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Governo não desiste da compra de arroz e promete reestruturação do edital, afirma Ministro da Agricultura

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O Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, compareceu à audiência pública realizada pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (19) para discutir a continuidade da compra de arroz pelo governo federal. Apesar das críticas e da proposta de reavaliação do leilão, Fávaro assegurou que o governo não abandonará a iniciativa e planeja reestruturar o edital.

Posições e Críticas Parlamentares

O deputado Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), destacou que o questionamento não se trata de política partidária, mas sim da necessidade de avaliar a eficácia e a urgência da medida. Ele argumentou contra a utilização de recursos fora do teto para a compra emergencial de arroz, citando dados de estoque e produção.

Afonso Hamm (PP-RS) enfatizou a necessidade de um plano emergencial de reconstrução para o Rio Grande do Sul, criticando o investimento de R$ 7 bilhões em importação de arroz. Para ele, é fundamental direcionar recursos para a recuperação das áreas afetadas no estado.

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Marcel van Hattem criticou veementemente a persistência do governo no leilão, considerando-o inadequado diante das necessidades prioritárias da população gaúcha afetada por enchentes recentes. Ele destacou a falta de sensibilidade do governo em relação às prioridades reais do estado.

Rodolfo Nogueira (PL-MS) classificou o leilão como um equívoco, ressaltando que o setor agropecuário enfrenta uma crise histórica. Ele lamentou a falta de diálogo do governo com os produtores e questionou a eficácia das medidas adotadas.

Defesa e Explicações do Ministro

Carlos Fávaro defendeu o leilão como uma medida para controlar os preços do arroz diante da situação de calamidade no Rio Grande do Sul. Ele argumentou que, mesmo com estoques disponíveis, a tragédia poderia afetar os preços de forma significativa, justificando a ação do governo e da Conab.

O ministro confirmou que o governo não desistirá do leilão e que o edital passará por ajustes para melhorar a participação das empresas brasileiras e a eficiência do abastecimento.

CPI do Arroz

Giovani Cherini (PL-RS), membro da FPA, defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os leilões de arroz, chamando a compra de “desnecessária e obscura”. Ele expressou preocupação com a falta de segurança jurídica para o setor agropecuário e a necessidade de transparência nas ações do governo.

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Tenente Coronel Zucco endossou a proposta da CPI e contestou as justificativas do ministro Fávaro, alegando que o governo foi responsável pela especulação sobre a importação de arroz. Ele criticou a gestão do processo e sugeriu consequências políticas caso a investigação avance.

O debate na Câmara dos Deputados reflete preocupações e críticas sobre a compra de arroz pelo governo federal, destacando a necessidade de transparência e eficácia nas medidas adotadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Acordo Mercosul-UE entra em vigor e abre mercado para agro brasileiro, com desafios distintos para café e frutas

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Após mais de duas décadas de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia inicia uma nova fase com a entrada em vigor do chamado Acordo Interino de Comércio, marcando a abertura gradual do mercado europeu para produtos do agronegócio brasileiro. A partir de 1º de maio, o foco recai sobre o Pilar Comercial, permitindo a redução imediata de tarifas sem a necessidade de aprovação pelos parlamentos dos 27 países do bloco europeu.

O movimento representa uma janela relevante de oportunidades para o Brasil, mas com impactos distintos entre setores. Enquanto o café solúvel avança de forma mais gradual e sob forte pressão regulatória, o segmento de frutas tende a capturar benefícios mais rapidamente, embora ainda enfrente desafios logísticos e sanitários.

Acesso ampliado, mas condicionado à sustentabilidade

A abertura tarifária não garante, por si só, o aumento das exportações. Especialistas destacam que o acesso ao mercado europeu dependerá do cumprimento de exigências ambientais rigorosas, especialmente ligadas ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Nesse cenário, produtores brasileiros precisarão comprovar, de forma estruturada, a rastreabilidade e a sustentabilidade de suas cadeias produtivas. A adaptação a essas regras deve ser um dos principais desafios no curto prazo, sobretudo para o setor cafeeiro.

Café solúvel: recuperação gradual e exigências mais rígidas

No caso do café solúvel, o acordo prevê redução tarifária progressiva ao longo de quatro anos. Já na fase inicial, há uma diminuição de 1,8 ponto percentual sobre a tarifa atual, hoje em 9%.

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O setor avalia que o novo cenário pode ajudar o Brasil a recuperar participação no mercado europeu, perdida nas últimas décadas. Atualmente, a União Europeia responde por cerca de 20% a 22% das exportações brasileiras de café solúvel, com volume próximo de 16 mil toneladas ao ano.

Mesmo em caráter provisório, o acordo já começa a gerar efeitos positivos. Empresas exportadoras iniciaram negociações com compradores europeus, que passaram a demandar informações detalhadas sobre o novo ambiente tarifário e as condições de fornecimento.

A expectativa é de crescimento gradual das exportações, acompanhando a redução das tarifas e o avanço na adequação às exigências ambientais.

Frutas: ganho mais imediato e expansão de mercado

Para o setor de frutas, o impacto tende a ser mais direto, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, passam a ter tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo. Outras frutas seguirão cronogramas de redução tarifária que podem se estender por quatro, sete ou até dez anos.

A avaliação do setor é de que o cenário é positivo, com potencial de aumento da competitividade e ampliação da presença brasileira no mercado europeu.

Exportadores já iniciaram processos de adaptação, com ajustes na documentação e nos padrões exigidos pelos compradores internacionais. A tendência é de avanço mais rápido em relação ao café, especialmente pela menor pressão regulatória ambiental direta sobre algumas cadeias produtivas.

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Desafios estruturais e competitividade

Apesar da abertura comercial, especialistas apontam que o principal obstáculo não está na produção, mas na capacidade de organização e adequação às exigências do mercado europeu.

A necessidade de consolidar sistemas de rastreabilidade, comprovação de origem e conformidade ambiental exige investimentos e coordenação entre produtores, cooperativas e exportadores.

Cenário político e limites do acordo

Outro ponto relevante é que o acordo mais amplo entre Mercosul e União Europeia ainda não foi totalmente ratificado, especialmente no que se refere às cláusulas ambientais. No entanto, a entrada em vigor do pilar comercial reduz a capacidade de países críticos ao acordo de interferirem no curto prazo.

Na prática, isso significa que a redução de tarifas já passa a valer, mesmo sem consenso total dentro do bloco europeu.

Perspectivas para o agro brasileiro

A implementação do acordo inaugura uma nova fase para o comércio entre Brasil e União Europeia, com potencial de ampliar exportações e diversificar mercados. No entanto, o sucesso dessa abertura dependerá diretamente da capacidade do agronegócio brasileiro de atender às exigências regulatórias e fortalecer sua competitividade internacional.

A janela está aberta, mas o avanço efetivo dependerá da adaptação do setor às novas regras do comércio global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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