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Cúpula do Mercosul é ofuscada por destino do acordo com UE e perspectiva de Milei na Argentina

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Eles esperavam anunciar um acordo de livre comércio com a UE, abrindo mercados que abrigam cerca de 732 milhões de pessoas.

Mas a mudança de governo na Argentina, apenas três dias após a cúpula, inviabilizou um acordo final sobre questões que precisariam da aprovação do futuro presidente argentino Javier Milei, um libertário radical que disse que o Mercosul não serve para nada.

Diplomatas brasileiros disseram que estão esperançosos de que a Argentina, sob o comando de Milei, continue as negociações comerciais com a UE, e sua ministra das Relações Exteriores designada, Diana Mondino, disse o mesmo durante uma visita a Brasília e uma entrevista à Reuters.

“Estamos aguardando para ver como vão ser as coisas a partir de agora…. É óbvio que eles são mais liberais. Tem que ver se eles vão ser pragmáticos”, disse uma autoridade brasileira, pedindo anonimato devido à sensibilidade do assunto.

Especialistas em comércio dizem que a janela de oportunidade para fechar o acordo UE-Mercosul está se fechando e sua ratificação pelo Parlamento Europeu enfrenta o obstáculo das eleições do próximo ano na Europa.

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As fortes críticas feitas na semana passada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, podem gerar mais resistência ao acordo aertado inicialmente em 2019, mas depois adiado pelas exigências europeias de salvaguardas ambientais.

Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getulio Vargas, é cético quanto à ratificação do acordo comercial pela Europa, onde os oponentes aproveitarão as ideias radicais de Milei para justificar seus pontos de vista.

“Os protecionistas europeus podem usar a retórica radical de Milei, especialmente em relação ao clima, para tentar bloquear o acordo”, disse ele. “Apesar de sua recente moderação, Milei fornecerá muito material para aqueles que procuram demonizá-lo”, acrescentou.

Na campanha eleitoral, Milei ameaçou sair do Mercosul, explodindo o mercado comum com Brasil, Uruguai e Paraguai. Mas sua futura chanceler, Mondino, disse que a Argentina não deixará o bloco.

O ex-secretário brasileiro de Comércio Exterior, Welber Barral, disse que o Mercosul veio para ficar, apesar de suas falhas.

“O Mercosul é uma união aduaneira incompleta, e o comércio regional progrediu lentamente nas últimas duas décadas. Mas o custo político de abandoná-lo é muito alto, mesmo para Milei”, disse ele.

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A opinião foi compartilhada pelo deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), um conservador e crítico do Mercosul que faz parte da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

“Se o Mercosul voltar ao seu propósito original de livre circulação e mercados livres, que Milei também defende, ele não apenas sobreviverá, mas se tornará útil para seus membros”, disse ele.

Enquanto o acordo com a UE está suspenso, o Mercosul assinará um acordo de comércio e investimento com Cingapura no Rio na quinta-feira, segundo os organizadores, no primeiro acordo desse tipo do bloco sul-americano em 12 anos, e o primeiro com um país asiático.

A cúpula está sendo realizada no Museu do Amanhã, no Rio.

Fonte: Reuters

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preço do trigo no Brasil fecha primeiro semestre de 2026 em alta, mas junho registra desaceleração nas negociações

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O mercado brasileiro de trigo encerrou o primeiro semestre de 2026 com tendência de valorização nos preços, apesar da desaceleração observada nas negociações em junho. O cenário foi sustentado principalmente pela baixa disponibilidade de produto da safra velha, estoques internos apertados e maior necessidade de importação para suprir a demanda doméstica.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, o comportamento dos preços reflete um equilíbrio ainda frágil entre oferta e demanda.

“O primeiro semestre foi marcado pela recomposição dos preços. A menor disponibilidade de trigo no mercado interno e a necessidade de importação deram sustentação às cotações, mesmo em um ambiente de liquidez bastante limitada”, destacou.

Mercado do trigo acumula altas expressivas no semestre

Apesar da pressão de baixa registrada em junho, o desempenho acumulado do semestre foi positivo nas principais praças do país.

No Paraná, a média dos preços FOB interior encerrou junho em R$ 1.407 por tonelada, com alta acumulada de 19,9% em relação ao fechamento de 2025. No entanto, o mês registrou recuo de 1,6%, influenciado pela menor demanda dos moinhos e pelo enfraquecimento das referências internacionais.

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No Rio Grande do Sul, o movimento de valorização foi ainda mais intenso no semestre, com avanço de 24,9%. Em junho, porém, houve queda de 5,1%, levando a média para R$ 1.290 por tonelada FOB. Mesmo com a correção, o estado segue sustentado pela escassez de trigo remanescente da safra anterior e pelo forte ritmo de exportações ao longo do período.

Ajuste em junho não muda tendência de alta, diz analista

De acordo com Elcio Bento, a retração observada em junho não representa mudança estrutural no mercado, mas sim um ajuste técnico após meses de valorização.

“O que vimos em junho foi muito mais um ajuste técnico do que uma mudança de tendência. A oferta continua limitada, os estoques seguem apertados e isso impede uma queda mais acentuada dos preços”, analisou.

O ambiente de baixa liquidez continua sendo uma característica marcante do mercado físico brasileiro de trigo. Produtores seguem retendo parte do produto, aguardando melhores condições de preços na entressafra, enquanto os moinhos realizam compras pontuais devido à dificuldade de repasse dos custos ao preço da farinha.

Esse desalinhamento entre oferta e demanda mantém o mercado travado e com negociações limitadas.

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Mercado internacional sustenta cenário de preços no Brasil

No mercado externo, o trigo negociado em Kansas acumulou valorização de 15,5% no primeiro semestre de 2026, mesmo com correções pontuais registradas em junho. Já o trigo argentino, referência importante para a paridade de importação brasileira, avançou 6,7% no período.

Por outro lado, a valorização do real frente ao dólar ao longo do semestre contribuiu para reduzir parte da pressão altista que poderia ter sido transmitida ao mercado doméstico.

Perspectivas para o segundo semestre seguem atreladas ao clima e ao câmbio

Para os próximos meses, o mercado brasileiro de trigo deve permanecer sensível a fatores externos e internos. Entre os principais vetores de atenção estão o desenvolvimento da safra nacional, as condições climáticas na Argentina, o comportamento das bolsas internacionais e as oscilações cambiais.

Segundo o analista, esse conjunto de variáveis continuará sendo determinante para a formação de preços no mercado.

“Esse conjunto de fatores continua oferecendo sustentação estrutural aos preços”, concluiu Elcio Bento.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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