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WASDE: Confira as principais tendências para Soja, Milho e Trigo; Análise Hedgepoint

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Soja: USDA confirma pequena correção nos Estoques Finais dos EUA

Neste mês, o USDA trouxe algumas atualizações interessantes em relação aos números dos EUA. A Hedgepoint Global Markets analisa os resultados em relatório.

“O USDA elevou o número da safra 24/25 dos EUA de soja para um recorde de 124.9 M mt, superando as expectativas dos analistas e a previsão do mês passado. A mesma situação aconteceu com os Estoques Finais, que é projetado em 12.5 Mt/ ha, bem superior aos 12.6 Mt/ ha esperados e ao número do mês anterior. Finalmente, o rendimento por acre chegou a 1.44 Mt/ha, 0.03 Mt/ha acima do relatório anterior”, diz Ignacio Espinola, analista de Grãos da Hedgepoint.

Agosto é o mês mais importante para o desenvolvimento da safra de soja, e os traders monitorarão de perto o clima no Centro-Oeste dos EUA, que até agora se espera que seja amplamente benéfico.

“Do lado sul-americano, não há tantas coisas que valham a pena ser mencionadas. Em relação à safra 23/24, o número da Argentina foi reduzido mais uma vez em 0,5 M mt, deixando um número final em 49 M mt, o que concordamos, e o número de produção do Brasil permaneceu inalterado, em 153 M mt”, pontua.

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Milho: produção de milho dos EUA está em linha com as expectativas do mercado

Do lado dos EUA, houve um aumento na produtividade do milho para 183,1 bu/acre (4,65 Mt/ha) seguido de uma redução na área plantada que não afetou muito os estoques finais e o número total de produção.

“Ainda assim, uma produção de 384.7 M mt representa a terceira maior safra de milho da história dos Estados Unidos”, destaca o analista.

“Na América do Sul, e como dito no nosso relatório Pré-WASDE, esperávamos algum ajuste na produção argentina. O relatório reduziu a leitura da Argentina em 2 M mt, deixando uma produção total em 50 M mt, ainda achamos que há espaço para redução até 46,5 M mt que, em nossa opinião, é o número mais realista”, afirma.

Parece que o USDA está demorando algum tempo e ajustará o número final lentamente nos próximos relatórios, já que tem cortado entre 2-1 M mt a cada mês.

“Do lado do Brasil, o relatório veio inalterado. Lembremos que o número da CONAB estava mais próximo de 116 M mt e o nosso número permanece em 119 M mt para a produção 23/24 de milho do Brasil”, aponta Ignacio.

E conclui: “Resumindo, devemos ver um mercado neutro a ligeiramente altista, considerando os ajustes observados neste relatório. Os fundos ainda estão em baixa e parece que o mercado tem muita atuação no lado do milho”.

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Trigo: sem atualizações da Europa, tom ainda é baixista trazendo oportunidade para a demanda

Como esperado, o USDA não trouxe muitas novidades para o trigo. Do lado dos EUA, há uma redução nos estoques finais de 0.8 M Mt deixando um número final em 22.5 M Mt. Do lado da produção, também houve um ajuste deixando a safra dos EUA em 53.9 M mt versus 54.7 M mt.

“A preocupação com a produção europeia e especialmente com a francesa (potencialmente, a pior colheita em 41 anos) é o que o mercado está monitorando. Além disso, as boas notícias sobre o último leilão GASC, em que o governo egípcio lançou o seu maior leilão da história para 3,8 M mt em posições diferidas (outubro de 2024 a abril de 2025) podem trazer algumas ideias sobre a curva futura dos preços”, acredita.

Para concluir, este foi um relatório neutro a ligeiramente otimista para o trigo, enquanto aguardamos a confirmação das estimativas de colheita da Europa.

Fonte: Hedgepoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil

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As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.

Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.

Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural

O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.

Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.

De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.

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Agro sente impacto de forma gradual

Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.

O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.

A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.

Inflação dos alimentos pode ganhar força

O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.

Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.

Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.

Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.

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Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada

Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.

As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.

Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.

Agronegócio acompanha cenário com atenção

Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.

Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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