AGRONEGÓCIO
Brasil tem tecnologia para alcançar tendência de produção animal livre de antibiótico
Publicado em
6 de dezembro de 2023por
Da RedaçãoA produção livre de antibióticos como melhoradores de desempenho já é realidade no Brasil para produtores que buscam se diferenciar no mercado nacional ou atender a exigências de clientes específicos. Com o apoio técnico adequado e soluções nutricionais para promoção de saúde intestinal, é possível planejar uma transição, mantendo o desempenho zootécnico com a retirada dos antibióticos melhoradores de desempenho, popularmente chamados de promotores de crescimento. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) regulamenta as substâncias que podem ser utilizadas na produção animal. A mais recente atualização foi a IN nº 01, de 13/01/2020, que proíbe os antimicrobianos tilosina, lincomicina e tiamulina como melhoradores de desempenho.
A tendência de restrição dessas moléculas apoia-se na recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), já que a resistência antimicrobiana (RAM) é considerada uma das maiores ameaças à saúde humana, dos animais e com repercussões para o meio ambiente. As projeções indicam que, até 2050, a quantidade de pessoas em todo o mundo que morrerá de problemas relacionados à resistência aos antibióticos será equivalente aos falecimentos por câncer. No mesmo prazo, estima-se uma perda de 11% na produção pecuária mundial por conta da resistência microbiana.
O uso de antibióticos para melhora de desempenho não é uma prática recente ou restrita a uma região. Seu uso é feito na criação das mais diversas espécies de animais em pequenas doses, com objetivo de controlar o desenvolvimento de bactérias patogênicas a nível intestinal e, assim, evitar prejuízos produtivos que decorreriam delas. “O intestino é um dos principais órgãos do organismo do animal, porque é por intermédio dele que ocorre a absorção dos nutrientes essenciais para sua sobrevivência e contém cerca de 70% do sistema imune”, explica o médico veterinário Maurício Rocha, gerente nacional de monogástricos da Alltech. “Através da modulação das condições intestinais, é possível evitar o desenvolvimento de bactérias patogênicas que podem promover grandes danos à saúde do animal”, destaca.
A Alltech participa diretamente das discussões internacionais sobre a questão. Em julho último, a diretora da plataforma global de saúde intestinal da Alltech, Dra. Jules Taylor-Pickard, foi uma das 20 especialistas em nutrição animal convidadas a participar do encontro da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) sobre resistência microbiana, em Roma, e salientou a importância de um trabalho focado na manutenção da barreira intestinal, mecanismo natural dos animais para proteção contra invasores. De modo complementar, é necessário um esforço coletivo de nutricionistas, médicos veterinários e produtores, assim como práticas para garantia de biosseguridade, qualidade da água, nutrição de precisão e manejo, especialmente nas fases de vida mais suscetíveis a infecções.
Nutrigenômica
Com base na nutrigenômica, área de estudo dos efeitos da nutrição sobre a expressão dos genes, a Alltech desenvolveu o Actigen®, um prebiótico de última geração. O produto é composto por frações ativas de mananos, que aglutinam as bactérias com fímbria tipo 1 – como as responsáveis pelas salmoneloses e colibaciloses, de grande importância na produção animal -, impedindo sua fixação e colonização no intestino. O Actigen altera mais de 2 mil genes, que estão envolvidos diretamente em aspectos nutricionais, digestivos e imunológicos. “Isso é inovação para o mercado de nutrição animal”, aponta Rocha. De acordo com ele, o objetivo não é eliminar 100% das bactérias patogênicas da microbiota intestinal, mas favorecer o desenvolvimento e o equilíbrio das bactérias benéficas à saúde intestinal.
Estudos realizados pela empresa no Brasil demonstram que, com o uso de fração ativa de mananos, é possível reduzir o uso de antibióticos e reverter a resistência a eles. Um trabalho de campo feito com suinocultores de uma cooperativa no Oeste do Paraná demonstrou resultados positivos com uso de Actigen para controle das bactérias Salmonella e E. Coli, sem qualquer mudança no manejo. “Em sete meses, conseguimos recuperar a sensibilidade a antibióticos que anteriormente já estavam com uma alta resistência bacteriana e passaram a ser mais ativos e eficientes”, revela o especialista.
Os benefícios da fração rica em mananos na dieta dos animais de produção possui também implicações diretas na segurança alimentar. Em frangos de corte, um estudo realizado por Corrigan e colegas (2017) demonstrou que, em condições normais de produção, o uso do Actigen reduziu significativamente os níveis de colonização cecal por Campylobacter spp., uma bactéria zoonótica, além de refletir em maior ganho de peso.
Dever de casa
A proibição do uso dos antibióticos como melhoradores de desempenho pela União Europeia, que entrou em vigor no ano passado, marca uma nova tendência na produção animal. “Com as tecnologias nutricionais disponíveis, como as nossas, alguns produtores já estão fazendo esse trabalho. É o nosso dever de casa nos prepararmos para as demais restrições que estão por vir”, comenta Rocha. Conforme o gerente, a Alltech atua de acordo com as demandas de mercado, realizando o planejamento da retirada dos promotores de crescimento para os clientes que o desejam para maior competitividade no mercado, sem perda de produtividade e mantendo eficiência na produção.
Fonte: Centro de Comunicação
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Exportações do agronegócio de Minas Gerais alcançam US$ 5,8 bilhões e mantêm estado entre líderes nacionais
Published
3 horas agoon
2 de junho de 2026By
Da Redação
As exportações do agronegócio de Minas Gerais somaram US$ 5,8 bilhões entre janeiro e abril de 2026, consolidando o estado entre os três maiores exportadores do setor no Brasil. No período, foram embarcadas 4,8 milhões de toneladas de produtos agropecuários para mais de 160 países.
Apesar da retração de 11,9% no valor exportado e de 9,3% no volume em comparação ao mesmo período de 2025, Minas Gerais respondeu por 10,6% das exportações do agronegócio brasileiro, mantendo posição de destaque no comércio exterior nacional.
Segundo análise da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a redução está concentrada em segmentos específicos de grande representatividade, especialmente café e complexo sucroalcooleiro, enquanto diversas outras cadeias produtivas apresentaram crescimento.
Diversificação fortalece desempenho do agro mineiro
De acordo com a assessora técnica da Seapa, Manoela Teixeira, o resultado evidencia o avanço da diversificação das exportações do estado.
Segmentos como carnes, sementes, algodão, papel, animais vivos, couros, frutas e bebidas registraram desempenho positivo, contribuindo para ampliar a presença de Minas Gerais em diferentes mercados internacionais.
O estado também mantém liderança em importantes cadeias exportadoras. No primeiro quadrimestre, Minas respondeu por:
- 71% das exportações brasileiras de café;
- 30,5% dos produtos apícolas;
- 20,4% dos lácteos;
- 12,8% das rações para animais;
- 11,9% dos produtos hortícolas, leguminosas, raízes e tubérculos.
Ao todo, mais de 500 produtos diferentes foram comercializados no mercado internacional durante o período.
Café continua liderando exportações
O café permaneceu como principal produto da pauta exportadora mineira, gerando receita de US$ 3,2 bilhões.
Foram embarcadas aproximadamente 7,4 milhões de sacas ao exterior, porém o segmento registrou retração de 17,5% em valor e de 26% em volume na comparação com o primeiro quadrimestre do ano anterior.
Mesmo com a queda, o produto continua sendo o principal responsável pelo desempenho do agronegócio estadual e pela forte presença mineira no comércio internacional.
Complexo soja mantém segunda posição
O complexo soja, formado por grãos, farelo e óleo, ocupou a segunda colocação entre os produtos mais exportados pelo estado.
As vendas externas totalizaram US$ 1,14 bilhão, com embarques de 2,71 milhões de toneladas.
Em relação ao mesmo período de 2025, houve redução de 2,8% na receita e de 8,9% no volume exportado.
Carnes lideram crescimento entre os principais setores
O grande destaque positivo do quadrimestre foi o segmento de carnes bovina, suína e de frango.
As exportações do setor alcançaram US$ 576,7 milhões e 160 mil toneladas, representando crescimento de 8,2% em valor e de 0,7% em volume.
A valorização da carne bovina no mercado internacional foi um dos principais fatores responsáveis pelo avanço da receita, reforçando a importância do segmento na pauta exportadora mineira.
Complexo sucroalcooleiro registra retração
As exportações do complexo sucroalcooleiro somaram US$ 268,7 milhões entre janeiro e abril.
O resultado representa queda de 22,9% na receita e recuo de 2,7% no volume embarcado em comparação ao mesmo período do ano passado.
A redução do valor médio da tonelada exportada foi um dos fatores que mais contribuíram para o desempenho negativo do setor.
União Europeia permanece principal destino
A União Europeia consolidou-se como o principal mercado para os produtos do agronegócio mineiro.
O bloco econômico importou US$ 1,7 bilhão em produtos do estado no primeiro quadrimestre, equivalente a 29,6% de toda a pauta exportadora do agro mineiro.
Na comparação anual, houve queda moderada de 2,9% no valor e de 2,5% no volume embarcado.
O café continua dominando as vendas para o mercado europeu, representando 94,4% do valor exportado ao bloco.
Por outro lado, alguns segmentos vêm ampliando sua participação. Os produtos florestais registraram crescimento de 42,8% na receita, enquanto as exportações de carnes mais que dobraram, indicando oportunidades de diversificação e agregação de valor.
Mercosul amplia volume importado
Os países do Mercosul — Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia — adquiriram US$ 82 milhões em produtos do agronegócio mineiro no período.
Embora a receita tenha recuado 2,1%, o volume exportado cresceu 10,1%, refletindo ajustes nos preços médios dos produtos comercializados.
A Argentina respondeu por 63,2% das compras do bloco, seguida por Uruguai, Paraguai e Bolívia.
Diferentemente da União Europeia, a pauta exportadora para o Mercosul apresenta maior diversidade. O café representa 38,3% das vendas, seguido por cacau e derivados, carnes, produtos vegetais, hortaliças, tubérculos, produtos florestais e alimentos processados.
Essa característica amplia as oportunidades para a indústria agroalimentar mineira, especialmente em segmentos de maior valor agregado, como bebidas, chocolates, lácteos e cafés especiais.
Perspectiva
Mesmo diante da retração observada no primeiro quadrimestre, Minas Gerais mantém posição estratégica no comércio exterior do agronegócio brasileiro. A força do café, o avanço das exportações de carnes e a crescente diversificação da pauta exportadora reforçam a competitividade do estado e ampliam as oportunidades de crescimento em mercados internacionais cada vez mais exigentes.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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