AGRONEGÓCIO
Brasil não sabe a importância de sua agricultura
Publicado em
13 de junho de 2024por
Da Redação“O Brasil é o pais que mais contribui para a alimentação do planeta. Estamos dobrando a produção em tempo cada vez menor e devemos atingir 600 milhões de toneladas até 2035, tudo isso com a maior reserva ambiental do mundo financiada e sustentada pelo produtor brasileiro que não recebe nenhum centavo e arca com o maior custo da preservação. Quem mais preserva o meio ambiente e a diversidade não é o governo e muito menos as ONGs, mas os produtores rurais.”
As manifestações são do economista Antônio da Luz durante o Seminário Estadual de Líderes Rurais promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), na última semana em Florianópolis. O evento reuniu quase uma centena de dirigentes dos Sindicatos Rurais do estado e foi coordenado pelo presidente da Faesc José Zeferino Pedrozo.
Antonio da Luz é economista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mestre em Economia (UFRGS) e doutor em Economia do Desenvolvimento pela PUC-RS. Atualmente chefia o Departamento de Economia da Farsul, em Porto Alegre (RS). Ele focalizou o agronegócio brasileiro sob a perspectiva da economia, da preservação ambiental e do impacto social. Mostrou que há 50 anos, a população mundial estava assim dividida: a cada 100 pessoal, 67 viviam no campo produzindo alimentos para si e para outros 33 consumidores urbanos. Em 2010, pela primeira vez na história da humanidade, a população urbana tornou-se maior que a rural, no mundo. No período de 2010 a 2050 a população mundial crescerá 33%, passando de 6,9 bilhões (2010) para 9,1 bilhões de habitantes (em 2050). Para cada 70 habitantes das cidades haverá apenas 30 produzindo alimentos no meio rural, em 2050.
“Essa situação representa uma oportunidade e uma responsabilidade para o agro”, assinalou o economista, mostrando que “além de uma população maior teremos uma população mais rica, portanto, consumindo mais.”
O professor chama a atenção que até 2030 4 em casa 5 seres humanos estarão vivendo em países importadores líquidos de alimentos. Mais pessoas com maior renda para melhor se alimentar, concentradas nas cidades e vivendo em países importadores representam um mercado inesgotável para os grandes produtores de alimentos do mundo, como o Brasil.
PRESENÇA MUNDIAL
“Nosso país tem um papel muito maior do que ele mesmo pensa, porque o mundo não pode viver sem o Brasil”, destacou. O Brasil é o maior exportador líquido de alimentos do Planeta: entre o que importa e o que exporta de alimentos, a balança é positiva em 169,9 milhões de toneladas/ano. O segundo maior exportador é Estados Unidos com 131,5 milhões de toneladas e se distanciando cada vez mais. Em terceiro vem a Argentina com 87,6 milhões de toneladas. Depois seguem Ucrânia, Canadá, Rússia, Índia, França, Austrália e Nova Zelândia.
A dependência global das exportações brasileiras é cada vez maior, apontou o economista. De soja é de 53%, de carne de frango 42%, de café 26%, de milho 27%, de carne suína 12%, de farelo de soja 27%, de óleo de soja 15% e de carne bovina 26%.
“Temos impactado positivamente o mundo, reduzindo o percentual de desnutrição pelo efeito da oferta de alimentos e pelo impacto dos preços, porque o preço dos alimentos cai a medida que a produção aumenta”, explicou Da Luz.
O Brasil tem a maior evolução da área plantada do mundo e a produção brasileira de grãos está dobrando de tamanho em tempo cada vez menor. Levou 28 anos para atingir 100 milhões de toneladas, mais 14 anos para atingir 200 milhões e apenas outros oito anos para chegar a 300 milhões. Projeções indicam que o Brasil ultrapassará as 600 milhões de toneladas/ano em 2035.
“A sociedade brasileira não tem noção da dimensão e da importância da sua agricultura”, que movimenta uma cadeia de R$ 535,3 bilhões, incluindo a indústria de fertilizantes (R$ 210,2 bilhões), transportes (R$ 2,7 bilhões), indústria química e farmacêutica (R$ 123 bilhões), serviços especializados (R$ 15,3 bilhões), instituições financeiras (R$ 41,2 bilhões), seguradoras (R$ 24,2 bilhões), sementeiras (R$ 51,6 bilhões), indústria extrativa mineral (R$ 10,8 bilhões), indústria metalmecânica (R$ 24,4 bilhões), energia elétrica (R$ 2,8 bilhões), indústria petroquímica (R$ 25,6 bilhões) e indústria da construção civil (R$ 4,8 bilhões).
EXPRESSÃO
A expressão do agronegócio e da agroindústria fica evidente com a constatação de que entre o Top 10 das indústrias brasileiras, o setor de abate e processamento da carne é o maior, com 7,2% do valor bruto da produção industrial total do País. Da mesma forma, o comércio de matérias-primas agrícolas e animais vivos é o maior setor entre o Top 10 do Comércio, com 17,8% do total. O PIB do agronegócio brasileiro atingiu a marca R$ 2,4 trilhões ou 24,3 % do PIB, distribuído entre insumos (6%), agricultura (29%), indústria (23%) e serviços (43%).
O economista realçou que “qualquer discussão sobre meio ambiente e preservação ambiental sem levar em conta a segurança alimentar da população é conversa fiada”. Para comprovar que o agro preserva, mostrou que as áreas dedicadas à preservação da vegetação nativa nos imóveis rurais cadastrados no CAR (cadastro ambiental rural) equivalem a dez países da Europa. Mas, se consideradas também as unidades de conservação, as terras indígenas e as áreas militares e as área não cadastradas – a superfície resultante equivale a 43 países e mais cinco territórios.
ASSEMBLÉIA
Após a palestra foi realizada a assembleia geral ordinária da Faesc na qual foram apresentados, discutidos e aprovados o relatório anual de atividades do exercício 2023, prestação de contas e o Balanço Patrimonial do Exercício de 2023.
Fonte: MB Comunicação Empresarial/Organizacional
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
Published
6 dias agoon
8 de outubro de 2026By
Da Redação
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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