AGRONEGÓCIO
Abrapa e Aprosoja miram no combate à mancha-alvo
Publicado em
3 de abril de 2024por
Da RedaçãoO combate à mancha-alvo tem mobilizado a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e a Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja Brasil). As entidades organizaram um dia de campo para discutir o problema que deixou de ser secundário e se tornou uma preocupação significativa para os produtores de soja e algodão.
O evento, realizado na Estação Experimental da Staphyt, em Formosa (GO), reuniu técnicos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Embrapa, além de especialistas e pesquisadores independentes.
Na abertura do evento, o consultor da ABRAPA, Edivandro Seron, fez uma introdução falando um pouco sobre o trabalho e a representatividade da ABRAPA, onde 99% de todo o algodão brasileiro exportado passa pelos produtores associados à entidade. Isso aumenta ainda mais a preocupação com o enfrentamento de doenças como é o caso da mancha-alvo.
Durante a visita aos experimentos conduzidos pelo pesquisador Nédio Tormem, os participantes puderam observar os sintomas da mancha-alvo e discutir estratégias eficazes de combate à doença com outros especialistas do tema. As condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do fungo têm impactado as culturas de soja e algodão, resultando em prejuízos à produtividade das lavouras. Os fungos responsáveis pela mancha-alvo são agressivos e difíceis de controlar devido à sua variabilidade genética.
Para os participantes do dia de campo, ficou claro que é crucial esse tipo de discussão sobre problemas fitossanitários que afetam os produtores, dada a importância da integração entre os diferentes setores da agricultura para enfrentar desafios comuns. O controle de doenças exigirá o envolvimento de todos os agentes, tanto da iniciativa privada quanto do governo. A troca de informações e experiências contribui para a formulação de estratégias eficientes, sempre visando garantir a segurança alimentar e a sustentabilidade da produção de alimentos no Brasil.
As explicações técnicas fornecidas pelo pesquisador Nédio Tormem no campo da Staphyt permitiram observar os ciclos da doença nas lavouras, os danos severos que podem ser causados e os tratamentos disponíveis, incluindo produtos e opções para o manejo.
Segundo o pesquisador da Staphyt, a visita ao campo experimental possibilitou avaliar a eficácia de diferentes fungicidas no controle da mancha-alvo, tanto misturas já registradas e disponíveis no mercado quanto uma nova combinação diferenciada, com foco no controle do complexo de manchas.
Após a parte prática no campo experimental, a equipe ainda participou de um debate sobre a mancha-alvo, com um grupo seleto e focado em buscar soluções.
Manejo integrado como estratégia
O pesquisador da Embrapa Cerrados, Sergio Abud, foi um dos palestrantes e destacou como a mancha-alvo passou de uma doença secundária para uma grande preocupação nas lavouras, trazendo dados detalhados sobre o complexo de doenças e enfatizando os principais fatores que reduzem as perdas de produtividade. Ele ressaltou a importância do manejo fitossanitário integrado, manejo integrado de pragas e fisiologia de produção como ferramentas essenciais para maximizar os componentes de rendimento.
Para Abud, não se pode depender apenas de fungicidas para o controle das doenças. Não existe uma resposta única. É fundamental considerar fatores como genética, palhada, datas de plantio e escolha adequada de fungicidas, além de utilizar a tecnologia de aplicação correta.
O fungo Corynespora cassicola, responsável pela doença, pode sobreviver por mais de uma safra no solo, em restos culturais de plantas hospedeiras e em sementes infectadas. Essa preocupação foi destacada pelo assessor técnico da Aprosoja, Leonardo Minaré, que ressaltou o aumento dos custos para os agricultores devido à sensibilidade crescente das cultivares à doença.
Edivando Seron, consultor da ABRAPA, também expressou a preocupação do setor produtivo com os danos severos causados pela mancha-alvo, que resultam em desfolha precoce e prejuízos significativos em termos de produtividade e qualidade da fibra, no caso do algodão.
José Victor Torres, coordenador-geral de agrotóxicos e afins do Ministério da Agricultura, classificou o dia de campo como um “evento emergencial” em relação à mancha-alvo, pela análise técnica das demandas, especialmente neste ano, quando o ministério estará empenhado na regulamentação da nova lei de agrotóxicos.
Carlos Alexandre, especialista em vigilância sanitária da Anvisa, informou que o órgão trabalha em parceria com o Mapa e considera eventos como este de suma importância para ampliar o debate sobre os problemas fitossanitários que preocupam o campo.
Já Paulo Queiroz, consultor da Blink Projetos Estratégicos, abordou as megatendências no campo, destacando os desafios das principais doenças nos cultivos de soja e algodão, enfatizando a necessidade de soluções integradas e de longo prazo, dada a escassez de novas moléculas e o tempo e investimento.
“Com estimativas de que a mancha-alvo vai liderar em severidade e dano nos próximos dez anos, é evidente que o enfrentamento desse desafio exigirá esforços coordenados e uma abordagem multifacetada para garantir a segurança e a sustentabilidade da produção agrícola no Brasil”, pontuou Queiroz.
Fonte: Assessoria de Imprensa ABRAPA
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
El Niño 2026 deve aumentar umidade dos grãos e elevar risco de perdas na safra de inverno no Sul
Published
24 minutos agoon
18 de maio de 2026By
Da Redação
O retorno do fenômeno climático El Niño ao cenário agrícola de 2026 já preocupa produtores de culturas de inverno no Sul do Brasil. Com probabilidade de até 87% de formação no segundo semestre, o evento deve provocar aumento das chuvas durante fases decisivas do ciclo produtivo, afetando diretamente lavouras de trigo, cevada, aveia e canola.
Levantamento da MOTOMCO mostra que o excesso de umidade já começa a impactar as projeções para a próxima safra de trigo no Rio Grande do Sul. A análise, baseada em mais de 8 mil cargas monitoradas pelo Sistema de Gestão de Umidade (SGU), aponta que o teor médio de umidade dos grãos no recebimento deve subir de 16,7% para 17,5%, avanço estimado em 4,8% sobre o ciclo anterior.
Além do aumento da umidade, os dados indicam retração na área plantada de trigo em uma cooperativa gaúcha. A redução estimada é de 17%, reflexo das adversidades climáticas registradas ao longo da temporada. A produtividade também tende a cair: a projeção atual é de 2.742 kg por hectare, abaixo dos 3.230 kg/ha registrados anteriormente.
Segundo o engenheiro agrônomo da MOTOMCO, Roney Smolareck, o principal desafio em anos de El Niño está na imprevisibilidade operacional no campo.
“O produtor deixa de trabalhar com uma janela bem definida e passa a lidar com decisões muito mais rápidas. Quando não há informação precisa, ele acaba reagindo ao clima, e não se antecipando a ele, o que normalmente resulta em perda de qualidade e de valor”, afirma.
Excesso de chuva aumenta risco de doenças e perda de qualidade
Historicamente, o Sul do Brasil sofre com excesso de precipitações durante eventos de El Niño, enquanto regiões do Norte e parte do Centro-Oeste podem enfrentar redução no volume de chuvas.
De acordo com Smolareck, o comportamento climático varia conforme a região, exigindo monitoramento contínuo por parte do produtor rural.
“O Brasil é muito grande para tratar o El Niño como um padrão único. O excesso de chuva em uma região pode significar escassez em outra. Por isso, o produtor precisa acompanhar o comportamento climático regional e monitorar o cenário constantemente”, explica.
Nas culturas de inverno, o excesso de umidade durante o desenvolvimento da lavoura pode comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade final dos grãos.
“O aumento das chuvas favorece doenças fúngicas, amplia a incidência de grãos ardidos e manchados e reduz indicadores importantes de qualidade, como o peso hectolitro. Em situações mais severas, pode ocorrer germinação ainda na espiga ou na panícula”, destaca o agrônomo.
Outro impacto importante ocorre na operação de colheita. O solo excessivamente úmido reduz a janela operacional e dificulta a entrada de máquinas nas lavouras, obrigando muitos produtores a anteciparem a colheita com umidade acima do ideal para evitar perdas ainda maiores no campo.
Armazenagem também entra no radar das perdas financeiras
Os reflexos do El Niño não se limitam às lavouras. O pós-colheita também exige atenção redobrada, principalmente na armazenagem dos grãos.
Segundo estimativas da MOTOMCO, uma pequena variação de apenas 0,05% na medição de umidade em um silo com capacidade para 70 mil sacas de trigo pode gerar perdas equivalentes a todo esse volume ao longo da operação.
Considerando o preço médio da saca de trigo no Rio Grande do Sul em torno de R$ 75,84, o prejuízo potencial pode alcançar aproximadamente R$ 265 mil em apenas um silo.
Para Smolareck, a precisão na medição da umidade passa a ser estratégica em anos de maior instabilidade climática.
“O produtor passa meses conduzindo a lavoura e erra justamente no momento mais crítico, que é a colheita, por falta de informação. Muitas vezes ele só percebe o impacto da umidade depois da entrega do produto”, afirma.
“Em anos de El Niño, a diferença entre lucro e prejuízo começa na precisão da medição da umidade”, conclui o especialista.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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