AGRONEGÓCIO
Biocombustíveis, a energia sustentável do Brasil
Publicado em
25 de junho de 2024por
Da RedaçãoEm 2022, as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) foram de 53,8 Gt (bit.ly/3IawMdj). O consumo de energia fóssil é, de longe, a maior fonte de emissões de gases de efeito estufa causadas por seres humanos, responsável por 73% (bit.ly/4bLpRF4) das emissões mundiais.
Globalmente, o consumo de combustíveis fósseis representa 82% das fontes de energia utilizadas. Em 2021, fontes renováveis, como solar, eólica, biomassa, biogás e hidrogênio verde alcançaram 7,5% de participação de mercado, com as hidroelétricas representando 10,5% (bit.ly/49NZPiL).
Os outros principais emissores de GEE, em escala global (bit.ly/3uLpw4y), são a agropecuária (12%); uso da terra, mudança no uso da terra e silvicultura (6,5%); processos industriais de produtos químicos, cimento e outros (5,6%); e resíduos, incluindo aterros e águas residuais (3,2%).
Brasil
Em 2021, as emissões líquidas do Brasil foram de 1,31 GtCO2 eq, sendo o Brasil responsável por 2,44% das emissões globais, com 6,9 t CO2 eq per capita. Os principais segmentos emissores são a agropecuária (0,62 Gt), a energia (0,41 Gt) e as mudanças no uso da terra 1,12 Gt (bit.ly/3IawMdj).
O Brasil tem amplas possibilidades de reduzir suas emissões. Os números referentes às emissões das mudanças no uso da terra decorrem do intenso processo de desmatamento e queimadas na Amazônia em anos recentes, tendo atingido um pico em 2021.
Esse desmatamento foi decorrência de crimes ambientais, cujos responsáveis são madeireiros, garimpeiros e grileiros, agindo à margem da lei. O governo brasileiro está implementando medidas para coibir a ação dos mesmos, no curto prazo, o que deve diminuir em muito as emissões por mudança de uso da terra.
Em outros setores também estão sendo implementadas políticas públicas ou ações privadas para reduzir as emissões. No caso da agropecuária, estão sendo desenvolvidos sistemas produtivos que buscam mitigar ou neutralizar as emissões, como o Carne Carbono Neutro (bit.ly/3SRCupd) e Soja Baixo Carbono (bit.ly/3UXIQ9c). A integração entre abelhas e agricultura também significa uma grande oportunidade de redução de emissões, pelos ganhos de produtividade e menor uso de insumos.
Especificamente no setor de energia, o Brasil tem excelentes condições de expansão da geração eólica e fotovoltaica, que tem experimentado um crescimento invulgar nos últimos anos, além das perspectivas do hidrogênio verde.
Vamos analisar especificamente os avanços previstos nas políticas públicas do setor de biocombustíveis, que é o mais expressivo e consolidado segmento de energia renovável no Brasil.
Biodiesel
Em dezembro de 2023, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a antecipação do mandato de 14% da mistura de biodiesel ao diesel (B14) para março de 2024. A medida estava anteriormente prevista para 2025. Também havia previsão de implantação do B15 para 2026, a qual foi antecipada para 2025 (bit.ly/3OW7LGx).
Essas decisões circunscrevem-se no marco da política maior de transição energética do Governo Federal. A prioridade dessa política é de tal ordem, que a reunião do CNPE contou com a presença do presidente e do vice-presidente da República, além do Ministro das Minas e Energia.
Estima-se que sua implementação evitará a emissão de 5Gt de CO2 na atmosfera. Adicionalmente, haverá redução de importação de 2,4 GL de diesel fóssil, com valor estimado de R$ 7,2 bilhões.
Em contrapartida, haverá necessidade de maior oferta de biodiesel para substituir o diesel de petróleo. Os estudos indicam a geração imediata de 14 mil empregos, associada ao aumento da demanda de 6 Mt de soja até 2025.
Na mesma reunião, o CNPE suspendeu a importação de biodiesel, revertendo decisão do governo anterior, constituindo um grupo de trabalho que para elaborar uma Análise de Impacto Regulatório (AIR) de avaliação dos impactos da importação de biodiesel e do Selo Biocombustível Social (bit.ly/48o2nml). A intenção da medida é garantir o suprimento com biocombustíveis produzidos no país.
Bioetanol
Seguindo a mesma diretriz da decisão sobre a substituição de diesel fóssil por biodiesel, o CNPE criou um grupo de trabalho com a missão de apresentar relatório conclusivo para a elevação do percentual de etanol na gasolina de 27,5% para 30% (E30), considerando todos os aspectos técnicos envolvidos (bit.ly/3UTpSRc).
Com a implantação do E30, será possível aumentar o índice de octanagem da gasolina C para 94, atingindo o status de gasolina de alta octanagem (índice RON = 95), conforme prevê o Programa Combustível do Futuro (bit.ly/3Ic4SO6), que preconiza a adoção de motores mais eficientes, com maior eficiência energética e menor impacto ambiental.
Nos estudos de impacto, verificou-se que a implementação do E30 poderia gerar 51,6 mil empregos diretos e indiretos, associados a uma estimativa de R$ 10 bilhões em investimentos em usinas de produção de etanol. Também será necessário expandir a produtividade e a área de cana-de-açúcar.
O setor estima uma redução anual de emissões de 2,04 Mt de CO2 eq, que permitirão a emissão de 1,47 milhões de créditos de descarbonização (CBIOs). Adicionalmente, haveria uma redução da importação de gasolina e petróleo de 1,4 GL, com valor de mercado de R$ 3,7 bilhões.
Apesar de já dispor de uma matriz energética composta por quase 50% de energia renovável, com pico de 92,6% de participação na geração elétrica, o Brasil busca reduzir cada vez mais a sua dependência de energia fóssil, contribuindo para a redução da emissões de gases de efeito estufa.
Lembrando que são essas emissões as responsáveis pelo aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos, que tem causado destruições e mortes nas áreas urbanas e rurais, aumentando os custos e limitando a produção agrícola.
Por Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa e membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica
Fonte: CCAS
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Câmbio favorece exportação e melhora competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional
Published
11 minutos agoon
19 de junho de 2026By
Da Redação
A valorização do dólar frente ao real tem contribuído para melhorar a paridade de exportação do arroz brasileiro, aumentando a competitividade do produto no mercado internacional. Apesar disso, o mercado doméstico ainda opera com baixa liquidez e preços pressionados, em um cenário de negociações pontuais e seletivas.
Segundo análise da Safras & Mercado, o ambiente interno segue marcado por compradores atuando apenas para reposição imediata de estoques, enquanto vendedores mantêm postura cautelosa diante da volatilidade do mercado.
Liquidez reduzida limita recuperação mais forte dos preços
De acordo com o consultor Evandro Oliveira, o mercado doméstico de arroz continua apresentando baixa fluidez nas negociações, com pouca disposição dos agentes para volumes maiores.
No entanto, ele destaca que a menor necessidade de liquidação imediata de estoques por parte dos produtores reduziu a pressão vendedora, diminuindo a ocorrência de negócios em níveis mais depreciados, observados em meses anteriores.
Ao mesmo tempo, há sinais de leve aquecimento na demanda industrial, o que sugere um ambiente comercial um pouco mais ativo em comparação ao período entre abril e maio.
Câmbio volta a favorecer exportações do arroz
O comportamento do câmbio passou a ser um fator de sustentação para o setor. Após operar próximo de R$ 5,00, o dólar voltou a se valorizar e chegou a flertar com a faixa de R$ 5,20, melhorando a competitividade do arroz brasileiro no mercado externo.
Esse movimento contribui diretamente para a paridade de exportação, ampliando o interesse de compradores internacionais e ajudando a equilibrar o cenário interno de preços.
Fundamentos globais indicam ajuste de oferta
No cenário internacional, os fundamentos do mercado de arroz seguem em processo de ajuste. O relatório mais recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontou redução nas estimativas de área plantada, produção e estoques globais.
Apesar disso, o consumo mundial permanece em níveis historicamente elevados, enquanto o comércio internacional se mantém próximo de recordes, o que sustenta o equilíbrio entre oferta e demanda no médio prazo.
Nos Estados Unidos, os cortes foram ainda mais significativos, com redução da área cultivada, da produção e dos estoques finais. Há ainda expectativas de novas revisões para baixo na área destinada ao arroz longo fino, o que pode restringir a oferta exportável norte-americana.
Preços do arroz seguem em queda no Rio Grande do Sul
No mercado físico brasileiro, a média da saca de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira cotada a R$ 58,63, queda de 0,27% em relação à semana anterior.
Na comparação mensal, o recuo foi de 2,01%, enquanto no acumulado anual a desvalorização já chega a 10,55%, refletindo a pressão persistente sobre os preços internos.
Setor aguarda reação mais consistente do mercado
Apesar da melhora na paridade de exportação e dos sinais de ajuste na oferta global, o mercado de arroz ainda opera sem uma recuperação consistente nas cotações internas. A expectativa dos agentes é de que o câmbio e a dinâmica internacional possam contribuir para maior equilíbrio nas próximas semanas.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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