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Café: Fundamentos da Arbitragem NY-LN explicam dinâmica atual do mercado

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O robusta enfrenta escassez na produção do Vietnã, além de possíveis atrasos nos embarques. Ao revisitar o ciclo de 2007/08, fica evidente o impacto de quebras na safra do Vietnã, com o momento atual resultando em uma queda na contribuição global de produção, apesar da demanda crescente.

Os ciclos de 2013/14 a 2015/16 testemunharam o impacto do El Niño na produção tanto de arábica quanto de robusta, resultando em um déficit global de produção. Apesar das expectativas de um El Niño de menor duração atualmente, surgem preocupações sobre a possibilidade de ser sucedido pelo La Niña. Historicamente, as consequências da recuperação do arábica e dos déficits de robusta resultaram em baixos níveis de arbitragem, gerando preocupações sobre a recuperação futura dos estoques de robusta. A estabilidade do arábica em comparação com os desafios potenciais nos estoques de robusta pode influenciar a arbitragem, com a expectativa atual de tendências de queda nos estoques. Porém, não se espera que a mudança estrutural observada em 2017/18 se repita.

Atualmente, o mercado de café é principalmente caracterizado pela arbitragem entre arábica e robusta. Robusta, preferido pelo mercado pela sua relação custo-benefício, tem enfrentado consistentemente uma menor produção em sua principal origem, o Vietnã, nos últimos anos. Os conflitos atuais no Mar Vermelho podem potencialmente causar atrasos em até um terço das remessas potenciais de café.

“Por outro lado, o arábica está se recuperando lentamente de quebras consecutivas nas safras entre 2019/20 e 2022/23, porém, com a possibilidade de enfrentar outro La Niña. Para entender a dinâmica atual, revisitamos o ciclo de 2007/08, marcado pela significativa quebra na safra do Vietnã (-23% em relação ao ano anterior), quando o país era um importante player global de café, contribuindo com mais de 15% da produção global”, observa Natália Gandolphi, analista de Café da companhia.

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Apesar da redução na produção no Vietnã devido à diminuição da área e padrões climáticos irregulares nos ciclos recentes, a demanda continuou a aumentar. Consequentemente, o país está atualmente fornecendo a menor parcela de robusta para atender à demanda de mercado em mais de 16 anos.

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Entre os ciclos de 2013/14 e 2015/16, tanto a produção de arábica quanto a de robusta enfrentaram desafios devido aos impactos do El Niño. Após cinco anos de excedente global de produção, o balanço caiu para -5,62 milhões de sacas.

“Embora a influência potencial do El Niño persista para o desenvolvimento da safra de 2024/25 no Brasil, Indonésia e Peru, espera-se que este episódio do El Niño seja relativamente mais curto em comparação com o ocorrido há uma década, com duração de aproximadamente 15 meses em vez de 11. No entanto, parece destinado a ser sucedido pelo La Niña”, diz a analista.

A questão crítica surge: da última vez que o arábica se recuperava do El Niño e o robusta enfrentava três déficits consecutivos, a arbitragem atingiu níveis historicamente baixos. No entanto, a importância reside mais nas consequências, especialmente em termos de estoques. Enquanto os estoques globais de robusta nos destinos ainda estão abaixo dos níveis pré-2017/18, o arábica conseguiu se recuperar nesse ínterim.

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De acordo com Natália, “a preocupação agora é se os estoques de robusta podem ter dificuldade em se recuperar no futuro, criando um cenário em que o arábica permanece mais estável e, consequentemente, impulsiona a arbitragem para níveis mais baixos. Atualmente, espera-se que os estoques continuem sua tendência de queda, mas não se espera que a mudança estrutural observada entre 2016/17 e 2017/18 se repita”.

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Em resumo, o momento atual do mercado de café é marcado pela dinâmica da arbitragem NY-LN.

Nos ciclos de 2013/14 a 2015/16, o El Niño afetou tanto o arábica quanto o robusta, resultando em um déficit global de produção. Embora um El Niño de menor duração seja esperado, ele pode ser sucedido pelo La Niña.

As consequências históricas da recuperação do arábica e dos déficits de robusta levaram a baixos níveis de arbitragem, levantando preocupações sobre a recuperação futura dos estoques de robusta e o impacto potencial na arbitragem. Apesar das atuais tendências de queda nos estoques, não se espera uma repetição da mudança estrutural observada em 2017/18.

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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