AGRONEGÓCIO
Mercado chinês ainda é vantajoso para o agro brasileiro
Publicado em
22 de março de 2024por
Da RedaçãoO motivo é muito simples – a China possui o maior mercado consumidor do mundo, de modo que as mudanças de padrão alimentar que o país experimentou junto com o forte crescimento econômico das últimas décadas levaram a um aumento substancial da importação de comida, que hoje supera os 100 bilhões de dólares anuais.
Isto não significa, contudo, que a China não seja uma grande produtora. Ao contrário, o gigante asiático é um dos maiores produtores de grãos e a segurança alimentar é, como sempre foi, um ponto central na elaboração de políticas públicas da China. A despeito do aumento consistente na importação de gêneros alimentícios, os incentivos das autoridades locais impediram que as importações crescessem ainda mais e contribuíram para um crescimento da produção doméstica.
Desta forma, a exportação do agronegócio brasileiro para a China enfrenta uma série de desafios. Alguns deles, o agroprodutor nacional tem sido capaz de enfrentar à semelhança do que já fez em relação aos mercados europeu e norte-americano, como a atender a demandas regulatórias que exigem padrões bastante elevados dos produtos exportados e reduzir custos para se manter competitivos diante da tributação. No que toca à esta última, a China hoje faz parte da Organização Mundial do Comércio, sendo possível a utilização de mecanismos legais para lidar com eventuais taxações desproporcionais.
Os desafios residem na logística de distribuição, na obtenção de autorização chinesa para exportação e em questões políticas. Embora o milho e a soja já utilizem mais o modal ferroviário que o rodoviário, este ainda é relevante para essas commodities, respondendo por mais de quarenta por cento da carga transportada, e, quando se considera o total de mercadorias transportadas, responde por 75% do total. O transporte rodoviário é mais lento, menos confiável, mais caro e ineficiente, reduzindo a margem de lucro dos produtores brasileiros e reduzindo a acumulação de capital.
Apenas quando a acumulação atinge índices elevados, o produtor se torna independente de financiamento, o que reduz as taxas de juros, e possui o incentivo para investir em outras atividades, principalmente conexas, como o benefício da produção e a industrialização. Assim, o Brasil poderia aumentar a exportação de óleo e derivados de soja em detrimento de soja bruta ao ajustar o modal logístico e reduzir a burocracia dos negócios.
Quanto à autorização de exportação, ela depende de vários fatores, como o atendimento a padrões mínimos de qualidade, inspeções regulares, atendimento a quotas pré-fixadas pelo Governo chinês. O conhecimento das regras locais, em particular de um país com regras bem definidas como a China, cuja burocracia é milenar, pode tornar esse processo menos longo.
Em que pese a dificuldade de se obter essa licença, é bom lembrar que a renda chinesa, com base na paridade do poder de compra, é de aproximadamente vinte mil dólares anuais, enquanto a brasileira, pelo mesmo critério, é de quase dezesseis mil. No câmbio nominal, para efeitos de comparação, a renda chinesa seria de quase doze mil dólares anuais e a brasileira de quase oito mil. Portanto, acessar o mercado chinês significa acessar um mercado de praticamente sete Brasis em que o consumo de proteína e produtos agrícolas segue crescendo de forma acelerada e não consegue ser atendido pela produção interna.
Por fim, as questões políticas costumam permear o acesso a todo e qualquer grande mercado, não sendo uma exclusividade da China. Em particular, o Brasil anda bem em focar seu relacionamento com a China no comércio e no intercâmbio cultural, evitando situações que poderiam prejudicar o setor agroexportador. Isto não significa que a relação não possa evoluir, em particular por meio da “diplomacia empresarial”, a qual ajuda fortemente no aprofundamento do relacionamento entre empresários de ambos os países.
Emanuel Pessoa é advogado especializado em direito internacional, Mestre em Direito pela Harvard Law School e Doutor em Direito Econômico pela USP, além de Professor da Chinese Foreign Affairs University, onde treina a próxima geração de diplomatas chineses.
Fonte: Betini Comunicação
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Dólar, juros e eleições colocam economia brasileira sob pressão em 2026, aponta Rabobank
Published
17 minutos agoon
27 de maio de 2026By
Da Redação
A economia brasileira entrou em 2026 cercada por incertezas externas e domésticas. Segundo análise divulgada pelo Rabobank, o cenário internacional, marcado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelas mudanças na condução da política monetária dos Estados Unidos, somado ao ambiente eleitoral no Brasil, deve manter elevada a volatilidade nos mercados ao longo do ano.
O relatório aponta que o Brasil segue “à mercê” do cenário global e das pesquisas eleitorais, em um contexto de desaceleração econômica, juros ainda elevados e pressão sobre o câmbio.
De acordo com o Rabobank, a expectativa é de que o dólar volte a ganhar força frente ao real até o fim de 2026, encerrando o período em torno de R$ 5,35. A projeção considera a redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, além das dúvidas fiscais em ano eleitoral.
IBC-Br sinaliza perda de força da economia brasileira
Um dos principais destaques do relatório foi a queda do IBC-Br em março, indicador considerado uma prévia do PIB calculado pelo Banco Central.
O índice recuou 0,67% na comparação mensal, resultado pior do que o esperado pelo mercado. Apesar disso, no acumulado do primeiro trimestre de 2026, a atividade econômica ainda registrou avanço de 1,3%.
Segundo os analistas do banco, os dados confirmam que a economia brasileira perdeu ritmo no início do ano, especialmente nos setores de serviços, indústria e agropecuária.
O Rabobank avalia que o crescimento econômico continuará moderado nos próximos meses, influenciado pelos juros elevados, pela desaceleração global e pelas incertezas políticas.
A instituição projeta crescimento do PIB brasileiro de 1,8% em 2026, abaixo do desempenho registrado nos anos anteriores.
Petróleo ajuda arrecadação federal
Mesmo com atividade mais fraca, a arrecadação federal segue em ritmo forte. Em abril, as receitas somaram R$ 278,8 bilhões, alta real de 7,8% na comparação anual.
O avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento da arrecadação de IOF, Imposto de Renda e CSLL, com destaque para os ganhos obtidos pelo setor de petróleo e gás natural.
Na avaliação do Rabobank, a elevação dos preços internacionais do petróleo causada pelas tensões no Oriente Médio tem ajudado o governo brasileiro a reforçar as receitas fiscais por meio de royalties e tributos ligados à cadeia energética.
Governo amplia programas de estímulo em ano eleitoral
O relatório também destaca o avanço de medidas fiscais com viés eleitoral.
Entre elas está o programa “Move Brasil Táxi e Aplicativos”, que prevê até R$ 30 bilhões em crédito subsidiado para taxistas e motoristas de aplicativo comprarem veículos novos.
Outro ponto citado foi a nova versão do programa Desenrola, voltada para renegociação de dívidas de famílias, estudantes, pequenos empresários e produtores rurais.
Segundo o Rabobank, essas iniciativas podem ajudar a sustentar o consumo no curto prazo, mas aumentam as preocupações com o equilíbrio fiscal do país.
Eleições de 2026 entram no radar do mercado
O ambiente político também ganhou destaque no relatório.
Pesquisas eleitorais recentes mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantendo liderança consistente nas intenções de voto para 2026, embora ainda sem vitória garantida em primeiro turno.
Ao mesmo tempo, os levantamentos indicam perda de força de Flávio Bolsonaro em alguns cenários, enquanto nomes da chamada terceira via seguem sem consolidação.
Para os analistas, o avanço das discussões eleitorais tende a aumentar a cautela dos investidores, principalmente diante das dúvidas sobre o futuro do arcabouço fiscal e das políticas econômicas após 2026.
Commodities agrícolas seguem resilientes
No mercado internacional, o relatório mostra desempenho positivo das commodities agrícolas, mesmo em meio à volatilidade global.
Soja, milho e trigo registraram valorização semanal, sustentados por questões climáticas e pelo cenário internacional mais instável.
Já o petróleo Brent segue acima dos US$ 100 por barril, reforçando os impactos sobre inflação global, custos logísticos e fluxo financeiro para países exportadores de commodities.
Mercado acompanha inflação e próximos passos do Banco Central
Na política monetária, o Rabobank avalia que o Banco Central brasileiro deve manter postura cautelosa nos próximos meses.
A instituição projeta Selic em 13,25% ao final de 2026, diante das incertezas inflacionárias e dos riscos externos.
O banco também alerta que programas de estímulo ao crédito podem dificultar o trabalho da autoridade monetária no controle da inflação, especialmente em um ambiente de mercado de trabalho ainda resiliente.
Além disso, os investidores acompanham os desdobramentos da política monetária nos Estados Unidos, principalmente após a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve.
Cenário exige cautela de produtores e investidores
Para o agronegócio e demais setores ligados às exportações, o ambiente continua marcado por oportunidades e riscos.
O câmbio mais valorizado pode beneficiar exportadores brasileiros, enquanto os preços internacionais das commodities seguem sustentados pelas tensões geopolíticas.
Por outro lado, juros elevados, desaceleração econômica e incertezas fiscais devem continuar pressionando custos de financiamento, consumo interno e investimentos ao longo de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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