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Antônio Geraldo: Quem tem medo do psiquiatra?

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Antônio Geraldo: Quem tem medo do psiquiatra?
Dr. Antônio Geraldo da Silva

Antônio Geraldo: Quem tem medo do psiquiatra?

Como psiquiatra, sei que a nossa área já enfrentou muitos preconceitos. A Psiquiatria costumava ser o patinho feio das especialidades médicas e não era nem considerada da área de medicina por alguns. Havia uma percepção equivocada de que os médicos que tratavam de doenças mentais eram “loucos” e que seriam só para os “loucos” ou que só lidavam com casos graves, mas isso só servia para perpetuar o estigma e promover desinformação. Na verdade, o papel do psiquiatra vai muito além de tratar doenças mentais e prescrever medicamentos. Nosso trabalho é promover a qualidade de vida e o bem-estar dos pacientes, prevenir doenças, promover a saúde e oferecer um cuidado holístico.

Para se ter uma ideia, o psiquiatra dedica seis anos de tempo integral à faculdade de Medicina e mais três anos de residência, com no mínimo 60 horas semanais de estudo e prática. Ele pode obter especialização em uma área de atuação, como Psiquiatria Forense, da Infância e Adolescência, Psicogeriatria, Psicoterapia e Medicina do Sono, desde que acrescentado mais 1 ano de formação nas mesmas condições.

Além da formação necessária, para atuar como psiquiatra é imprescindível obter, junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM), um Registro de Especialista em Psiquiatria (RQE). O RQE também pode ser obtido através da Prova de Título de Especialista AMB/ABP, que certifica os conhecimentos técnicos e científicos para a prática profissional.

Por isso, o conhecimento em psiquiatria não pode ser adquirido por meio de cursos breves ou treinamentos superficiais. A complexidade dos transtornos mentais e a necessidade de uma abordagem adequada demandam uma instrução sólida e de qualidade. Durante a nossa formação, temos contato com casos clínicos complexos e de altíssima variedade e aprendemos com outros profissionais mais experientes em um ambiente de aprendizado que é a prática profissional na vida real.

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O nosso papel é ouvir as questões trazidas pelo paciente e fazer o diagnóstico diferencial com outras doenças médicas em geral e psiquiátricas. Há casos em que os sintomas relatados pelo paciente podem estar relacionados a uma condição médica e não necessariamente tem relação com um quadro psiquiátrico. O psiquiatra é capaz de fazer essa distinção, do que é uma doença e o que é um transtorno mental. Confirmado o diagnóstico, propomos um tratamento adequado e de forma personalizada para atender às
necessidades específicas do paciente.

A avaliação médica psiquiátrica é abrangente e pode incluir perguntas sobre histórico médico, histórico social, genética, vida pessoal, hábitos diários e o que levou a pessoa a buscar ajuda, entre outras. Dependendo do diagnóstico, o tratamento pode incluir psicoterapia, mudança de hábitos de vida, prática de exercícios, atividades de lazer, e se necessário, tratamento medicamentoso, ou uma combinação de ambos.

No dia a dia lidamos com uma série de doenças com os transtornos do humor, transtornos de ansiedade, depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, autismo, transtorno do pânico, transtorno de personalidade borderline, transtorno obsessivo-compulsivo, transtornos alimentares, transtornos dos impulsos, vícios em jogos, etc.

Desmistificar a psiquiatria, as doenças mentais e os tratamentos associados é fundamental para promover a compreensão e reduzir o estigma. Assim como um diabético precisa de cuidados específicos para sua condição, aqueles com transtornos mentais precisam de tratamento especializado para seu bem-estar e normalização da sua saúde. A informação correta e o acesso a profissionais capacitados são essenciais para garantir que mais pessoas possam buscar e receber o tratamento necessário, levando a uma vida mais saudável e equilibrada.

A falta de compreensão pode afastar aqueles que realmente precisam de tratamento, agravando o problema. Isso pode impactar negativamente a busca por ajuda por parte dos pacientes. Um transtorno mental não tratado pode levar a consequências graves como o suicídio. Apesar de termos hoje mais informações sobre saúde mental, os índices de suicídio continuam aumentando.

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Investir em saúde mental, melhorar o atendimento e permitir que todas as pessoas, sem nenhuma exceção, tenham fácil acesso a tratamento e acompanhamento médico, é uma forma de melhorar a qualidade de vida de indivíduos que têm doenças mentais e por consequência contribuir para uma sociedade mais empática. O nosso trabalho como médicos psiquiatras é muito importante para criar um ambiente onde todos se sintam apoiados e encorajados a buscar a ajuda de que precisam e assim tenham uma vida plena e satisfatória.

Antônio Geraldo da Silva é médico formado pela Faculdade de Medicina na Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES. É psiquiatra pelo convênio HSVP/SES – HUB/UnB. É doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto – Portugal e possui Pós-Doutorado em Medicina Molecular pela Faculdade de Medicina da UFMG.

Entre 2018 e 2020, foi Presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina – APAL. Atualmente é Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Diretor Clínico do IPAGE – Instituto de Psiquiatria Antônio Geraldo e Presidente do IGV – Instituto Gestão e Vida. Associate Editor for Public Affairs do Brazilian Journal of Psychiatry – BJP. Editor sênior da revista Debates em Psiquiatria. Review Editor da Frontiers. Acadêmico da Academia de Medicina de Brasília. Acadêmico Correspondente da Academia de Medicina de Minas Gerais.

Coordenador Nacional da Campanha “Setembro Amarelo®”, da Campanha ABP/CFM Contra o Bullying e o Cyberbullying e da Campanha de Combate à Psicofobia.

É autor de dezenas de livros e artigos científicos em revistas internacionais e também palestrante nacional e internacional.

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Fonte: Nacional

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Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

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O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

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Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

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O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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