quilos.
Durante a mesma fiscalização, foram apreendidos outros dois lotes de arroz, totalizando 12.090 quilos, de uma empresa do Rio Grande do Sul. Nestes casos, um lote estava etiquetado como arroz tipo 1, mas na realidade era tipo 3, e o outro foi classificado como “fora de tipo”, devido ao excesso de grãos quebrados, picados, amarelos e quireras. Os dois lotes também estavam rotulados incorretamente com a indicação de tipo 1, que corresponde a arroz de qualidade superior.
As irregularidades só foram divulgadas nesta sexta-feira (29), após a conclusão do laudo laboratorial que confirmou a fraude. Para que o arroz seja considerado tipo 1, o limite de grãos quebrados e quireras não pode ultrapassar 7,5% do peso total. No caso das apreensões, um dos lotes apresentava 53,54% de grãos quebrados, ou seja, sete vezes mais do que o limite permitido pela legislação vigente, conforme a Instrução Normativa Ministerial nº 06/2009.
Este não foi o único caso de fraude recentemente identificado. No início de novembro, em Araraquara (SP), 10,5 toneladas de arroz tipo 3 foram apreendidas em uma rede de supermercados, também rotuladas como arroz tipo 1.
O Mapa informa que só divulgará os nomes das empresas envolvidas após o término dos processos administrativos. No entanto, garante que todas as empresas terão direito à ampla defesa, podendo requisitar análises periciais. Caso as irregularidades sejam confirmadas, as empresas serão autuadas e terão de substituir os lotes irregulares por produtos conformes. O reprocessamento dos lotes será acompanhado por fiscais dos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.
O Ministério da Agricultura ainda solicita aos consumidores que denunciem produtos de qualidade duvidosa por meio da plataforma “Fala BR”, disponível no site do Mapa. As denúncias podem ser anônimas e ajudam a direcionar as fiscalizações.
A operação foi realizada pelo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Sipov) da Superintendência do Mapa em São Paulo, com base nas legislações que regulamentam a comercialização de produtos vegetais e o autocontrole empresarial. As empresas flagradas em descumprimento das normas estão sujeitas a penalidades previstas em lei.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Superávit no comércio exterior cresce, mas pressão sobre margens exige novas estratégias das empresas brasileiras
Published
13 minutos agoon
24 de abril de 2026By
Da Redação
O Brasil mantém, nos últimos anos, uma sequência de superávits expressivos na balança comercial, impulsionados principalmente pelo desempenho do agronegócio e de commodities. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmam resultados positivos recorrentes no comércio exterior.
No entanto, esse cenário de crescimento agregado convive com um desafio crescente para as empresas: a redução das margens de lucro, pressionadas por custos logísticos elevados, instabilidade cambial e mudanças nas regras do comércio global.
Superávit da balança comercial não reflete ganho real das empresas
Apesar do saldo positivo nas exportações, especialistas apontam que o resultado macroeconômico não reflete necessariamente maior rentabilidade para as companhias exportadoras.
Segundo Murillo Oliveira, especialista em investimentos e estruturação financeira internacional e Head of Treasury da Saygo, muitas empresas estão vendendo mais, mas com margens menores.
“O superávit não significa que as empresas estão ganhando mais. Muitas estão vendendo mais, mas com margens comprimidas por custos que não aparecem na leitura macro dos dados”, afirma.
Custos logísticos e barreiras globais pressionam competitividade
O ambiente internacional tem sido marcado por fatores que elevam o custo das operações. Entre eles estão juros elevados em economias centrais, oscilações frequentes do câmbio e o avanço de políticas protecionistas.
Medidas como a imposição de tarifas adicionais por grandes economias também impactam diretamente a competitividade dos exportadores brasileiros, reduzindo previsibilidade e ampliando riscos.
Além disso, gargalos logísticos e tributários continuam pesando sobre o setor. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que custos logísticos e fiscais podem representar cerca de 30% das operações de comércio exterior no Brasil.
Gestão financeira se torna fator decisivo para manter margens
De acordo com o especialista, a sustentabilidade das margens depende cada vez mais da estruturação financeira e da eficiência operacional das empresas.
“Hoje, margem não se protege só com preço ou volume. Ela depende de gestão financeira, estratégia cambial e eficiência operacional integrada”, destaca Oliveira.
Esse cenário tem levado empresas a revisar processos, buscar novos mercados e investir em inteligência financeira para reduzir riscos e melhorar previsibilidade.
Diversificação de mercados e integração de operações ganham força
Entre as principais respostas das companhias está a diversificação geográfica das exportações, reduzindo a dependência de poucos destinos comerciais.
A entrada em mercados da Europa e da Ásia tem sido uma alternativa para diluir impactos de tarifas e instabilidades geopolíticas. No entanto, essa estratégia exige maior maturidade operacional e planejamento financeiro mais sofisticado.
Também cresce a demanda por soluções que integrem câmbio, logística e tributação em uma única visão estratégica, permitindo maior controle das operações internacionais.
Falta de visibilidade aumenta riscos nas operações internacionais
A ausência de integração entre dados financeiros e operacionais é apontada como um dos principais riscos para empresas exportadoras.
“A empresa que opera no exterior sem visibilidade de ponta a ponta está exposta. Pequenas variações de custo ou câmbio já são suficientes para transformar lucro em prejuízo”, afirma Oliveira.
Cinco estratégias para proteger margens no comércio exterior
Especialistas destacam um conjunto de decisões estruturais adotadas por empresas que conseguem preservar rentabilidade mesmo em cenários de pressão:
1. Gestão cambial estruturada
A volatilidade do dólar segue como um dos principais riscos do comércio exterior. O uso de instrumentos como hedge, contratos a termo e contas em moeda estrangeira ajuda a reduzir exposição e aumentar previsibilidade.
“O câmbio não pode ser tratado como uma variável passiva”, afirma o especialista.
2. Diversificação de mercados e moedas
A concentração em poucos destinos aumenta riscos comerciais. A ampliação para diferentes regiões reduz impactos de barreiras comerciais e instabilidades geopolíticas.
3. Revisão de custos logísticos e tributários
Frete internacional, armazenagem e carga tributária continuam entre os principais fatores de pressão. Regimes especiais e estratégias fiscais podem reduzir custos operacionais.
4. Integração de dados financeiros e operacionais
A centralização de informações permite melhor leitura de riscos e decisões mais rápidas, especialmente em operações globais complexas.
5. Uso de assessoria especializada
O suporte técnico contribui para negociações mais eficientes, acesso a incentivos fiscais e estruturação adequada das operações internacionais.
Reorganização global abre oportunidades, mas exige eficiência
Apesar dos desafios, o processo de reorganização das cadeias globais de comércio cria novas oportunidades para países exportadores como o Brasil.
No entanto, especialistas reforçam que o aproveitamento desse cenário depende de controle operacional e estratégia financeira.
“A oportunidade existe, mas não é automática. Quem tiver controle, inteligência financeira e capacidade de adaptação vai capturar valor. Quem operar no automático tende a perder margem, mesmo com crescimento de vendas”, conclui Oliveira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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