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Artigo: “Quando o mau humor se torna um transtorno”

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Artigo: “Quando o mau humor se torna um transtorno”
Dr. Antônio Geraldo da Silva

Artigo: “Quando o mau humor se torna um transtorno”

Você deve conhecer uma pessoa que está sempre mal humorada, tem uma visão extremamente negativa da vida e é um “grande chato”. Pode não ser apenas uma característica da personalidade dessa pessoa. Pode ser sinal de um transtorno mais grave. O transtorno depressivo persistente, também conhecido como distimia, é um subtipo dos transtornos do humor. A pessoa que tem esta síndrome apresenta está frequentemente irritada. E não de forma normal.

A distimia ou mau humor é um sentimento comum a qualquer indivíduo e pode ser desencadeado por situações estressantes, frustrações, fome, sono, cansaço, entre outras situações. Pode ser passageiro e não tem impacto significativo na vida diária da pessoa. Em geral, a distimia começa na infância e na adolescência e pode durar anos ou até a vida inteira. Enquanto o mau humor comum é uma resposta normal a estímulos temporários como situações estressantes ou fatores fisiológicos, a distimia transcende a esses aspectos e o indivíduo.

Aqueles que sofrem do transtorno depressivo persistente são frequentemente rotulados como indivíduos mal-humorados e apresentam dificuldades nos relacionamentos interpessoais. Segundo a OMS a distimia afeta cerca de 6% da população mundial.

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No entanto, é importante discernir quando o mau humor assume uma dimensão patológica, afetando não apenas o bem-estar psicológico, mas também a saúde física e os vínculos sociais. A persistência do mau humor, acompanhada por sinais como alterações no sono, falta de apetite, pensamentos negativos recorrentes e desinteresse por atividades anteriormente prazerosas, pode indicar a presença do transtorno depressivo persistente.

Compreender que a distimia vai além da superfície do mau humor. O Transtorno Depressivo Persistente é distinto da depressão comum que conhecemos, pois, a duração dos sintomas é percebida por um maior período de tempo, ela geralmente persiste por pelo menos dois anos em adultos e um ano em adolescentes.

É comum que as pessoas demorem a procurar ajuda ou acreditem que não precisam investigar e tratar o mau humor crônico, pois acham que são assim mesmo, que aquela é a personalidade da pessoa, mas quando esses sentimentos começam a trazer prejuízo para a vida da pessoa, é necessário buscar um médico psiquiatra para investigar e oferecer um tratamento adequado.

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A busca por ajuda profissional torna-se imprescindível quando o mau humor se torna uma presença constante, minando a qualidade de vida, o ambiente familiar e a vida profissional. Para tratar o transtorno depressivo persistente, o médico psiquiatra pode recomendar psicoterapia, e se necessário, tratamento medicamentoso com antidepressivos dependendo de cada caso, das perdas envolvidas na vida da pessoa e o que se pretende de melhor para cada um de nós. É importante termos a mente aberta para saber diferenciar e não permitir que o preconceito nos atrapalhe a ter os melhores resultados.

*Dr. Antônio Geraldo da Silva é médico psiquiatra, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria e Diretor Clínico do IPAGE – Instituto de Psiquiatria Antônio Geraldo. É Coordenador Nacional da Campanha “Setembro Amarelo”, da Campanha ABP/CFM Contra o Bullying e o Cyberbullying e da Campanha de Combate à Psicofobia.

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Fonte: Nacional

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Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

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O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

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Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

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O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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