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Emater faz leve ajuste na safra de soja do RS, mas ainda vê recorde

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A safra de soja do Rio Grande do Sul 2023/24 foi estimada nesta terça-feira em 22,25 milhões de toneladas, redução de cerca de 200 mil toneladas na comparação com a previsão inicial, mas ainda um volume de produção recorde, de acordo com levantamento da Emater.

Se confirmada a previsão, a safra deverá ter um salto de 71,5% na comparação com a temporada anterior, atingida pela seca, segundo a empresa de assistência técnica ligada ao governo gaúcho.

De acordo com o diretor técnico da Emater/RS, Claudinei Baldissera, alguns municípios sofreram déficit de chuva perto da época do Carnaval, mas isso não comprometeu de forma relevante os resultados previstos. A safra gaúcha também foi atingida por umidade excessiva na época do plantio.

“São números que brilham os olhos, estamos com a lavoura ainda em desenvolvimento, mas com encaminhamento… é preciso que a colheita ocorra em condições climáticas adequadas”, afirmou Baldissera.

Boletim da última semana da Emater apontou o início da colheita em algumas regiões mais a noroeste do Estado, mas a empresa ainda não indicava um percentual de área já colhida, após atrasos no plantio por conta da chuva. Pela média histórica, nesta época, o Rio Grande do Sul já deveria ter colhido ao menos 2% da área.

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“São números muito bons que colocam a safra 23/24 no topo do ranking na linha do tempo, comparado com anos anteriores. Ano passado a safra de soja ficou na 10ª posição”, acrescentou Baldissera, ao apresentar os números durante a feira Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.

A safra de soja 23/24 deverá superar o volume máximo visto em 2020/21, quando somou pouco mais de 20 milhões de toneladas, favorecida este ano pelo fenômeno climático El Niño, que traz chuvas para o Sul.

Nos últimos anos, produtores gaúchos lidaram com o La Niña, que resulta em seca, registrando seguidas frustrações climáticas.

A recuperação da safra do Rio Grande do Sul permitirá que o Estado se coloque como o segundo produtor de soja do Brasil em 23/24, superando o Paraná, que sofreu alguns problemas climáticos no ciclo atual e tem safra estimada em 18,2 milhões de toneladas, conforme levantamento do governo paranaense.

Além disso, também ajudará a sustentar a produção brasileira, considerando que Estados do Centro-Oeste brasileiro, em especial o líder Mato Grosso, sofreram com as intempéries em 2023/24.

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A safra de soja de Mato Grosso 2023/24 está estimada em 38,44 milhões de toneladas, queda de 15,7% na comparação com o ciclo anterior, disse o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) na véspera.

OUTROS GRÃOS DO RS

Se o clima praticamente não alterou a projeção de safra de soja, no caso do milho a produção do Rio Grande do Sul foi rebaixada para 5,2 milhões de toneladas, ante pouco mais de 6 milhões de toneladas na previsão inicial.

Ainda assim, a colheita de milho do Estado, maior produtor do cereal do país na primeira safra, deverá crescer 31,5% na comparação com a temporada passada, afetada pela seca.

O Rio Grande do Sul, que não planta milho na segunda safra, aposta suas fichas todas no verão, no tocante ao cereal.

O Estado gaúcho, também o maior produtor de arroz do país, deverá colher cerca de 7,5 milhões de toneladas do produto, praticamente estável na comparação com a previsão inicial, com alta de 3,5% ante a temporada passada, segundo a Emater.

Fonte: Reuters

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agricultura de precisão e manejo de solo ajudam produtores a reduzir perdas climáticas e aumentar estabilidade da soja e do milho

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A sucessão de fenômenos climáticos extremos nos últimos anos tem imposto desafios crescentes à produção agrícola brasileira. Desde a safra 2020/21, o campo convive com a alternância frequente entre La Niña e El Niño — já são cinco episódios de La Niña e um de El Niño em apenas seis anos — cenário que tem impactado diretamente a produtividade, especialmente em culturas como soja e milho.

Com seguros agrícolas cada vez mais caros e de cobertura limitada, parte dos produtores rurais enfrenta maior vulnerabilidade financeira, agravada também pela desvalorização dos grãos em determinados períodos. Nesse contexto, estratégias de manejo e tecnologia no campo passam a desempenhar papel central na redução de riscos.

Manejo do solo e plantas de cobertura reduzem impactos da seca

Embora o controle das condições climáticas não esteja ao alcance do produtor, práticas de manejo vêm sendo adotadas para minimizar perdas causadas por irregularidade de chuvas e períodos de estiagem.

Em Brasilândia do Sul, no noroeste do Paraná, o produtor rural Agnaldo Leite implementa desde 2018 o cultivo de milho em consórcio com crotalária e braquiária em uma área de 275 hectares. O objetivo é melhorar a estrutura do solo e aumentar sua capacidade de retenção de umidade.

A propriedade possui solos de textura mista, com teor de argila entre 25% e 50%, o que exige maior cuidado em períodos secos. Segundo o produtor, as plantas de cobertura são semeadas ainda com o milho safrinha em desenvolvimento, garantindo maior formação de palhada após a colheita.

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Na sequência, a soja é implantada sobre essa cobertura vegetal, o que contribui para manter a umidade do solo por mais tempo e amplia a janela ideal de plantio.

Além disso, a crotalária desempenha função importante no controle de nematoides e na reciclagem de nutrientes, auxiliando na disponibilidade de fósforo e potássio para as culturas seguintes.

Agricultura de precisão amplia eficiência no uso de insumos

Outro pilar adotado na propriedade é a agricultura de precisão, com uso de plantadeira de taxa variável para aplicação de fertilizantes conforme as necessidades identificadas em análise de solo.

O sistema permite ajustar a adubação de forma localizada, evitando desperdícios e melhorando a eficiência no uso de insumos, o que impacta diretamente no desempenho das lavouras.

Segundo o engenheiro agrônomo da C.Vale, Mateus Delai, que acompanha a área, o conjunto de práticas adotadas pelo produtor contribui para a recuperação da fertilidade do solo ao longo do tempo.

Solo recuperado e produtividade mais estável

O resultado do manejo integrado tem sido percebido na evolução da propriedade e na estabilidade produtiva das culturas.

O produtor relata que a combinação entre plantas de cobertura e agricultura de precisão transformou a qualidade do solo ao longo dos anos.

“Eu brinco com meus amigos dizendo que, se eu tivesse o conhecimento que tenho hoje, eu não compraria essas terras. Era um solo muito pobre, destruído. Hoje é um solo muito lindo. O fator que limita a minha produtividade não é mais o solo, é a chuva”, afirma Agnaldo Leite.

Segundo ele, as produtividades de soja e milho se tornaram mais consistentes, mesmo diante das variações climáticas registradas nas últimas safras.

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Tecnologia e manejo são caminhos para reduzir riscos no campo

Diante da instabilidade climática crescente, especialistas do setor reforçam que a adoção de práticas como agricultura de precisão, rotação de culturas e uso de plantas de cobertura tende a ganhar ainda mais importância nos próximos anos.

Essas estratégias não eliminam os impactos do clima, mas ajudam a reduzir perdas, melhorar a eficiência produtiva e aumentar a resiliência dos sistemas agrícolas.

No cenário atual, em que eventos extremos se tornam mais frequentes, a combinação entre tecnologia e manejo adequado do solo se consolida como um dos principais caminhos para garantir estabilidade produtiva e sustentabilidade econômica no campo brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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