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Dólar registra alta frente ao Real após relatório de emprego dos EUA surpreender positivamente

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Nesta sexta-feira, o dólar apresentou uma valorização significativa frente ao real, após a divulgação de um robusto relatório de emprego dos Estados Unidos, que mostrou uma criação de vagas acima das expectativas em maio. Esse cenário diminuiu as apostas dos investidores sobre um possível ciclo de corte de juros pelo Federal Reserve.

Às 9h53, o dólar à vista subia 0,83%, sendo cotado a 5,2928 reais na venda. Na B3, o contrato futuro do dólar com vencimento mais próximo subia 0,45%, a 5,294 reais na venda.

“O relatório foi uma grande surpresa. Com a chegada do verão nos EUA, as contratações aumentam, mas esse crescimento não era esperado”, afirmou Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.

Segundo o Departamento de Trabalho dos EUA, foram criadas 272.000 vagas fora do setor agrícola em maio, superando amplamente a expectativa de 185.000 vagas prevista por economistas consultados pela Reuters, cujas estimativas variavam de 120.000 a 258.000.

Um mercado de trabalho aquecido tem sido um dos principais argumentos das autoridades do Fed para manter cautela em relação ao controle da inflação e adiar um possível ciclo de afrouxamento monetário. Dados recentes sugeriam um arrefecimento do mercado de trabalho, alimentando expectativas de cortes de juros, mas o relatório desta sexta-feira mudou essas apostas, reforçando a perspectiva de juros mais altos por um período prolongado nos EUA.

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“O Fed está focado na inflação e deve deixar claro que esse será o foco para futuros cortes de juros”, acrescentou Moutinho, mencionando ainda a possibilidade de um corte antes das eleições nos EUA, previstas para o início de novembro.

Após a divulgação dos dados, as chances de o Fed reduzir os juros em sua reunião de setembro caíram para 52%, ante 69% antes do relatório. Juros mais altos nos EUA tornam os investimentos em dólares mais atraentes, fortalecendo a moeda americana.

Externamente, o índice do dólar, que mede a performance da moeda frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,54%, atingindo 104,670. Antes da divulgação do relatório, a moeda americana estava estável. O dólar australiano, frequentemente usado como indicador de apetite por risco, caía 0,89%.

Enquanto isso, o Banco Central Europeu cortou suas taxas de juros em 0,25 ponto percentual na quinta-feira, a primeira redução na zona do euro desde 2019, em meio a esforços para desacelerar a inflação após juros recordes.

No Brasil, investidores estão atentos aos comentários de membros do Banco Central, incluindo palestras do presidente Roberto Campos Neto, do diretor de Política Monetária Gabriel Galípolo e do diretor de Assuntos Internacionais Paulo Picchetti. Na quinta-feira, Campos Neto e Galípolo expressaram preocupações com as expectativas de inflação para o final deste ano e para os próximos anos, conforme evidenciado na pesquisa Focus.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Empresas do agro têm até 31 de agosto para declarar “projetos do bem”

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Empresas do agronegócio que utilizaram incentivos fiscais da Lei do Bem em 2025 têm até 31 de agosto para enviar ao governo as informações sobre seus projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. A prestação deve ser feita pelo Formulário de Pesquisa e Desenvolvimento, o FormP&D, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O prazo não representa uma nova rodada de inscrições. Trata-se da obrigação de informar os investimentos e benefícios já utilizados no ano-base de 2025. A empresa deve apresentar os projetos desenvolvidos, as dificuldades tecnológicas enfrentadas, os resultados alcançados e os gastos vinculados a cada atividade.

Instituída pela Lei nº 11.196, de 2005, a Lei do Bem permite que empresas tributadas pelo Lucro Real reduzam as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Para utilizar o incentivo, a companhia também precisa ter apurado lucro fiscal e manter regularidade tributária.

A exclusão adicional corresponde, em regra, a 60% dos gastos elegíveis com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação. O percentual pode subir para 70% ou 80%, conforme o aumento do número de pesquisadores contratados. Há ainda uma exclusão adicional de até 20% para projetos que resultem em patente concedida ou cultivar registrado.

Isso não significa que 60% do imposto devido será abatido. Se uma empresa registrar R$ 1 milhão em despesas elegíveis, por exemplo, poderá excluir outros R$ 600 mil da base tributável. Considerando uma alíquota combinada de IRPJ e CSLL de 34%, a economia tributária nominal poderia chegar a aproximadamente R$ 204 mil, desde que exista lucro suficiente para aproveitar integralmente o benefício.

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O agronegócio reúne atividades com potencial para enquadramento porque grande parte das tecnologias precisa passar por experimentação antes da adoção comercial. Projetos com fertilizantes, bioinsumos, genética vegetal e animal, máquinas, sensores, automação, inteligência artificial, agricultura de precisão, rastreabilidade e processamento de alimentos podem ser considerados.

Ensaios de laboratório, testes de campo, construção de protótipos, plantas-piloto e desenvolvimento de novas formulações também podem integrar um projeto. O elemento central, entretanto, é a existência de incerteza tecnológica. A empresa precisa demonstrar que buscou resolver um problema técnico cujo resultado não era conhecido no início do trabalho.

A simples compra de uma máquina moderna, a instalação de um programa disponível no mercado ou a atualização rotineira de um produto não caracteriza automaticamente pesquisa e desenvolvimento. Melhorias administrativas, mudanças estéticas e adaptações sem desafio tecnológico também não costumam ser aceitas.

No campo, a comprovação pode exigir atenção adicional. Um projeto pode envolver testes realizados em diferentes propriedades, safras, solos e condições climáticas. Por isso, a empresa deve manter relatórios técnicos, contratos, notas fiscais, registros de ensaios, horas dedicadas pelos pesquisadores e critérios usados para vincular cada despesa ao projeto.

A legislação exige controle analítico dos custos. Gastos com pessoal técnico, materiais utilizados nos experimentos, testes e determinados serviços contratados no Brasil podem ser considerados, desde que atendam às regras. Recursos públicos recebidos na forma não reembolsável não podem integrar a mesma base do incentivo.

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O benefício é de utilização automática, sem aprovação prévia do MCTI. Isso não elimina a fiscalização posterior. O ministério analisa as informações técnicas, enquanto a Receita Federal pode verificar a apuração tributária e os documentos que sustentam os valores declarados.

Caso um projeto seja considerado uma melhoria comum, ou as despesas não estejam suficientemente comprovadas, a empresa poderá perder o incentivo e ser obrigada a recolher a diferença de impostos, acrescida de juros e penalidades.

A reforma tributária sobre o consumo não extingue a Lei do Bem. O novo sistema altera tributos incidentes sobre bens e serviços, enquanto o incentivo à inovação atua sobre IRPJ e CSLL. Para agroindústrias, fabricantes de máquinas, empresas de insumos, cooperativas e outras companhias do setor tributadas pelo Lucro Real, o mecanismo permanece como uma alternativa para reduzir o custo de projetos tecnológicos.

Em 2023, último resultado consolidado destacado pelo MCTI, 3.878 empresas utilizaram a Lei do Bem e declararam quase R$ 42 bilhões em investimentos. Para as companhias do agro que aproveitaram o incentivo em 2025, a prioridade agora é revisar os projetos e concluir o FormP&D até 31 de agosto.

SERVIÇO

Prazo: até 31 de agosto de 2026
Onde declarar: FormP&D do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Como acessar: o primeiro acesso deve ser feito pelo representante legal da empresa, mediante identificação na plataforma Gov.br. Depois da validação cadastral, outros usuários podem ser autorizados a preencher o formulário.
Quem deve declarar: empresas que utilizaram os incentivos da Lei do Bem no ano-base de 2025.

Fonte: Pensar Agro

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