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O agro na recuperação judicial

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Os pedidos de recuperação judicial estão em alta no país. Cresceram 68,7% no ano passado em comparação com 2022, mostram dados do Indicador de Falência e Recuperação Judicial da Serasa Experian. Liderados pelo setor de varejo (serviços e comércio) e aparecimento do agronegócio. Em 2023, foram registradas 127 solicitações do recurso por proprietários rurais que atuam como pessoas físicas, sendo que, do terceiro para o último trimestre, houve aumento de 62%. Na comparação de 2022 com 2023, o crescimento foi de 535%, segundo números da Serasa. A tendência é que o setor deverá estar ainda mais sensível às crises financeiras este ano.

Tudo por causa das questões climáticas, que têm provocado quedas de safra em várias regiões brasileiras e aumentado os desafios de manejo, alta dos insumos, baixo preço dos grãos, custo cada vez mais oneroso do crédito. A advogada Ana Flávia Valladão Ferreira, do escritório Acerbi Campagnaro Cabral Administração Judicial (ACCC), avalia que as dificuldades enfrentadas pelos produtores, principalmente os pequenos e médios, vão levá-los a recorrer aos pedidos de recuperação judicial como forma de renegociar as dívidas com bancos, colaboradores e fornecedores.

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“Se antes a venda ou arrendamento da propriedade era a primeira saída dos produtores, hoje a recuperação judicial se mostra uma ferramenta eficaz para a equalização das dívidas”, afirma a advogada. Ela lembra que a recuperação judicial, em curto prazo, tem a função de suspender os pagamentos aos credores, o que interrompe a situação de colapso do fluxo de caixa e viabiliza a reestruturação das atividades. Também ajuda na solução negociada das dívidas, com deságio de valores devidos.

O índice da Serasa Experian mostrou ainda que os produtores rurais que mais solicitaram recuperação judicial foram os que plantam soja, seguidos pelos que que possuem áreas de pastagem e, depois, de café. O que é preciso para recorrer a esta ferramenta? Ana Flávia Valladão Ferreira diz que a legislação brasileira estabelece uma série de documentos e circunstâncias que precisam ser comprovados pelos interessados, como documentação das dívidas, quem são os credores, demonstração de que exerce a atividade há mais de 2 anos e indicação da viabilidade do prosseguimento da atividade.

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Segundo a advogada Taciani Campagnaro, advogada partner da ACCC, para recorrer à ferramenta da recuperação judicial no setor agrícola, “é essencial adotar um controle qualificado do fluxo de caixa, com especial atenção aos índices de endividamento do empreendimento. Esse controle cuidadoso permitirá uma análise minuciosa da saúde financeira da empresa, identificando as áreas de maior pressão e as possíveis fontes de reestruturação. Ao monitorar de perto os fluxos de entrada e saída de recursos, é possível tomar decisões estratégicas que visam a sustentabilidade financeira do negócio, evitando a insolvência e viabilizando a negociação das dívidas de forma mais favorável. Portanto, um controle criterioso do fluxo de caixa é fundamental para embasar o processo de recuperação judicial e garantir sua eficácia na equalização das dívidas e na retomada da estabilidade financeira do empreendimento agrícola”, finalizou.

Fonte: MOMBAK COMUNICAÇÃO ESTRATÉGICA

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações do Rio Grande do Sul somam US$ 4,4 bilhões no 1º trimestre de 2026, com destaque para carnes

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As exportações do Rio Grande do Sul totalizaram US$ 4,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Em termos nominais, o resultado representa o quarto maior valor da série histórica iniciada em 1997, evidenciando a relevância do estado no comércio exterior brasileiro.

Carnes impulsionam desempenho da pauta exportadora

Entre os principais produtos exportados, o destaque ficou para o segmento de proteínas animais e animais vivos.

As exportações de carne suína registraram crescimento expressivo de 49,6%, com incremento de US$ 75,8 milhões. Também apresentaram avanço:

  • Vendas de bovinos e bubalinos vivos: alta de US$ 57,2 milhões;
  • Carne bovina: aumento de US$ 33,7 milhões.

O desempenho positivo desses produtos contribuiu para amenizar as perdas em outros segmentos relevantes da pauta exportadora.

Exportações caem em relação a 2025

Na comparação com o mesmo período de 2025, o valor total exportado pelo estado apresentou retração de 7,5%, o equivalente a uma queda de US$ 357,4 milhões.

O recuo foi influenciado principalmente pela redução nas vendas de produtos estratégicos:

  • Soja em grão: queda de 77,0% (-US$ 188,3 milhões);
  • Fumo não manufaturado: retração de US$ 172,9 milhões;
  • Celulose: recuo de US$ 68,1 milhões;
  • Polímeros de etileno: diminuição de US$ 45,5 milhões.
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Estado mantém posição no ranking nacional

Apesar da retração no valor exportado, o Rio Grande do Sul manteve a sétima colocação entre os principais estados exportadores do país.

O estado ficou atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará e Paraná. No entanto, houve redução na participação relativa, que passou de 6,2% para 5,3% no período analisado.

Diversificação de destinos marca exportações gaúchas

No primeiro trimestre de 2026, o Rio Grande do Sul exportou para 169 destinos, reforçando a diversificação de mercados.

Os principais compradores foram:

  • União Europeia: 12,2% das exportações;
  • China: 9,2%;
  • Estados Unidos: 7,3%.

Entre os parceiros comerciais, a China apresentou a maior queda em termos absolutos, com retração de US$ 301,6 milhões, impactada pela redução nas compras de soja e fumo.

Os Estados Unidos também registraram recuo relevante (-US$ 148,7 milhões), influenciado principalmente pelos setores florestal e de armas e munições.

Egito e Filipinas ganham destaque nas compras

Em contrapartida, alguns mercados ampliaram significativamente suas importações de produtos gaúchos.

Destacam-se:

  • Egito: aumento de US$ 105,1 milhões;
  • Filipinas: alta de US$ 104,5 milhões.
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O crescimento foi impulsionado principalmente pelas vendas de cereais e carnes.

Cenário internacional pressiona comércio exterior

O desempenho das exportações do estado ocorre em meio a um ambiente global de incertezas.

As vendas para o Irã, que representaram 1,8% do total exportado, recuaram 5,5% no período, refletindo impactos de sanções econômicas e restrições financeiras que historicamente afetam as relações comerciais com o país.

No caso dos Estados Unidos, a queda de 31,9% nas exportações foi superior à média geral do estado. O resultado está ligado, entre outros fatores, ao desempenho do setor de armas e munições, sensível a mudanças regulatórias e tarifárias.

Perspectivas indicam cenário desafiador

Apesar do bom desempenho de segmentos como o de carnes, a retração em produtos-chave como soja e celulose evidencia os desafios enfrentados pelo estado no comércio internacional.

O cenário para os próximos meses seguirá condicionado à demanda global, às condições de mercado e ao ambiente geopolítico, fatores que devem continuar influenciando o desempenho das exportações gaúchas ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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