AGRONEGÓCIO

Ouribank faz avaliação da economia brasileira em 2024

Publicado em

O Ouribank apresentou suas avaliações dos principais indicadores da economia brasileira em 2024, adotando uma visão mais otimista em comparação com o mercado. A taxa de câmbio, por exemplo, poderá ficar abaixo dos US$/R$ 5,03 previstos no Relatório Focus do Banco Central (BC), afirmou a economista da instituição financeira, Cristiane Quartaroli, em entrevista coletiva nesta terça-feira, 19.

Quando se olha os dados do setor externo, observou-se que tanto o fluxo quanto o saldo comercial cresceram em 2023 e isso não se refletiu em queda na taxa de câmbio ao longo do ano. Portanto, é de se esperar que em algum momento esse impacto aconteça e seja positivo para a evolução da nossa moeda. Segundo a economista, os fatores que impediram uma taxa de câmbio melhor foram a preocupação com a política fiscal, no cenário interno, e o desempenho das economias centrais, com inflação e alta de juros. “Trouxeram cautela, incertezas e aversão ao risco, refletindo no câmbio. No entanto, a expectativa de políticas monetárias menos contracionistas ao redor do globo em 2024 tende a ser positiva para a economia brasileira.”

Como ficam inflação, Selic e PIB

Na análise de Quartaroli, a inflação deverá situar-se mais na próxima meta em 2024, ficando um pouco abaixo da expectativa de 3,93% do Focus. A inflação menor tende a impactar positivamente em nossa taxa básica de juros básicos. “A Selic poderá ficar abaixo dos 9,25% projetados para o próximo ano. Desta maneira, o Produto Interno Bruto (PIB) tende a crescer mais que os 1,51% também projetados pelo mercado.”

Leia Também:  Prefeito anuncia "Pix do Dia do Professor" como forma de homenagem aos profissionais da Educação

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC divulgada nesta semana trouxe um tom mais positivo em relação ao cenário interno e externo, ela avalia. “O BC entende que os núcleos de inflação estão convergindo para a meta, embora não tenha sinalizado um aumento no ritmo de ajuste da Selic, por conta de riscos do lado fiscal e externos.

Inflação desacelerando, juros mais baixos e melhores taxas de emprego e de renda poderão influenciar no aumento do consumo das famílias; e resultar em expansão mais robusta do setor de Serviços, em 2024, uma vez que essa importante área da economia brasileira apresentou crescimento mais tímido neste ano. Já a Reforma Tributária, um grande avanço para o Brasil, na opinião de Quartaroli, tende a ter repercussão positiva para o desempenho da indústria. Outros pontos de destaque que favorecem o otimismo para 2024 são as melhoras nos índices de confiança tanto do consumidor, quanto do empresariado, importantes para impulsionar consumo e investimentos no futuro.

Pontos de atenção

Se por um lado dados de trabalho, renda e confiança são indicativos de crescimento da economia; por outro, eles acendem uma luz amarela, que é o aumento do consumo e possível pressão futura sobre a inflação, alerta a economista do Ouribank. Não à toa, o BC está mais cauteloso em anunciar aumento no ritmo de reduções da Selic, em 2024, ela disse.

Leia Também:  Integral Mix inaugura nova fábrica no Pará, impulsionando economia local e criando empregos

A política fiscal também merecerá mais atenção no próximo ano. “A questão fiscal trouxe muita volatilidade ao mercado financeiro em 2023, o que poderá continuar no próximo ano porque o atual governo tem perfil mais expansionista e o mercado se preocupa bastante com isso.” A previsão de um PIB menor em 2024 do que os 2,92% projetados para este ano indicam ainda uma arrecadação menor, com despesas que podem não acompanhar esse ritmo. “Assim, a conta pode não fechar e a projeção de déficit zero para 2024 não se efetivará.”

Quartaroli ressaltou, contudo, que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem sinalizado compromisso com a política fiscal, com a meta de redução do déficit e que o governo tem trabalhado para melhorar a arrecadação. “A aprovação da Reforma Tributária é uma sinalização positiva. O País deu um passo importante ao longo de 2023, mas ainda há muito a ser feito, e as medidas vão demorar um pouco para chegar na economia real.”

Fonte: Tamer Comunicação Empresarial

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

Published

on

A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

Leia Também:  Cresol valoriza atuação com a agricultura familiar na Expodireto 2024

A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

Leia Também:  Empresa brasileira lança fertilizante inovador e reduz dependência do país de produtos importados

Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA