AGRONEGÓCIO

Boletim Cepea de Junho Destaca Alta no Preço do Leite e Estabilidade nos Custos

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O Boletim do Leite do Cepea de junho está disponível em nosso site! Nesta edição, apresentamos uma análise detalhada sobre o mercado lácteo.

Preço ao Produtor Continua em Alta

O preço do leite captado em abril subiu pelo sexto mês consecutivo, atingindo R$ 2,4576/litro na “Média Brasil” do Cepea, um aumento de 5,1% em relação a março, ajustado pelo IPCA de abril. No acumulado do ano, o valor do leite ao produtor registra um avanço real de 18,7%. As pesquisas em andamento do Cepea indicam que essa tendência de alta deve continuar em maio, com um aumento projetado em torno de 10% na “Média Brasil”.

Derivados Lácteos em Valorização

Uma pesquisa realizada pelo Cepea em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) mostra que os preços dos derivados lácteos comercializados no estado de São Paulo aumentaram em maio. O leite UHT registrou uma alta de 5,14% em relação ao mês anterior, com a média alcançando R$ 4,46/litro. O queijo muçarela e o leite em pó (400g) também se valorizaram, com aumentos de 5,87% e 4,51%, respectivamente, atingindo R$ 30,62/kg e R$ 27,37/kg. No entanto, comparando com o ano anterior, as variações são negativas: -8,13% para o leite UHT, -7,24% para o queijo muçarela e -5,78% para o leite em pó, ajustados pelo IPCA de maio/24.

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Queda nas Importações de Lácteos

Em maio, as importações brasileiras de lácteos diminuíram 23,58% em relação a abril e 28,33% em comparação com o mesmo período do ano passado. As exportações também caíram, com uma redução de 22,87% no comparativo mensal e 40,7% no anual. Como resultado, o déficit da balança comercial (em volume) recuou 23,6% de abril para maio, totalizando aproximadamente 145 milhões de litros em equivalente leite, gerando um saldo negativo de US$ 65,8 milhões em maio.

Estabilidade nos Custos Aumenta Margens dos Produtores

Com a estabilidade nos custos de produção da pecuária leiteira e a valorização de 4,84% do leite em maio, a margem bruta dos produtores registrou um aumento de 24% no período. A margem bruta saiu de R$ 0,49/litro em abril para R$ 0,61/litro em maio, considerando-se a “Média Brasil”. Esses cálculos foram realizados pelo Cepea em parceria com a CNA, com base em propriedades típicas amostradas no projeto Campo Futuro.

Confira o Boletim do Leite

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27

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Isan Rezende

“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.

Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.

O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.

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Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.

Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.

O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.

Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.

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Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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