AGRONEGÓCIO
Cacau: Legado Familiar e Cultural em Destaque na Amazônia
Publicado em
24 de setembro de 2024por
Da Redação
O mercado de cacau no Brasil movimenta anualmente cerca de R$ 3,5 milhões, com o Pará destacando-se como o maior produtor nacional, responsável por mais da metade desse valor, equivalente a R$ 1,8 milhão por ano. Nesse cenário, a família Maia se destaca por sua dedicação à valorização dos povos originários da floresta, por meio de um empreendedorismo de impacto. Noanny Maia, CEO da Cacauaré, explica que o negócio nasceu da necessidade de resgatar o cacau e o legado familiar na região de Mocajuba, uma cidade ribeirinha situada a 240 km de Belém.
“Estamos na quarta geração de produtores de cacau em Mocajuba e, ao buscarmos honrar o legado de nosso avô, nos deparamos com uma realidade bem diferente da que ele deixou. Os impactos socioambientais afetaram a cultura do cacau na nossa região, incluindo o desmatamento, a baixa qualidade de vida dos produtores ribeirinhos e a desvalorização do Cacau Nativo, que é considerado especial”, relata Noanny.
A Cacauaré adota um modelo de negócios que atende tanto empresas quanto consumidores individuais, visando proporcionar acesso a produtos de alta qualidade originários da Amazônia, com praticidade e a um preço justo, além de promover um resgate histórico. “Por meio de experiências imersivas relacionadas ao ritual e à cerimônia do cacau, assim como o turismo em Mocajuba, oferecemos muito mais do que produtos físicos”, complementa a empreendedora.
Valorização das Culturas Nativas
A Cacauaré resgata a tradição que vê o cacau como alimento sagrado, que nutre o corpo e conecta com energias espirituais. Em 2023, a empresa obteve uma margem de lucro 30% superior à média dos produtos florestais. “Resgatamos o uso ritualístico do cacau para valorizar o cacau nativo da Amazônia e as cadeias produtivas que podem ser impactadas por essa nova abordagem, como as pimentas nativas, que comercializamos através de indígenas da Tribo Wai Wai. Com nosso trabalho, beneficiamos mais de 30 famílias de produtores de cacau, castanha, mandioca e pimenta, e juntos produzimos mais de cinco toneladas de amêndoas de cacau, contribuindo para a preservação de mais de 500 hectares de floresta nativa produtiva. Também atingimos novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Este ano, lançaremos a Escola das Guardiãs da Sabedoria da Floresta, um projeto de infoprodutos voltado a compartilhar conhecimentos sobre as tradições da cultura amazônica, e nossa primeira turma já conta com 10 inscritas no Estudo sobre Cerimônia do Cacau”, celebra Noanny.
O legado e a tradição familiar são respaldados pela tecnologia, com a rastreabilidade dos produtos realizada por meio de blockchain, garantindo a legitimidade e a origem dos insumos.
Oportunidades no Setor de Cacau
A produção de cacau no Brasil, realizada em grande escala para atender a grandes marcas de chocolate, oferece oportunidades significativas. Segundo Victor Moreira, pesquisador da Fundação CERTI e coordenador da Jornada Amazônia, as startups do setor de alimentos e bebidas têm um grande potencial no mercado de chocolate fino, que proporciona maior valor agregado.
“O mercado de cacau está bem valorizado, o que possibilita a venda de cacau fino a preços mais altos devido às oscilações do mercado global. Além disso, a fruta pode ser utilizada na produção de outros itens, como nibs de cacau, cacau em pó e manteiga de cacau, ampliando ainda mais seu valor”, observa Janice.
A Cacauaré participou do Sinapse da Bioeconomia, um programa de pré-incubação que incentiva a criação de novos negócios, integrado à Plataforma Jornada Amazônia. Em 2023, o programa apoiou 71 novos empreendimentos, com mais 70 sendo selecionados em setembro. Os empreendedores participantes recebem treinamentos e capacitações, além de suporte para a formalização de seus negócios, uma iniciativa coordenada pela Fundação CERTI em parceria com o Instituto CERTI Amazônia e com o apoio de instituições financeiras como Bradesco, Fundo Vale, Itaú Unibanco e Santander.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Santa Catarina consolida 5º maior agronegócio do Brasil e lidera agroindustrialização nacional, aponta estudo da FACISC
Published
11 minutos agoon
5 de junho de 2026By
Da Redação
Santa Catarina reforçou sua posição entre os principais protagonistas do agronegócio brasileiro. Dados inéditos do Mapa do Agro Catarinense 2026, divulgado pela FACISC, mostram que o estado ocupa atualmente a quinta colocação entre os maiores agronegócios do país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.
O levantamento foi apresentado nesta quinta-feira (28), em Florianópolis, e aponta que o agronegócio catarinense movimenta cerca de R$ 144 bilhões, equivalente a 6% de toda a produção agropecuária nacional. O setor responde por 35% da economia estadual, reúne aproximadamente 470 mil empresas, gera 1,6 milhão de empregos e contribui com R$ 12 bilhões em arrecadação.
Segundo o presidente da FACISC, Elson Otto, o desempenho catarinense ganha ainda mais relevância diante da comparação com estados de maior extensão territorial e agrícola.
“O estado disputa espaço com gigantes do agronegócio brasileiro e se destaca pela força da agroindústria, pela produtividade e pela capacidade empreendedora do produtor rural catarinense”, afirmou.
Santa Catarina lidera agroindustrialização no Brasil
Um dos principais diferenciais apontados pelo estudo é o elevado nível de industrialização do agro catarinense. Santa Catarina possui hoje a maior participação da agroindústria entre os principais estados produtores do país.
Enquanto outras regiões concentram grande parte da força econômica na produção primária, Santa Catarina tem 40% do agronegócio diretamente ligado à indústria de transformação, agregando valor à produção rural.
De acordo com o diretor de Agronegócio e Ferrovias da FACISC, Lenoir Broch, o modelo catarinense fortalece a competitividade do setor.
“O estado construiu uma cadeia baseada em industrialização, exportação, tecnologia e geração de empregos. Isso torna o agronegócio mais diversificado e resiliente frente às oscilações do mercado”, destacou.
O estudo também revela que Santa Catarina possui a sexta maior força de trabalho do agronegócio brasileiro, com 1,6 milhão de pessoas ocupadas no setor. Na última década, o número de empregos cresceu 19%, terceiro maior avanço do país.
Quando o indicador é proporcional à população, o estado lidera o ranking nacional, com 195 trabalhadores do agro para cada mil habitantes.
Estado lidera produção nacional em 12 segmentos
O Mapa do Agro Catarinense 2026 evidencia a liderança do estado em diferentes cadeias produtivas estratégicas. Santa Catarina responde atualmente por:
- 50% da produção brasileira de maçã;
- 23% da produção nacional de carne suína;
- 86% da produção de ostras, vieiras e mexilhões;
- 44% das conservas de peixe;
- 64% do alvejamento e tingimento de fios e tecidos.
Além das cadeias tradicionais, o estado também amplia participação em segmentos de maior valor agregado, como maracujá, pêssego, ovos de codorna, alevinos, máquinas para alimentos, papel, confecção e indústria têxtil.
Exportações do agro catarinense batem recorde
O comércio exterior também aparece como um dos pilares da expansão do setor. Santa Catarina encerrou 2025 com recorde histórico de US$ 8,4 bilhões em exportações do agronegócio.
O estado ocupa a oitava posição entre os maiores exportadores do agro brasileiro e figura entre os cinco maiores exportadores nacionais quando considerada apenas a agroindústria.
Mesmo diante de desafios internacionais, como tarifas impostas pelos Estados Unidos e embargos chineses sobre proteínas animais, o agronegócio catarinense ampliou presença em mercados estratégicos da América do Sul, Oriente Médio, Europa, África e Oceania.
Santa Catarina também se destaca como um dos principais polos importadores do setor, com US$ 7,3 bilhões em compras internacionais, principalmente de fertilizantes e insumos industriais. O estado responde por cerca de 13% das importações nacionais desses produtos.
Para a economista da FACISC, Mariana Guedes, a diversidade produtiva explica parte da competitividade catarinense.
“O diferencial está na capacidade de industrialização e na variedade de cadeias produtivas presentes em todas as regiões do estado, permitindo atender mercados exigentes e diferentes ciclos econômicos simultaneamente”, avaliou.
Tecnologia fortalece competitividade no campo
O avanço tecnológico também ganha espaço no estudo. Santa Catarina possui atualmente 85 startups agtechs e ocupa a sétima posição nacional no segmento.
No recorte específico de empresas desenvolvedoras de softwares voltados ao agronegócio, o estado sobe para a quarta posição no país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.
O ecossistema de inovação está distribuído em diferentes regiões catarinenses, com destaque para Florianópolis, Chapecó, Concórdia, Lages e Joinville.
Segundo a FACISC, o crescimento das agtechs está diretamente ligado à capacidade de desenvolver soluções práticas para aumentar produtividade, eficiência e sustentabilidade no campo.
Logística e clima seguem como desafios
Apesar do desempenho recorde, o estudo alerta para gargalos estruturais que ainda limitam o crescimento do agronegócio catarinense.
Eventos climáticos extremos, custos elevados de produção e dificuldades logísticas provocaram perda de competitividade em algumas culturas, como cebola, alho, milho, tomate, uva e pêssego.
A entidade também defende maior investimento em infraestrutura, inovação logística, acessibilidade a insumos biotecnológicos e políticas de apoio ao pequeno produtor rural.
Mesmo diante desses desafios, o estudo aponta que Santa Catarina mantém potencial de crescimento acima da média nacional, sustentado pela diversidade produtiva e pela forte presença da agroindústria.
“Mesmo com limitações estruturais e climáticas, Santa Catarina segue ampliando produção, empregos e exportações. O estado ainda possui amplo espaço para crescer com investimentos em logística, infraestrutura e inovação”, concluiu Lenoir Broch.
Fonte: Portal do Agronegócio
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