AGRONEGÓCIO
Geração de empregos na citricultura cresce 8% em 2023
Publicado em
26 de fevereiro de 2024por
Da RedaçãoA citricultura encerrou mais um ano como um dos principais setores geradores de emprego do agronegócio brasileiro. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), compilados pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), em 2023 a colheita da laranja foi responsável pela criação de 54.232 empregos, um aumento de 8% em comparação com os 50.178 postos de trabalho gerados em 2022. O saldo positivo de empregos na citricultura, considerando demissões e contratações, foi de 1.988 vagas.
Este número é ainda mais significativo ao considerar que a laranja foi responsável por 35% das 154.462 novas admissões geradas pelos serviços de apoio à agricultura no Brasil durante o mesmo período. Essa categoria compreende todas as atividades realizadas sob contrato para serviços de preparação de terreno, o cultivo, colheita, pulverização, controle de pragas agrícolas, podas, plantio e transplante de mudas, operação com equipamentos de irrigação, entre outros. “Mesmo passando pela quarta safra consecutiva com níveis baixos de produção, a citricultura demanda um grande volume de mão de obra, o que impacta positivamente na geração de empregos nas regiões onde a cultura está presente”, avalia Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBR.
Mapa dos Empregos da Laranja
O cinturão citrícola, que abrange o estado de São Paulo e Minas Gerais, principal polo de produção de laranja do mundo, foi responsável por 87% dos empregos gerados na citricultura em 2023, totalizando 47.222 vagas. Somente em São ‘Paulo, foram contabilizados 41.357 postos de trabalho na área, um aumento de 6,35%. “Os números da citricultura mostram sua importância na geração de renda, impulsionando a economia de São Paulo. Por isso é importante intensificar os cuidados de combate ao greening e demais pragas, para que isto que já é uma bela realidade possa ser ainda mais pujante”, ressalta o deputado federal por São Paulo, Arnaldo Jardim, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Em Minas Gerais, o segundo maior estado produtor da fruta, o setor registrou um expressivo aumento de 41%, com 5.685 novas vagas. De acordo com Deputado Federal por Minas Gerais, Zé Silva, o número é resultado do avanço da cultura no estado. “Hoje a citricultura mineira conta com 13 milhões de árvores de laranja espelhadas em 28 mil hectares. Isso se deve a um amplo trabalho de vigilância fitossanitária e assistência técnica, que pode e deve ser ampliado”.
Outro estado produtor de destaque, o Paraná teve 1.723 empregos criados pela citricultura em 2023, alta de 13%. “A citricultura gera mais de 200 mil empregos diretos e indiretos e no Paraná teve um ótimo resultado em 2023 contribuindo com mais postos de trabalho no estado. Temos muitos desafios como greening, problemas climáticos, pragas, mas ainda assim é um setor que se fortalece”, afirma o Deputado Federal pelo Paraná e Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion.
A safra da laranja ocorre em um período relativamente longo, entre oito a nove meses por ano, podendo se estender a 10 meses em algumas situações. A colheita é realizada manualmente, o que significa que, nesse período, aproximadamente 96 bilhões de laranjas foram colhidas manualmente.
Um pomar que dá trabalho
Em 2023 a citricultura representou 35% das contratações de serviços de apoio à agricultura no Brasil
- Vagas totais Brasil: 154.462
- Vagas da Citricultura: 54.232
- Crescimento de 8%
Onde estão os empregos da citricultura
- São Paulo: 41.357
- Minhas Gerais: 5.685
- Paraná: 1.723
- Outros: 5.467
- Fonte: Caged elaborado por CitrusBR
Fonte: CitrusBR
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil deve produzir 600 mil toneladas de canola nesta safra
Published
15 horas agoon
25 de setembro de 2026By
Da Redação
A canola começa a sair das lavouras brasileiras com uma produção estimada em 601,3 mil toneladas na safra 2025/26, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa crescimento de 74,4% sobre as 344,8 mil toneladas colhidas na temporada anterior e confirma o avanço de uma cultura que fornece óleo para alimentação, farelo para os animais e matéria-prima para biocombustíveis.
A colheita ainda está no início. No Rio Grande do Sul, responsável pela maior parte da produção nacional, aproximadamente 1% das lavouras havia sido colhido até a segunda quinzena de setembro. Cerca de 88% das áreas estavam entre a floração e o enchimento de grãos e outros 9% já se encontravam em maturação, conforme o acompanhamento da assistência técnica estadual.
Isso significa que a safra de canola que aparece nas estatísticas como 2025/26 ainda está no campo. A cultura foi semeada principalmente entre abril e junho de 2026 e deverá ter a colheita concentrada durante a primavera. O plantio da temporada 2026/27, portanto, não começou: ocorrerá somente no primeiro semestre de 2027.
A área cultivada na safra em fase de colheita alcançou 371,1 mil hectares, expansão de 75,1% diante dos 211,9 mil hectares do ciclo anterior. A produtividade média foi estimada pela Conab em 1.620 quilos por hectare, praticamente estável em relação aos 1.627 quilos obtidos em 2024/25.
Os números mostram que o crescimento da produção foi sustentado principalmente pela incorporação de novas áreas. Embora a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) estime 405 mil hectares e um potencial de 607,2 mil toneladas, a referência oficial da Conab permanece em 371,1 mil hectares e 601,3 mil toneladas. A diferença decorre das fontes e metodologias utilizadas nos levantamentos.
O Rio Grande do Sul concentra aproximadamente 353,4 mil hectares, o equivalente a cerca de 95% da área nacional estimada pela Conab. O cultivo também aparece no Paraná, em Santa Catarina e, em menor escala, em outras regiões onde pesquisas procuram adaptar a oleaginosa ao sistema de segunda safra.
Nas lavouras gaúchas, o desenvolvimento é considerado satisfatório na maior parte das áreas. Os primeiros trabalhos ocorrem em cultivos implantados mais cedo, sobretudo no Noroeste. A evolução da colheita dependerá do amadurecimento dos grãos e de intervalos de tempo seco, necessários para reduzir perdas e preservar a qualidade.
A canola pertence à mesma espécie agrícola da colza, mas foi selecionada para apresentar baixos teores de ácido erúcico no óleo e de glucosinolatos no farelo. Os grãos contêm aproximadamente 38% de óleo, conforme referências técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A maior parte da produção é destinada à fabricação de óleo comestível. Depois da extração, o farelo rico em proteína pode ser utilizado na alimentação animal, principalmente de bovinos, suínos e aves, respeitadas as formulações nutricionais de cada criação.
O óleo também pode ser empregado na fabricação de biodiesel. Outra possibilidade em estudo é seu aproveitamento na produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF. Esse mercado, entretanto, ainda não está consolidado comercialmente em grande escala no Brasil.
No campo, a canola oferece uma alternativa de renda durante o inverno e amplia a rotação com soja, milho e cereais. Como pertence a uma família botânica diferente, pode ajudar a interromper ciclos de determinadas doenças e plantas daninhas, além de manter o solo coberto e distribuir melhor o uso de máquinas e mão de obra ao longo do ano.
A decisão de plantar exige, porém, comprador previamente definido. A cadeia nacional ainda possui menos pontos de recebimento e esmagamento que a soja, e a distância até a indústria pode reduzir a rentabilidade. A implantação também requer atenção ao tamanho reduzido das sementes, à profundidade de semeadura, ao controle de pragas e ao momento da colheita, porque a abertura das síliquas pode provocar perda de grãos.
Apesar do crescimento recente, o Brasil ainda ocupa uma posição pequena no mercado internacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) projeta produção mundial de 99,97 milhões de toneladas de canola e colza em 2026/27. A safra brasileira equivale a aproximadamente 0,6% desse total.
O USDA não apresenta o Brasil individualmente entre os grandes produtores, incluindo o País no grupo das demais origens. O Canadá lidera a produção entre os países, com previsão de 22,5 milhões de toneladas. A União Europeia, considerada como bloco, deverá colher 20,15 milhões, seguida pela China, com 16,2 milhões, e pela Índia, com 12,4 milhões.
Sozinho, o Canadá produz quase 37 vezes o volume brasileiro. A comparação mostra que o País ainda está distante dos líderes, mas também revela o espaço disponível para crescer. Enquanto a canola ocupa pouco mais de 370 mil hectares no Brasil, as culturas de inverno dispõem de milhões de hectares que permanecem sem atividade comercial em parte do ano.
O ciclo atual será decisivo para saber se a rápida expansão conseguirá se sustentar. Além da produtividade e da qualidade dos grãos, o produtor acompanhará os preços, a capacidade de recebimento das indústrias e o cumprimento dos contratos. Uma colheita próxima de 600 mil toneladas colocará a canola em um novo patamar no País, mas a continuidade dependerá de mercado, assistência técnica e segurança para comercializar a produção.
Fonte: Pensar Agro
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