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O que vai acontecer com o milho: Hedgepoint analisa importações, exportações e cenário atual

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Importações, exportações e situação atual

“Muito se tem falado sobre as atuais compras de soja na China, onde o gigante asiático tem comprado volumes acima do normal devido ao receio de uma nova guerra comercial com os EUA e poderíamos pensar que esta mesma estratégia se repetirá para outras commodities, mas vamos olhar os números reais”, diz Ignacio Espinola, analista sênior de Grãos da Hedgepoint Global Markets.

Historicamente falando, a China começou a importar volumes acima de 20 milhões de toneladas de milho em 2020 (importações de 2019 7,5 milhões de toneladas vs importações de 2020 – 29,5 milhões de toneladas) e foi nesse ano que começaram a comprar dos EUA. Dois anos depois, eles liberaram as importações do milho brasileiro que entrou na equação e tomou parte da parcela que os EUA tiveram sozinhos nos primeiros 2-3 anos.

Milho – Falando sobre números

“Se olharmos os números, a China neste ano de 2024 reduziu seu ritmo de compra em relação a 2023. Em 2023, de acordo com a alfândega chinesa, eles haviam recebido 8,7 milhões de toneladas contra os 3,3 milhões de toneladas recebidas este ano, o que representa apenas 38% do volume de 2023.

Quando olhamos mais a fundo e verificamos as origens, os números não mudaram muito em relação ao ano anterior, sendo o Brasil a principal origem com cerca de 48% e os EUA sendo a segunda com 44%. Do restante (8%), 5% correspondem à Argentina e os últimos 3% são Canadá, Rússia e Ucrânia”, indica o analista.

Um dos motivos desse baixo ritmo de importação é o balanço de Oferta & Demanda chinês, onde a produção da China para a safra 23/24 deste ano era esperada em 288,8 milhões de toneladas, um aumento de 4% em relação aos 277,2 milhões de toneladas da safra 22/23. Para 24/25 o USDA espera 292 milhões de toneladas. Esta safra 2024/25 deverá ser a quarta safra recorde consecutiva de milho.

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Quando se observa as importações da China, em 23/24 a China importou 23 milhões de toneladas, 5 milhões de toneladas a mais em relação ao ano anterior e espera-se que repita os mesmos 23 milhões de toneladas para esta safra atual.

“Por fim, a terceira variável que devemos considerar é a demanda, que vem crescendo de 299 milhões de toneladas na safra 22/23, 307 milhões de toneladas na safra 23/24 e 313 milhões de toneladas na safra 24/25”, pontua.

“Se somarmos todas estas variáveis, chegamos à conclusão de que a China tem tentado manter um nível de estoque final que permita ao país ter um nível de utilização de estoque de 68-69%. claramente esta tem sido a estratégia do governo, pelo menos nos últimos 5 anos”, pondera Ignacio.

Outra razão para esta desaceleração nas importações pode ser o fato de o país estar se concentrando mais no lado da soja do que no milho. Finalmente, as expectativas de boas colheitas no Brasil e nos EUA deverão inundar o mercado com milho disponível, empurrando os preços para baixo, o que poderá levar o governo chinês a esperar que os preços à vista baixem.

O que vai acontecer com os preços

“A chave agora é entender como os preços vão reagir às exportações de milho do Brasil e dos EUA. Do lado do Brasil, este ano o programa de exportação foi adiado devido a um programa estendido de exportação de soja, graças a compras pendentes da China. Se compararmos os números, este ano o Brasil exportou apenas 17 milhões de toneladas de milho até o final de agosto, o que é 30% menos em relação às exportações de 25 milhões de toneladas de agosto de 2023. Do lado dos EUA, o período de janeiro a agosto de 2023 teve 4,55 milhões de toneladas de milho exportadas para a China, enquanto o período de janeiro a agosto de 2024 teve 2,77 milhões de toneladas, 29% menos em relação ao ano anterior”, ressalta.

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Todos os fatores indicam que a China não conseguirá importar tanto como nos anos anteriores. Restam apenas 4 meses para terminar o ano e, se compararmos os números, também estamos muito aquém de 2023. As importações de milho para a China em setembro de 2023 foram de 4,25 milhões de toneladas, mas até agora neste ano estão em 0,27 milhões de toneladas.

A mesma tendência acontece com as exportações de milho do Brasil e dos EUA, então tudo indica que este ano os números de importação da China serão inferiores aos de 2023, mas, ao mesmo tempo, os números de exportações do Brasil e os números de exportações dos EUA também devem ser inferiores aos do ano anterior.

“Concluindo, analisamos o ritmo de importações da China e o seu efeito no Brasil e nos EUA. Esperamos que a China importe menos que no ano anterior, e isso também gerará um superávit nos balanços de oferta e demanda dos EUA e do Brasil”, destaca Ignacio.

Considerando que este ano a safra do Brasil e dos EUA será grande, parece que teremos um mercado inundado de milho, o que deverá pressionar os preços para baixo, a fim de incentivar os compradores.

“Finalmente, os fundos ainda estão vendidos em milho, embora tenham coberto a sua posição, o que pode indicar que estejam a olhar para alguns fundamentos de alta por agora, caso contrário, não estariam cobrindo as suas posições vendidas. Para finalizar, teremos mais milho físico disponível e esperamos uma safra muito boa para este ano, o que possivelmente seria um fator de baixa para os preços à vista”, aponta.

Fonte: Hedgepoint Global Markets 

Fonte: Portal do Agronegócio

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Alface perde força no atacado com excesso de oferta e demanda enfraquecida; mercado do boi gordo hoje opera com pressão moderada

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Mercado de hortifrúti sente impacto do calendário e da oferta elevada

O mercado de alface registrou enfraquecimento nas vendas ao longo da última semana no atacado paulista, especialmente na Ceagesp. De acordo com levantamentos do Hortifrúti/Cepea, o escoamento até apresentou desempenho razoável nos primeiros dias, mas perdeu ritmo gradualmente.

A desaceleração esteve diretamente ligada ao aumento expressivo da oferta. Além do maior volume de alface disponível, o entreposto recebeu uma ampla variedade de hortaliças, ampliando a concorrência entre os produtos e pressionando os preços.

Outro fator determinante foi o contexto do calendário. O encerramento do mês, tradicionalmente marcado por menor poder de compra do consumidor, somado ao feriado, reduziu ainda mais a demanda. Como resultado, os preços recuaram no atacado, refletindo um cenário típico de excesso de oferta combinado com consumo enfraquecido.

Perspectiva: cautela no curto prazo

Para esta semana, a tendência apontada por agentes de mercado é de maior cautela por parte dos atacadistas. A estratégia deve ser de controle na entrada de mercadorias, evitando novos acúmulos de estoque até que haja sinais mais claros de retomada da demanda.

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Com o início de maio, a expectativa é de uma recuperação gradual do consumo, o que pode contribuir para maior equilíbrio entre oferta e procura e, consequentemente, para estabilização dos preços.

Boi gordo hoje: mercado segue pressionado, mas com sinais de estabilidade

No mercado pecuário, o boi gordo apresenta um cenário de pressão moderada nesta terça-feira, com frigoríficos ainda operando com escalas de abate relativamente confortáveis em diversas regiões do país.

As cotações seguem oscilando de forma pontual, com tendência de estabilidade a leve baixa em praças importantes. O avanço da oferta de animais terminados, favorecido pelas boas condições de pastagem em algumas regiões e pelo ritmo de confinamento, contribui para limitar movimentos de alta.

Por outro lado, a demanda interna permanece mais contida, influenciada pelo poder de compra da população. Já no mercado externo, as exportações continuam dando sustentação parcial aos preços, com volumes consistentes embarcados.

Resumo dos movimentos de mercado
  • Alface: queda nas vendas e pressão sobre preços devido à alta oferta e demanda enfraquecida
  • Hortaliças em geral: aumento de disponibilidade intensifica concorrência no atacado
  • Boi gordo: mercado com leve pressão, mas tendência de estabilidade no curto prazo
  • Expectativa: recuperação gradual da demanda no hortifrúti e atenção ao ritmo das exportações de carne bovina
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O cenário atual reforça a importância do ajuste entre oferta e demanda em diferentes segmentos do agronegócio, com o comportamento do consumo sendo decisivo tanto para hortifrúti quanto para a pecuária.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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