AGRONEGÓCIO

Agricultura Inteligente: O Papel da Análise de Dados na Aumento de Eficiência das Culturas

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A crescente demanda por maior produtividade no campo, aliada à escassez de recursos e à falta de mão de obra qualificada, tem impulsionado o uso de tecnologias e análise de dados na agricultura. Nesse contexto, a aplicação dessas ferramentas pode otimizar a produção, reduzir desperdícios e promover práticas mais sustentáveis. A análise de dados se tornou essencial para permitir aos gestores tomar decisões mais precisas e aumentar a eficiência das operações.

Alexandre Alencar, Diretor de Engenharia da Hexagon, líder global em soluções de posicionamento para o agronegócio, destaca que, embora o investimento em tecnologia represente um desafio para muitos produtores, o retorno se dá de forma rápida, como exemplificado na economia de diesel. “O uso de dados para otimizar o funcionamento das máquinas e reduzir os períodos ociosos, que são comuns em operações agrícolas tradicionais, resulta diretamente em economia de combustível e aumento da produtividade”, explica Alencar.

Tecnologias para Redução de Desperdícios e Otimização de Processos

A sincronização das atividades das máquinas, como o controle do posicionamento de tratores e colhedoras, é um exemplo de como os dados podem otimizar o uso de recursos. A Hexagon oferece sistemas que monitoram a movimentação das máquinas e notificam o momento exato de movimentação dos tratores para realizar transbordos, evitando deslocamentos desnecessários e, consequentemente, reduzindo o consumo de combustível.

Alencar explica que o uso de dados pode beneficiar a agricultura de várias maneiras, destacando quatro áreas principais de aplicação:

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1. Dados Operacionais

A gestão da operação agrícola se beneficia enormemente da coleta de dados sobre o rendimento das máquinas, o tempo de produção, o posicionamento de equipamentos e a saúde dos mesmos. “Sensores inteligentes podem detectar falhas em tempo real, permitindo manutenções preventivas antes que as máquinas quebrem, o que evita a perda de produtividade”, afirma Alencar.

2. Dados de Rendimento

O monitoramento da produtividade em tempo real permite a identificação de variações locais dentro das áreas de cultivo. Isso possibilita ações precisas, como o tratamento de áreas afetadas por pragas ou carência de nutrientes, evitando o uso indiscriminado de insumos. “A aplicação indiscriminada de defensivos agrícolas, por exemplo, é ineficiente e prejudicial ao meio ambiente, podendo resultar em contaminação de lençóis freáticos”, alerta o especialista.

3. Dados Meteorológicos

O monitoramento climático também é uma ferramenta vital. Com o uso de estações meteorológicas, é possível acompanhar variáveis como chuvas, temperatura e exposição solar, fundamentais para o planejamento de colheitas. “O clima impacta diretamente a produção de culturas como a cana-de-açúcar, onde variações de temperatura e umidade afetam a qualidade do açúcar”, explica Alencar. Além disso, a coleta de dados sobre o solo, topografia e saúde ambiental auxilia no planejamento da logística de plantio e colheita, enquanto dados sobre umidade e direção do vento são cruciais para o controle de incêndios.

4. Dados de Agricultura de Precisão

A agricultura de precisão, que utiliza sensores de posicionamento para controlar com precisão o trajeto das máquinas no campo, permite um plantio mais eficiente e a redução de danos às culturas. “Esses dados ajudam a evitar que tratores passem sobre as plantas, prevenindo danos e otimizando o uso de insumos”, destaca Alencar. Além disso, ao identificar áreas específicas que necessitam de intervenção, é possível aplicar defensivos agrícolas de forma precisa, reduzindo o desperdício e o impacto ambiental.

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Sustentabilidade e ESG no Agronegócio

O uso de dados também é fundamental para a implementação de práticas sustentáveis no agronegócio, alinhando-se aos princípios de ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa). Alencar ressalta que “produtores que não atendem aos requisitos de ESG, especialmente na Europa, estão vendo mercados importantes se fechando para seus produtos”. O rastreamento detalhado de cada etapa da produção agrícola é crucial para garantir a sustentabilidade e melhorar a competitividade no mercado global.

Por fim, a necessidade de profissionais capacitados para analisar os dados gerados por essas tecnologias é crescente. Alencar observa que a carreira de “agricultor de escritório”, ou analista de dados agrícolas, está em alta demanda, já que as empresas do setor precisam de especialistas para interpretar as informações coletadas e tomar decisões informadas. “A análise de dados é essencial para maximizar a eficiência das operações agrícolas, e a demanda por profissionais qualificados só tende a crescer”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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