BRASIL
Brasil é condenado por Operação Castelinho, que deixou 12 mortos em SP
Publicado em
14 de março de 2024por
Da Redação
Nesta quinta-feira (14), a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por violação de direitos humanos e de garantias judiciais no caso da Operação Castelinho. A ação foi feita em março de 2002 pela Polícia Militar, deixando 12 mortos na rodovia Senador José Ermírio de Moraes — Castelinho (SP-075) —, localizada entre Itu e Sorocaba, no interior paulista.
Com a condenação, o Brasil deverá cumprir uma série de medidas para a reparação das mortes e para que novos episódios de letalidade não aconteçam. O Estado deverá:
- reabrir os processos e investigações sobre o caso, ainda que estejam prescritos;
- criar um grupo de trabalho para prevenir novas ações do tipo;
- cobrir o tratamento psicológico e médico de oito familiares das vítimas letais;
- realizar um ato público para reconhecer a responsabilidade sobre os atos;
- garantir que os registros de operações policiais que resultem em morte (gravações e dados geográfico) sejam enviados aos órgãos internos e externos da polícia;
- criar normas para que agentes sejam afastados caso estejam envolvidos em ações que resultem na morte de civis.
O Brasil será obrigado a pagar uma indenização por danos materiais, no valor de US$ 20 mil para cada um dos oito parentes da vítimas fatais. Além disso, a Corte fixou um valor de US$ 80 mil para cada uma das 12 vítimas.
A Operação Castelinho foi considerada como uma das mais letais promovidas pela PM de São Paulo, ficando atrás apenas do massacre no Carandiru, que resultou na morte de 111 pessoas na Casa de Detenção da capital em 1993, além das recentes operações Escudo e Verão, que ocorreram na Baixada Santistas e somou mais de 70 mortes.
A Corte tomou conhecimento do caso após uma ação da Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPE-SP), em que a defensora Surrailly Youssef, uma das coordenadoras do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos do órgão, dizia que a sentença do caso era de extrema importância para o excesso praticado pela PM fosse reconhecido.
Operação Castelinho
No dia 5 de março de 2002, 100 policiais militares montaram uma operação em uma praça de pedágio, abordando um ônibus e dois carros na Rodovia José Ermírio de Morais. Ao todo, os policiais fizeram 700 disparos, deixando 12 mortos no ônibus. A PM afirmou que as vítimas eram integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), e que o veículo tinha como destino o aeroporto de Sorocaba para fazer um roubo. Segundo os agentes, eles teriam reagido à abordagem. A ação foi elogiada pelo então governado de São Paulo, Geraldo Alckmin, que afirmou que a “PM agiu corretamente”.
Entretanto, uma investigação do Ministério Público mostrou que a operação teria sido forjada pelo Grupo de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância (Gradi), visando executar 12 pessoas. O motivo seria que um ano antes, o estado teria passado a recrutar presos em penitenciárias para atuar como infiltrados em facções criminosas, na mesma época em que havia rebeliões coordenadas em presídios em todo o estado. Os infiltrados então teriam dito às 12 vítimas que chegariam ao Aeroporto de Sorocaba um avião com R$ 28 milhões em dinheiro. Ao chegarem na rodovia próxima ao aeroporto, foram cercados e atingidos pelos policiais.
O MP denunciou 53 policiais. Entretanto, todos foram absolvidos pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
As vítimas são: José Airton Honorato, Aleksandro de Oliveira Araujo, José Cicero Pereira dos Santos, José Maia Menezes, Djalma Fernandes Andrade de Souza, Fabio Fernandes Andrade de Souza, Gerson Machado da Silva, Jeferson Leandro Andrade, Laercio Antonio Luis, Luciano da Silva Barbosa, Sandro Rogerio da Silva e Silvio Bernardino do Carmo.
Fonte: Nacional
BRASIL
Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia
Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado
Published
4 semanas agoon
15 de maio de 2026By
Da Redação
O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.
O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.
A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.
Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.
O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.
Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.
Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.
“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.
Entenda o caso
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.
Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.
A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.
Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.
Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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