AGRONEGÓCIO
Netafim Apresenta Perspectivas para Irrigação na 2ª Reunião da Canaplan
Publicado em
12 de novembro de 2024por
Da Redação
A Netafim participou da 2ª Reunião da Canaplan, um evento de destaque realizado em Ribeirão Preto, São Paulo, que congrega os principais atores da cadeia produtiva da cana-de-açúcar. Durante o encontro, o CEO da Netafim Brasil e Mercosul, Ricardo Almeida, foi convidado a compartilhar suas visões sobre o mercado de irrigação para a cultura da cana, abordando temas como produtividade, macroeconomia e o crescimento do setor no Brasil.
Na sua apresentação, Almeida destacou a trajetória da Netafim, que possui 60 anos de experiência em Israel e 30 anos de atuação no Brasil. “Na segunda reunião da Canaplan, discutiu-se bastante sobre a diminuição das chuvas e a menor disponibilidade hídrica, e nós trouxemos soluções para esses desafios climáticos,” afirmou, ressaltando a importância crescente da irrigação para a cana-de-açúcar na região Centro-Sul. “Inicialmente, nosso negócio prosperou no Nordeste devido ao clima, mas atualmente vivemos o auge da irrigação por gotejamento no Centro-Sul,” completou.
O CEO enfatizou que a adaptação às novas condições climáticas transformou o investimento em irrigação em uma estratégia essencial. “A irrigação vai muito além da produtividade. A cana é composta por 70% de água, e o clima se torna um fator determinante: temperaturas mais elevadas e períodos de seca mais frequentes demandam estratégias que garantam a resiliência da produção,” explicou. Ele também observou uma oportunidade de expansão no setor: “Nos últimos anos, a demanda por irrigação cresceu para cerca de 400 mil hectares novos por ano e pode chegar a 600 mil em até dez anos.”
Além de apresentar dados do mercado, Almeida questionou a audiência: “Quanto custa para o setor depender exclusivamente da chuva imprevisível?” Ele incentivou os produtores de cana a considerarem o investimento na tecnologia de gotejamento, destacando os benefícios dessa prática, que tem se mostrado uma aliada no aumento da longevidade e da estabilidade da cana.
Em relação à aplicação prática, Almeida desmistificou algumas dúvidas sobre a instalação e manutenção do sistema de irrigação por gotejamento: “Atualmente, a irrigação é digital e automatizada. Uma vez que o produtor experimenta o sistema, reconhece os benefícios e tende a expandir a área irrigada.”
As reuniões da Canaplan são reconhecidas por atrair um público diversificado e especializado, incluindo produtores, representantes de usinas, tradings, agentes financeiros e pesquisadores. O evento discute os desafios e as tendências do setor, abordando temas como fisiologia da cana diante das novas realidades climáticas, projeções de safra e análises macroeconômicas.
Ao encerrar sua participação, Almeida convidou o público a explorar o potencial da irrigação para a cana: “O futuro próximo da cana não está no céu, mas na terra, nas gotas de água aplicadas de maneira precisa nas raízes da planta através do gotejamento. Coloco a equipe da Netafim à disposição para ajudá-los a transformar suas operações.”
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
11 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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