AGRONEGÓCIO
O Fed subirá os juros em 2024? Confira análise da Hedgpoint
Publicado em
10 de maio de 2024por
Da RedaçãoO otimismo inicial do mercado em relação a cortes na taxa de juros dos EUA no final de 2023 cedeu lugar a uma perspectiva mais cautelosa. Os indicadores econômicos, embora indiquem melhora na inflação, sugerem que a convergência para a meta de 2% será mais gradual do que o previsto anteriormente. A Hedgepoint Global Markets aborda o tema em relatório desta semana.
“Esse cenário apresenta desafios para os mercados de commodities. A valorização do dólar, impulsionada pelos juros nos Estados Unidos, torna os ativos negociados na moeda americana mais caros. Não só há expectativa de que o custo dos empréstimos permaneça elevados por mais tempo, mas como também especulações de um novo aumento nos juros atualmente no intervalo de 5,25%-5,50%”, explica Victor Arduin, analista de Macroeonomia e Energia da Hedgepoint.
“O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) segue ressaltando que a condução da política monetária está condicionada à convergência dos indicadores econômicos para níveis mais favoráveis. Nesse sentido, vamos discutir nesse relatório alguns dos principais indicadores econômicos do país e sua influência para manutenção dos juros no país”, diz.
Mercado de trabalho ameniza pressões inflacionárias
“Por enquanto, dados da semana passada sobre o mercado de trabalho nos EUA trouxeram algum alívio sobre necessidade de novos aumentos de juros em 2024. A criação de vagas de trabalho não-agrícolas ficou em 175 mil contra projeção do mercado de 243 mil. Já a taxa de desemprego teve um leve aumento para 3,9% (+0,1%). Ainda, os ganhos salariais reduziram seu ritmo de expansão de 4,1% para 3,9%”, destaca.
Por outro lado, apesar da desaceleração, o desempenho econômico no país permanece resiliente, principalmente com os números das vendas no varejo que apresentaram um crescimento robusto em março (+0,7%).
“Esse resultado, combinado com revisões altistas para o PIB americano, traz algumas preocupações e contribui para as dificuldades do Fed em conter a inflação e alcançar sua meta de 2%”, acredita.
Considerando que uma parcela significativa do PIB é composta pelos gastos das famílias, os quais estão diretamente relacionados ao poder de compra dos salários (ganhos reais), torna-se claro que ainda há um cenário de pressão inflacionária que dificultará a superação da “última milha” no combate à inflação nos próximos meses.
Ainda não há condições para um corte na taxa de juros
“A persistência da alta inflação nos Estados Unidos, medida tanto pelo índice CPI quanto pelo PCE, reforça o cenário de aversão ao risco entre os investidores, impulsionando os rendimentos dos títulos do Tesouro Americano e elevando o risco de uma recessão, embora esse risco ainda seja considerado baixo”, pondera.
A inflação vem superando as expectativas ao longo de 2024, o que diminui significativamente as chances de um corte na taxa de juros. No final de 2023, o mercado discutia a possibilidade de cortes nos juros no primeiro semestre de 2024. Agora, com a persistência da alta inflação, as especulações giram na possibilidade de um novo aumento.
No entanto, o impacto dos juros atuais na desaceleração da economia ficará mais claro à medida que novos dados forem disponibilizados, como os últimos números do mercado de trabalho.
“É improvável que o Fed intensifique ainda mais a política de juros restritivos, correndo o risco de levar o país à recessão. De acordo com o cenário de “pouso suave” (“soft landing”) projetado pelo banco central americano, há espaço para dois cortes de 25 pontos-base na taxa de juros a partir de setembro até o final deste ano”, conclui.
Saber quando os juros começarão a cair é um indicador importante para o mercado de commodities, pois pode sinalizar uma reversão da valorização do dólar, impactando a demanda e a valorização dos ativos.
Nas últimas semanas vimos uma série de dados acima do esperado em relação à inflação nos Estados Unidos, resultando uma elevação da aversão ao risco e especulações sobre aumento de juros.
A persistência da inflação acima do esperado não invalida a efetividade da política monetária restritiva no combate à inflação. Observa-se uma melhora gradual nos últimos meses, a qual tende a se fortalecer no futuro, à medida que novos dados forem disponibilizados.
No atual cenário, esperamos que o tão aguardado corte de juros nos EUA ocorra a partir de setembro, terminando o ano com a redução de dois cortes de 25 pontos base.
Fonte: Hedgepoint Global Markets
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Dólar recua com avanço nas negociações entre EUA e Irã e inflação americana abaixo do esperado
Published
2 horas agoon
15 de abril de 2026By
Da Redação
Dólar cai com redução das tensões geopolíticas
O dólar registrou queda nos mercados internacionais, pressionado pelo aumento do otimismo em relação a um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.
Segundo o analista Rich Asplund, da Barchart, a moeda americana perdeu força após notícias indicarem a possibilidade de extensão do cessar-fogo de duas semanas, com negociações podendo ser retomadas nos próximos dias.
Como reflexo, o índice do dólar (DXY) recuou 0,33%, atingindo o menor nível em seis semanas.
Inflação nos EUA abaixo das expectativas pressiona moeda
Outro fator relevante para a queda do dólar foi a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos, que veio abaixo do esperado.
Os dados indicam que:
- O PPI cheio subiu 0,5% no mês e 4,0% em relação ao ano, abaixo das projeções de 1,1% e 4,6%
- O núcleo do PPI (excluindo alimentos e energia) avançou 0,1% no mês e 3,8% no ano, também abaixo das expectativas
Apesar de ainda indicar pressão inflacionária, o resultado mais fraco reforça a percepção de desaceleração, contribuindo para a desvalorização do dólar.
Expectativa de juros também pesa sobre a moeda americana
O dólar segue pressionado também por perspectivas menos favoráveis para os diferenciais de juros globais.
De acordo com o analista, o Federal Reserve (Fed) pode realizar cortes de pelo menos 25 pontos-base em 2026, enquanto outros bancos centrais relevantes, como o Banco Central Europeu e o Banco do Japão, podem seguir caminho oposto, com possíveis elevações de juros no mesmo período.
Esse cenário reduz a atratividade relativa da moeda americana frente a outras divisas.
Euro e iene avançam diante da fraqueza do dólar
Com o enfraquecimento do dólar, outras moedas ganharam força no mercado internacional.
O euro apresentou valorização, com o par EUR/USD atingindo a máxima em seis semanas, em alta de 0,37%. O movimento também foi favorecido pela queda de cerca de 5% nos preços do petróleo, fator positivo para a economia da zona do euro, que depende de importação de energia.
Já o iene japonês também se valorizou, com o par USD/JPY recuando 0,48%. Além da fraqueza do dólar, a moeda japonesa foi sustentada pela revisão positiva da produção industrial do Japão e pela queda nos preços do petróleo, importante para um país altamente dependente de energia importada.
Ouro e prata sobem com dólar fraco e busca por proteção
Os metais preciosos registraram forte valorização no dia, acompanhando o recuo do dólar.
O ouro e a prata avançaram, com destaque para a prata, que atingiu o maior nível em três semanas e meia.
A queda do dólar tende a favorecer esses ativos, tornando-os mais atrativos globalmente. Além disso, a redução das preocupações inflacionárias pode abrir espaço para políticas monetárias mais flexíveis, outro fator de suporte para os metais.
Incertezas seguem sustentando demanda por ativos de segurança
Apesar do otimismo com possíveis avanços diplomáticos, o cenário internacional ainda apresenta riscos relevantes.
Entre os fatores que mantêm a demanda por ativos de proteção estão:
- Tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã
- Incertezas sobre políticas comerciais e tarifas americanas
- Turbulências políticas internas nos EUA
- Níveis elevados de déficit público
Além disso, medidas como o bloqueio naval no Estreito de Ormuz reforçam a percepção de risco global, sustentando o interesse por metais preciosos como reserva de valor.
Mercado global segue sensível a dados e geopolítica
O comportamento recente do dólar reflete um ambiente global altamente sensível tanto a indicadores econômicos quanto a eventos geopolíticos.
Nos próximos dias, a trajetória da moeda americana deve continuar atrelada à evolução das negociações no Oriente Médio, aos dados de inflação e atividade nos Estados Unidos e às expectativas sobre a política monetária das principais economias do mundo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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