AGRONEGÓCIO
Eficiência na produção é o caminho para ter rentabilidade na produção de leite
Publicado em
27 de fevereiro de 2024por
Da RedaçãoA cadeia de produção de leite no Brasil enfrenta um cenário de dificuldades motivadas por fatores nacionais e internacionais. As guerras em curso, entre Rússia e Ucrânia, e Israel e Palestina, somadas ao crescente volume de importação de leite e derivados têm desestimulado a produção nacional.
O coordenador técnico estadual em Bovinocultura da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), Nauto Martins, explica que “a entrada de leite e derivados vindos principalmente da Argentina e Uruguai provoca um aumento na oferta de produtos no mercado nacional. As importações brasileiras de leite alcançaram o equivalente a 219,3 milhões de litros em dezembro de 2023, com alta de 48,6% em relação ao mesmo mês de 2022. Por isso, os produtos tendem a ficar mais baratos ao consumidor”.
Dados do Centro de Inteligência do Leite (CILEITE) mostram que, nos últimos 12 meses, o preço da cesta de lácteos registrou queda de 3%. O déficit é motivado pela alta das importações. Entre os derivados de leite comercializados no varejo, a maior alta mensal foi do iogurte (0,9%) e a maior queda, foi do leite condensado (-1,7%).
Enquanto os consumidores desfrutam de um cenário positivo, os produtores de leite enfrentam desafios que exigem atenção especial. A média nacional do preço do leite para o produtor registrou uma retração equivalente a 21% na comparação entre novembro de 2023 e o mesmo mês de 2022, chegando a R$2,00 por litro. “Se a oferta dos produtos à base de leite no mercado é alta, os preços tendem a cair, isso é natural. O problema é que o custo que o produtor tem para colocar o produto no mercado, via de regra, não segue a mesma tendência, comprometendo a sua margem de lucro. Isso é o que torna o cenário desafiador”, comenta o técnico da Emater Minas.
Eficiência e qualidade
Diante deste panorama, Nauto acredita que os agricultores que produzem em menor escala são os que mais sofrem. “Um produtor que obtém um rendimento mais alto consegue operar de forma mais eficiente, pois seus custos são diluídos em uma produção maior. Além disso, como a indústria tende a priorizar a captação de leite de produtores com volumes de produção mais elevados para reduzir os custos logísticos, esse produtor consegue disponibilizar uma quantidade maior de produtos no mercado”, afirma.
O especialista da Emater destaca a importância do trabalho realizado pela empresa para ajudar os produtores a alcançar uma produção mais rentável. “Os técnicos da Emater orientam os produtores a fim de proporcionar um produto de qualidade, com valor agregado, valorizado tanto pela indústria quanto pelo consumidor. Além disso, os produtores são orientados a implementar uma gestão eficiente e a adotar as boas práticas agropecuárias de produção”, diz.
“O produtor deve se manter antenado ao que acontece no mercado nacional e internacional e trabalhar no dia a dia atendendo as demandas de um mercado cada vez mais exigente, já que a cadeia de produção do leite é complexa. Neste momento, é importante reafirmar a eficiência da produção interna para suprir o mercado. Minas Gerais é um estado que se destaca nesse sentido e, com certeza, continuará a ser um importante protagonista na garantia da oferta de leite, contribuindo para a estabilidade e resiliência do setor, mesmo em tempos desafiadores como os que vivemos atualmente”, afirma o coordenador da Emater-MG.
Fonte: Assessoria de Comunicação – Emater-MG
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês
Published
1 hora agoon
30 de agosto de 2026By
Da Redação
Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.
A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.
A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.
O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.
Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.
O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.
A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.
Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.
A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.
Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.
Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.
A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.
Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.
A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.
É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.
Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.
A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.
Fonte: Pensar Agro
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