AGRONEGÓCIO
Ritmo de Comercialização da Safra de Café no Brasil Desacelera e Atinge 22%
Publicado em
17 de junho de 2024por
Da RedaçãoA comercialização da safra 2024/25 de café no Brasil desacelerou nas últimas semanas. De acordo com um levantamento da Safras & Mercado, até o dia 11 de junho, apenas 22% da safra havia sido vendida, um percentual inferior ao mesmo período do ano passado, quando 26% já tinha sido comercializado, e abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 32%.
O consultor da Safras & Mercado, Gil Barabach, destaca que, apesar dos preços elevados no início da safra, o fluxo de negócios segue lento e os produtores estão cautelosos. “A alta nas bolsas de Nova York para o arábica e em Londres para o robusta, junto com a valorização do dólar, que chegou a R$ 5,40, levou o preço do conilon a níveis históricos no Brasil”, avalia. O arábica de melhor qualidade também está sendo negociado acima de R$ 1.300 por saca, um preço comparável ao período da geada de 2021. “No entanto, isso não tem sido suficiente para estimular a venda por parte dos produtores”, observa Barabach.
Ele explica que os produtores estão bem capitalizados devido às vendas do café remanescente da safra de 2023 nos primeiros meses do ano, especialmente em abril, quando aproveitaram a alta nos preços. Isso ajudou a esvaziar estoques e garantir recursos para cobrir despesas de colheita, além de sustentar o intenso fluxo de embarques observado nos últimos meses no Brasil. “Os produtores anteciparam posições em relação à safra 2024, o que diminuiu a exposição à chegada da nova safra. Agora, eles gerenciam a comercialização com mais tranquilidade, acompanhando os ganhos recentes sem pressa, monitorando a temporada fria e preparando com calma o café recém-colhido”, explica o consultor.
As vendas de café arábica representam 23% da produção, abaixo dos 28% do mesmo período do ano anterior e aquém da média de cinco anos, que é de 34%. As vendas de café conilon avançaram 5 pontos percentuais, alcançando 20% da produção, comparados aos 24% do ano passado, mas ainda bem abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 29%.
Colheita
A colheita está avançando bem, com os produtores aproveitando o clima seco e a maturação antecipada do arábica. Segundo o acompanhamento semanal da Safras & Mercado, até o dia 11 de junho, 37% da safra 2024/25 já havia sido colhida, superando o mesmo período do ano passado (33%) e a média dos últimos cinco anos (34%).
A colheita do conilon também está em ritmo acelerado, com 51% dos trabalhos concluídos. “Após um início mais lento, a colheita acelerou, especialmente em Rondônia. No entanto, as chuvas isoladas atrapalharam um pouco no Espírito Santo”, aponta Barabach. Mesmo assim, os trabalhos estão acima do mesmo período do ano passado (49%) e em linha com a média dos últimos cinco anos. Relatos indicam café miúdo e perdas de 10% a 15% da safra, com alguns produtores reportando até 30% abaixo do esperado, sugerindo uma revisão negativa na estimativa de safra.
A colheita de arábica está bastante avançada, com 30% dos trabalhos concluídos, superando tanto o mesmo período do ano passado quanto a média de cinco anos, ambos em 25%. “Apesar de problemas com peneiras mais miúdas, isso não tem impactado a renda, pois a densidade dos grãos está maior. Portanto, espera-se uma produção de arábica maior este ano. Os produtores estão mantendo bons procedimentos de secagem, beneficiamento e descanso do café, o que contribui para a qualidade final. Começa a aparecer mais café nas cooperativas e praças de negociação”, conclui Barabach.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil
Published
11 horas agoon
6 de outubro de 2026By
Da Redação
Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.
Fonte: Pensar Agro
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