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Bancos centrais asiáticos começam a reduzir juros; entenda atual cenário monetário asiático

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Os bancos centrais da Ásia estiveram no centro das atenções macroeconômicas nas últimas semanas. “A China, que já reduziu as taxas de juros este ano, continua a expandir seu estímulo monetário para impulsionar sua economia. Enquanto isso, a Índia está adotando uma abordagem mais cautelosa devido às pressões persistentes dos preços dos alimentos sobre a inflação”, diz Victor Arduin, analista de Macroeconomia e Energia da Hedgepoint Global Markets.

No entanto, o corte da taxa de juros realizado na semana passada pelo banco central das Filipinas surpreendeu muitos observadores. De acordo com Victor, embora tenha como objetivo estimular a economia doméstica, a decisão pegou alguns analistas desprevenidos. A relativa calma nos mercados, evidenciada pela estabilidade do peso filipino (PHP), pode incentivar outros bancos centrais asiáticos a seguir o exemplo. O banco central da Indonésia deve anunciar sua decisão sobre a taxa de política monetária nesta semana, com expectativas de um possível corte inaugural da taxa.

Esta análise da Hedgepoint se concentra no cenário monetário asiático e em suas implicações para o crescimento da região.

Um dos primeiros bancos centrais da Ásia a reduzir as taxas de juros

Espera-se que um possível corte na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) dos EUA em setembro influencie significativamente a economia global.

“Diretamente, isso poderia desencadear uma desvalorização gradual do dólar americano, potencialmente aumentando a demanda por commodities negociadas na moeda americana. Além disso, isso pode encorajar os bancos centrais ao redor do globo a iniciar ou acelerar suas próprias políticas de flexibilização monetária”, destaca o analista.

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“Na semana passada, em uma decisão corajosa, o Bangko Sentral ng Pilipinas (BSP) reduziu sua taxa de juros em 25 pontos-base para 6,25%. Antecipando possíveis cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve, o BSP iniciou uma flexibilização de sua política monetária. Embora alguns bancos centrais tenham adotado uma abordagem mais cautelosa de esperar de fato o corte de juros, as Filipinas adotaram uma postura proativa ao mudar para um ambiente monetário mais dovish para estimular sua economia”, aponta.

As recentes reduções nas tarifas de arroz provavelmente reforçaram a confiança das autoridades monetárias de que a inflação convergirá gradualmente para a faixa da meta de 2% a 4%. Além disso, o mercado reagiu de forma relativamente calma à decisão, com o peso filipino se valorizando em quase 3% desde o início do mês.

Em 21 de agosto, a Indonésia decide sua taxa de juros

Recentemente, o país aprovou um orçamento de 3,6 quatrilhões de rupias (US$ 230 bilhões) para o próximo ano. Em conjunto com uma política monetária menos restritiva, isso poderia estimular a economia do país em 2025. O Índice Composto da Bolsa de Valores de Jacarta já obteve ganhos nesse ambiente mais dovish, pairando perto de seu recorde histórico.

Após o recente corte nos custos de empréstimos pelo Bangko Sentral ng Pilipinas (BSP), o banco central da Indonésia, o Bank Indonesia (BI), tomará sua decisão sobre a taxa de juros nesta semana.

“Apesar das preocupações do quadro fiscal e da possível pressão sobre a rupia, há uma especulação crescente de que a autoridade monetária pode optar por uma redução dos juros para estimular o crescimento econômico”, observa.

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“Caso o Banco da Indonésia confirme essa medida, podemos observar um ambiente econômico cada vez mais propício à expansão da demanda na Ásia, o que, por sua vez, deverá intensificar a consumo por commodities. Essa tendência pode ser atribuída, em parte, à adoção de políticas monetárias mais expansionistas por bancos centrais da região, além da possibilidade de uma depreciação mais acentuada do dólar americano, que tornaria as commodities denominadas em dólar mais atrativas para detentores de outras moedas”, conclui.

Em resumo, o mercado está precificando cada vez mais um corte nas taxas do Fed em setembro. Com a queda dos rendimentos do Tesouro dos EUA, mais bancos centrais encontrarão espaço para reduzir suas taxas de juros sem causar pressões inflacionárias ou depreciação significativa nas suas moedas.

O exemplo mais recente foi o do banco central das Filipinas, que, apesar de algumas preocupações com a inflação, decidiu cortar as taxas na semana passada. Nesse contexto, um movimento semelhante pode ocorrer esta semana com a Indonésia, que também tem altas taxas de juros.

Um ambiente monetário menos restritivo na Ásia poderia estimular o crescimento econômico, aumentando assim a demanda por produtos como petróleo, grãos, açúcar, café e outros. Combinado com uma depreciação gradual do dólar, isso poderia criar uma perspectiva mais altista para os preços das commodities.

Fonte: Hedgepoint Global Markets 

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil se prepara para plantar quase 50 milhões de hectares de soja na safra 2026/2027

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O Brasil começa a preparar o plantio da safra de soja 2026/27 depois de colher a maior produção de sua história e com uma área cultivada próxima de 50 milhões de hectares. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ainda não divulgou sua primeira estimativa oficial para a nova temporada, mas a dimensão alcançada pela cultura mostra o tamanho do desafio que estará no campo a partir de setembro: manter a produtividade e a rentabilidade em um ciclo marcado por margens mais apertadas e maior cautela dos produtores.

As primeiras projeções privadas convergem para uma área entre 49 milhões e 49,5 milhões de hectares. A AgRural estima 49,006 milhões de hectares, crescimento de 0,9% sobre a temporada anterior. A StoneX trabalha com 49,5 milhões de hectares, alta de 0,76%, enquanto a Hedgepoint Global Markets projeta 49,2 milhões.

Apesar das diferenças entre os levantamentos, todos apontam para o mesmo cenário: a soja continuará avançando sobre novas áreas, mas em ritmo bem mais lento.

Pela estimativa da AgRural, serão acrescentados aproximadamente 443 mil hectares. Seria o 20º ano consecutivo de expansão da soja no Brasil, porém com o menor crescimento anual de área das últimas duas décadas.

A desaceleração representa uma mudança importante para uma cultura que avançou rapidamente pelo território brasileiro nos últimos anos. Desta vez, a decisão de plantar mais está esbarrando principalmente na rentabilidade esperada para a próxima temporada.

Preços menos favoráveis, fertilizantes e outros insumos ainda caros, maior endividamento e dificuldade de acesso ao crédito levam parte dos produtores a evitar expansões mais agressivas. Em algumas regiões, a estratégia pode passar pela manutenção da área e por ajustes no pacote tecnológico utilizado nas lavouras.

Mesmo assim, as primeiras projeções continuam apontando para uma produção próxima ou superior ao recorde atual.

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A StoneX estima 183,1 milhões de toneladas de soja em 2026/27, com produtividade média próxima de 3,7 toneladas por hectare. Se confirmada, seria uma nova máxima para a produção brasileira.

A Hedgepoint trabalha com um cenário mais conservador. A consultoria projeta 181,7 milhões de toneladas, praticamente estáveis em relação às 181,5 milhões estimadas para a temporada anterior. A produtividade média cairia de 3,72 para 3,69 toneladas por hectare.

A diferença entre as projeções mostra que o tamanho da próxima safra dependerá muito mais do rendimento das lavouras do que de uma grande expansão territorial.

Mato Grosso deve plantar mais de 13 milhões de hectares

No maior Estado produtor, a expansão também perdeu velocidade. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que Mato Grosso plante 13,05 milhões de hectares de soja na safra 2026/27.

A produtividade está projetada em 62,44 sacas por hectare e a produção, em 48,88 milhões de toneladas.

Sozinho, Mato Grosso deverá concentrar mais de um quarto de toda a área brasileira destinada à oleaginosa. O Estado também será um dos primeiros a colocar as máquinas no campo depois do fim do vazio sanitário.

A partir de 7 de setembro, a semeadura estará legalmente autorizada em Mato Grosso. O início efetivo dos trabalhos, entretanto, dependerá da chegada e da regularidade das chuvas. Entrar cedo demais com as plantadeiras sem umidade suficiente no solo aumenta o risco de falhas na germinação e necessidade de replantio.

O clima será, portanto, uma das principais variáveis da temporada. As estimativas iniciais trabalham com condições que permitam produtividades próximas dos níveis elevados registrados nas últimas safras, mas eventuais irregularidades nas chuvas podem alterar rapidamente esse cenário.

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O comportamento do clima também interfere na janela da segunda safra. Quanto mais cedo a soja for semeada e colhida dentro de condições adequadas, maior tende a ser a janela disponível posteriormente para o milho e o algodão.

Abertura nacional será em 17 de setembro

O início da nova temporada será marcado pela Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27, programada para 17 de setembro, na Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte (440 km da capital Cuiabá), em Mato Grosso.

O encontro reunirá produtores, pesquisadores e representantes da cadeia produtiva e terá como tema central a verticalização da soja na produção de alimentos e energia.

A escolha do tema acompanha uma mudança importante na demanda pela oleaginosa. Além das exportações do grão e da utilização do farelo na alimentação animal, o óleo de soja ganha importância com a expansão dos biocombustíveis.

O crescimento do processamento também ocorre no mercado internacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta aumento do esmagamento mundial de soja na temporada 2026/27, sustentado pela maior demanda por farelo e óleo.

Para o produtor brasileiro, entretanto, a primeira decisão está mais próxima: definir quanto investir na lavoura que começará a ser implantada nas próximas semanas.

A área deverá novamente bater recorde, mas a expansão de menos de 1% prevista por algumas consultorias mostra uma safra diferente das anteriores. Depois de duas décadas avançando rapidamente, a soja entra em 2026/27 com o produtor mais preocupado em preservar margem e produtividade do que simplesmente colocar novos hectares em produção.

Serviço

Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27
Data: 17 de setembro
Horário: 8h, horário de Mato Grosso
Local: Fazenda Horizontina, Ipiranga do Norte (MT)

Fonte: Pensar Agro

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