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Estratégia no setor sucroenergético, portfólio de produtos e o apelo ambiental

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Até há pouco tempo, a receita das unidades produtoras da região Centro-Sul se restringia à venda de açúcar e etanol de diferentes tipos e mercados e outros produtos secundários, como bagaço, levedura e óleo fúsel. Nos últimos anos, contudo, o leque se ampliou de maneira substancial, já que a atividade deixou de ser protegida por políticas públicas, passando a viver em maior grau a realidade dos riscos de mercado, além do tradicional risco de produção.

Neste ponto, em 2005, a publicação de um artigo de pesquisadores do Cepea sobre diversificação de atividades como gerenciamento de risco na agricultura buscava compreender melhor o comportamento do empreendedor enquanto responsável por organizações agropecuárias – neste caso, de regiões de Mato Grosso e do Rio Grande do Sul. O estudo mostrava como a racionalidade envolvida com a diversificação, enquanto estratégia de gerenciamento dos riscos na empresa agrícola, leva os empreendedores a comportamentos distintos.

No setor sucroenergético, a diversificação do portfólio de produtos em âmbito geral também tem origem a partir da geração de estratégias eficazes na redução da exposição aos riscos. Esse setor passou e passa por mudanças e rearranjos por estar tão engajado nos aspectos de ordem político-legal, econômica, tecnológica, social e, sobretudo, ambiental.

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Além disso, os insights que se observam nas plantas industriais caminham na direção de soluções aos problemas decorrentes das mudanças climáticas, com o Brasil ocupando um posicionamento estratégico nesse contexto. A descarbonização do setor de transportes se tornou prioridade ao redor do mundo, principalmente com o consenso da necessidade de se avançar na substituição dos combustíveis fósseis, altamente poluentes.

O biometano é um exemplo, que, na onda da transição energética mais sustentável, surge como alternativa. Com características semelhantes ao gás natural, é produzido a partir do material orgânico residual (vinhaça e torta de filtro da cana-de-açúcar) e de outras fontes vindas do setor de pecuária de corte e de gado leiteiro, suinocultura, além do lixo e esgoto urbano. Segundo a Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), 11 novas plantas estão em implantação e/ou esperam aval da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para os próximos anos, além das seis geradoras do biocombustível.

Também nessa linha, a venda de Crédito de Descarbonização (CBIO) passou a integrar a receita dessas empresas. Emitidos por produtores e importadores de biocombustíveis certificados pela ANP, os CBIOs integram o programa do RenovaBio, instituído em 2017 por meio da Política Nacional de Biocombustíveis. Em contrapartida, as distribuidoras de combustíveis fósseis possuem metas anuais de descarbonização baseadas na proporção de combustíveis fósseis que comercializaram e devem adquirir CBIOs para atingir essas metas.

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Ainda nessa pegada ambiental, algumas usinas têm comercializado CO2 verde a partir da purificação do biogás e da fermentação do etanol que é utilizado pelas indústrias de bebidas e refrigerantes.

Outro mercado que está sendo observado de perto pelo setor é o de aviação, por meio do Combustível Sustentável de Aviação (SAF, sigla em inglês). Essa demanda ainda é incipiente, mas algumas plantas industriais no Brasil já receberam a certificação mundial ISCC (International Sustainability & Carbon Certification) para a comercialização desse combustível.

Esse novo portfólio, fundado em avanço tecnológico, vem gerando parcerias entre empresas que estão situadas em outros setores da economia, mas que estão inseridas num contexto de preocupação ambiental. Assim, o setor sucroenergético segue em transformação e tomando outras formas em meio às forças internas e externas que a economia determina.

Ivelise Calcidoni – Pesquisadora do Cepea

Fonte: CEPEA

Fonte: Portal do Agronegócio

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Inteligência artificial transforma o agronegócio brasileiro e impulsiona produtividade no campo

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A inteligência artificial (IA) vem ganhando espaço de forma acelerada no agronegócio brasileiro e já se consolida como ferramenta estratégica para elevar produtividade, reduzir desperdícios e melhorar a gestão das propriedades rurais.

Em meio a um cenário marcado por custos elevados de produção, pressão sobre as margens e maior instabilidade climática, produtores rurais passam a investir cada vez mais em soluções tecnológicas capazes de antecipar problemas e otimizar decisões no campo.

O avanço da agricultura digital ocorre em um momento em que a produção agrícola brasileira segue elevada, mas enfrenta desafios crescentes relacionados à irregularidade do clima, aumento dos custos logísticos e volatilidade do mercado.

Inteligência artificial deixa de ser tendência e entra na rotina do campo

A aplicação da inteligência artificial já influencia diretamente decisões em lavouras, confinamentos e sistemas de manejo em diferentes regiões do Brasil.

Segundo Leonardo Ribeiro Dalben, desenvolvedor de software especializado em IA, a principal transformação está na capacidade de antecipação proporcionada pelo uso de dados em tempo real.

“A inteligência artificial permite antecipar cenários com base em dados reais. Isso ajuda o produtor a agir antes do problema aparecer, seja na lavoura ou na gestão da propriedade”, afirma.

A tecnologia já é utilizada no monitoramento agrícola por meio de sensores, drones, imagens de satélite e sistemas automatizados capazes de identificar:

  • falhas de plantio;
  • estresse hídrico;
  • início de pragas e doenças;
  • necessidade de irrigação;
  • e variações nutricionais das culturas.
Agricultura de precisão amplia eficiência e reduz desperdícios

A adoção de ferramentas digitais ligadas à agricultura de precisão também vem crescendo no país.

Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o uso de tecnologias inteligentes pode elevar a produtividade agrícola em até 20%, além de reduzir significativamente desperdícios de água, fertilizantes e defensivos.

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Na prática, a inteligência artificial permite que o produtor tome decisões mais rápidas e assertivas, melhorando:

  • o aproveitamento de insumos;
  • o planejamento operacional;
  • o controle de custos;
  • e a eficiência da produção.

O avanço dessas ferramentas ocorre principalmente em culturas como soja, milho, café, algodão e cana-de-açúcar, segmentos que já operam com elevado nível de mecanização e monitoramento digital.

Pecuária também avança com sensores e automação

Na pecuária, o uso da inteligência artificial também cresce rapidamente, especialmente em sistemas voltados ao monitoramento do rebanho e gestão operacional.

Atualmente, já existem soluções capazes de acompanhar o comportamento dos animais por meio de sensores inteligentes, permitindo:

  • controle de deslocamento;
  • monitoramento de saúde;
  • identificação de cio;
  • rastreamento de alimentação;
  • e delimitação virtual de áreas de manejo.

Segundo Dalben, a tecnologia reduz custos com infraestrutura tradicional e melhora o controle operacional das fazendas.

“Hoje já existem soluções que utilizam sensores e inteligência artificial para controlar o deslocamento do rebanho, reduzindo custos com infraestrutura e aumentando o controle operacional”, explica.

Gestão financeira se torna novo foco tecnológico do agro

Além do impacto produtivo, a inteligência artificial começa a ganhar relevância na gestão financeira das propriedades rurais, considerada um dos maiores desafios do setor atualmente.

Com aumento do endividamento rural e margens mais apertadas em diversas cadeias produtivas, cresce a busca por ferramentas capazes de melhorar:

  • planejamento financeiro;
  • análise de custos;
  • previsão de fluxo de caixa;
  • controle operacional;
  • e gestão de riscos.

Dados recentes apontam que as dívidas do agronegócio em recuperação extrajudicial já somam cerca de R$ 98 bilhões em 2026, evidenciando a necessidade de maior controle financeiro no campo.

“O produtor que utiliza dados consegue entender melhor seus custos, prever cenários e tomar decisões com mais segurança. Isso faz diferença principalmente em momentos de margem apertada”, ressalta o especialista.

Nova geração acelera digitalização do agronegócio

Outro fator que impulsiona o crescimento da inteligência artificial no campo é a entrada de uma nova geração de produtores rurais, mais conectada à tecnologia e à gestão baseada em dados.

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O movimento acompanha o crescimento do empreendedorismo digital no agronegócio e a expansão das agtechs no Brasil, que desenvolvem soluções voltadas para:

  • monitoramento climático;
  • análise de produtividade;
  • gestão rural;
  • rastreabilidade;
  • automação;
  • e inteligência de mercado.
Conectividade ainda é desafio para expansão da IA no campo

Apesar do avanço acelerado, a ampliação da inteligência artificial no agronegócio ainda enfrenta obstáculos importantes, especialmente relacionados à conectividade rural e ao acesso à tecnologia por pequenos e médios produtores.

Em diversas regiões do país, limitações de internet e infraestrutura dificultam a adoção plena de sistemas inteligentes no campo.

Mesmo assim, especialistas avaliam que a tendência é de crescimento contínuo da digitalização do agro brasileiro, impulsionada pela necessidade de produzir mais com menos recursos e reduzir riscos operacionais.

“A tecnologia não substitui a experiência do produtor, mas amplia a capacidade de decisão. Quem conseguir integrar dados ao dia a dia da produção vai ter mais previsibilidade e competitividade”, conclui Dalben.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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