AGRONEGÓCIO
Pesquisa Desenvolve Técnica para Cultivo de Tomate-Cereja em Substrato de Casca de Coco
Publicado em
20 de junho de 2024por
Da RedaçãoA Embrapa Agroindústria Tropical (CE) desenvolveu uma tecnologia que permite o cultivo de tomate-cereja utilizando substrato de casca de coco. Esse método inovador, realizado em vasos ou sacos com o substrato, é aplicado em estufas e telados, onde as plantas recebem soluções nutritivas para atender às suas necessidades hídricas e nutricionais. Entre 2020 e 2022, experimentos na Serra da Ibiapaba (CE) demonstraram que essa técnica pode aumentar a produtividade da cultura em 33% comparado ao método tradicional, além de ser uma alternativa econômica e sustentável.
Com a implementação das técnicas da Embrapa, os produtores locais alcançaram uma produtividade de 80 toneladas de tomate-cereja por hectare, 33% superior às 60 toneladas por hectare obtidas em campo aberto. O pesquisador Fábio Miranda acredita que o cultivo protegido em substrato pode resultar em produtividades ainda maiores do que as observadas nos testes na Serra da Ibiapaba.
Benefícios da Tecnologia
Miranda destaca vários benefícios da nova tecnologia: maior controle da irrigação e nutrição, maior eficiência no uso de água e fertilizantes, redução no uso de defensivos agrícolas (herbicidas, nematicidas, fungicidas e inseticidas), produção de frutos mais uniformes e de maior qualidade comercial, além de menores custos com mão de obra devido à diminuição de práticas culturais como capinas e pulverizações.
O substrato de fibra de coco é especialmente recomendado para o cultivo protegido de tomateiro no Nordeste, devido à sua abundância e viabilidade econômica na região. Além disso, a fibra de coco possui excelentes características físico-químicas, como estabilidade física, baixo peso, alta porosidade, boa aeração, elevada capacidade de retenção de água e pH neutro. “O uso da fibra de coco também agrega valor à cadeia produtiva do coco, aproveitando um resíduo da produção desse fruto”, ressalta Miranda.
Expansão do Cultivo em Substrato
O cultivo em substrato vem ganhando espaço em países da Europa, como Holanda, Espanha e Itália, além de Estados Unidos, México, China, Norte da África e Brasil. Esse método é amplamente utilizado para hortaliças-fruto, como tomate, pimentão, pepino, melão e morango, além de flores de corte e plantas ornamentais.
Experiências Locais e Menor Incidência de Pragas
Os primeiros experimentos para a produção de tomate em cultivo protegido e sem solo foram realizados em Guaraciaba do Norte e São Benedito, no Ceará. Julião Soares, produtor de tomate em Guaraciaba do Norte, trocou o cultivo tradicional pelo plantio de uma variedade especial conhecida como grape. Buscando maior produtividade, Soares adotou o cultivo protegido com apoio da Embrapa. “Antes, plantávamos em campo aberto com baixa produtividade. Percebemos que era possível plantar em um espaço mais compacto e obter maior produtividade, e a aposta deu certo”, relata Soares.
João Victor Soares, estudante de agronomia na Universidade Federal do Ceará (UFC) e filho de Julião, auxilia na administração do cultivo protegido, focando no monitoramento de pragas e doenças. “O cultivo protegido reduz a incidência de pragas devido ao ambiente controlado, facilitando o manejo integrado de pragas”, destaca João Victor.
Estudos e Publicações
A Embrapa Agroindústria Tropical publicou diversos estudos técnicos sobre o cultivo protegido de tomate-cereja em substrato. As publicações “Produção de Tomate em Substrato de Fibra de Coco” (Circular Técnica 33) e “Cultivo Protegido de Tomate-Cereja em Substrato na Região da Ibiapaba, Ceará” (Circular Técnica 51) detalham todas as etapas do processo, desde a instalação dos pomares até os tratos culturais necessários.
A Tomaticultura na Serra da Ibiapaba
Em 2022, o Ceará produziu 170.059 toneladas de tomate, gerando uma receita de R$ 598,2 milhões, conforme dados do IBGE. A Serra da Ibiapaba é o principal polo da tomaticultura cearense, com Guaraciaba do Norte liderando a produção, seguida por Tianguá e São Benedito. A produtividade média do tomate no Ceará em 2022 foi de 60,9 toneladas por hectare, principalmente do tipo salada, cultivado no solo e sob telado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Mercado de arroz segue travado no Brasil, mas fundamentos globais apontam cenário mais favorável para os preços
Published
18 minutos agoon
12 de junho de 2026By
Da Redação
O mercado brasileiro de arroz continua operando em ritmo lento, com baixa liquidez e poucas referências de preços, refletindo a cautela de produtores e compradores diante de um cenário ainda marcado pelo excesso de oferta e pela necessidade de ampliar as exportações. Apesar das dificuldades no mercado interno, indicadores internacionais começam a sinalizar fundamentos mais positivos para o setor no médio prazo.
Segundo análise de Safras & Mercado, o ambiente segue sem fatores capazes de provocar mudanças significativas na dinâmica entre oferta e demanda, mantendo os agentes à espera de sinais mais consistentes para a tomada de decisões comerciais.
“O sentimento predominante continua sendo de espera, tanto por parte dos vendedores quanto dos compradores”, destaca o analista e consultor Evandro Oliveira.
Escoamento dos excedentes continua sendo principal desafio
Após a conclusão da colheita, o setor arrozeiro concentra atenções na necessidade de reduzir os estoques acumulados. O volume disponível no mercado doméstico permanece elevado, aumentando a dependência do comércio exterior para equilibrar a oferta.
Embora as exportações sigam ocorrendo, o ritmo dos embarques ainda está abaixo do necessário para promover uma redução significativa da disponibilidade física do cereal.
Na avaliação dos especialistas, o desempenho das vendas externas será determinante para a recuperação dos preços e para o equilíbrio do mercado nos próximos meses.
Dólar mais fraco reduz competitividade do arroz brasileiro
Outro fator que tem limitado o avanço do setor é o comportamento do câmbio. Após um período de valorização, o dólar perdeu força nas últimas semanas e voltou a operar próximo da faixa de R$ 5,00.
A movimentação reduz a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional, uma vez que diminui a atratividade das exportações e enfraquece a paridade de exportação.
Em um momento em que o setor depende fortemente da ampliação dos embarques para absorver os excedentes da safra, o recuo da moeda norte-americana representa um desafio adicional para a cadeia produtiva.
Relatório do USDA fortalece perspectiva altista para o mercado global
Enquanto o mercado doméstico enfrenta dificuldades, o cenário internacional apresenta sinais mais construtivos para os próximos meses.
O relatório de junho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe revisões importantes para o balanço global do arroz, indicando um aperto gradual na oferta mundial.
Entre os principais destaques estão:
- Redução de 3,53 milhões de toneladas na produção global de arroz beneficiado;
- Corte de 1,51 milhão de hectares na área cultivada mundial;
- Diminuição dos estoques finais globais;
- Manutenção do consumo mundial em níveis recordes.
Os números reforçam a percepção de que o mercado internacional poderá operar com menor folga entre oferta e demanda durante a temporada 2025/26.
Embora os estoques globais ainda sejam considerados confortáveis, a redução observada em relação aos últimos ciclos fortalece a expectativa de um ambiente mais favorável para a sustentação dos preços internacionais.
Preços continuam pressionados no Rio Grande do Sul
Mesmo diante dos sinais positivos no mercado externo, os preços do arroz seguem pressionados no principal estado produtor do país.
A média da saca de 50 quilos de arroz em casca no Rio Grande do Sul, com padrão de 58% a 62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou a última quinta-feira cotada a R$ 58,79.
O valor representa:
- Queda de 0,37% em relação à semana anterior;
- Recuo de 3,54% na comparação mensal;
- Desvalorização de 13,03% frente ao mesmo período de 2025.
Os números refletem a dificuldade do mercado em absorver a oferta disponível e a necessidade de uma aceleração das exportações para que ocorra uma recuperação mais consistente das cotações.
Perspectiva para o setor
A expectativa dos agentes do mercado é de que a combinação entre redução da oferta mundial, estoques globais menores e consumo crescente possa criar um ambiente mais favorável para o arroz nos próximos meses.
Entretanto, a recuperação dos preços no Brasil continuará diretamente ligada ao desempenho das exportações, ao comportamento do câmbio e à capacidade de escoamento dos excedentes da safra.
Enquanto esses fatores não apresentarem mudanças mais significativas, o mercado deverá permanecer operando com baixa liquidez, negociações pontuais e forte atenção aos movimentos do cenário internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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