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IVA, imposto proposto pela Reforma Tributária, pode destravar a competitividade brasileira

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“Uma empresa que distribui produtos para mais de 5 mil municípios brasileiros, pode ter um imposto diferente sobre cada um dos seus produtos em cada município. Esse é o retrato atual do sistema tributário nacional e a consequência disso é a complexidade, a insegurança e a sonegação, que fazem da tributação o segundo gargalo do no Custo Brasil, com impacto financeiro entre R$ 270 e R$ 310 bilhões ao ano”. A explicação é do conselheiro executivo do Movimento Brasil Competitivo, Rogério Caiuby, a quem a melhor forma de atenuar a situação é a criação do Imposto sobre Valor Agregado, o IVA.

Caiuby explica como o IVA vai ser colocado em prática a partir da provação do texto da reforma tributária. “Denominado IVA Dual, a tributação seguirá o padrão internacional, unificando cinco impostos, federais, estaduais e municipais, (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS), que passarão a ser dois, IVA federal, chamado de Contribuição Sobre Bens e Serviços (CBS) e IVA estadual e municipal, que vai se chamar Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS),” comentou.

Ainda segundo Rogério, com o IVA as alíquotas serão dividias em três grandes grupos, padrão, mais comum, incentivada, para educação, saúde, transportes e outros, e especial para produtos que tragam prejuízos à saúde, bebidas alcoólicas e cigarros.

Ainda segundo o especialista, simplificar o atual sistema de cobrança de tributos do país é vital para impulsionar o crescimento econômico, a partir da redução dos impactos econômicos junto ao setor produtivo nacional, e fortalecer a competitividade do Brasil. Fatores que, para ele, passam, impreterivelmente, pelo avanço da proposta no Senado Federal.

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“A reforma tributária em análise no Senado é única alternativa de simplificação do sistema tributário brasileiro, que permitirá que o país tenha maior competitividade do setor produtivo frente ao mercado mundial. Gerando um ambiente negócio melhor, a criação de empregos e aumento da qualidade de vida da população”, explica o especialista.

Os impactos da complexa carga tributária brasileira

A complexidade do pagamento da carga tributária brasileira é apontada atualmente como responsável por três grandes problemas para as empresas. Primeiro, as estruturas enormes que são necessárias para atender todas as demandas de tributos. Há ainda a insegurança jurídica, já que, mesmo com todo suporte, não é possível garantir que todos os impostos foram pagos da forma correta. E, por fim, a sonegação, com companhias que optam por não efetivar os pagamentos nas datas corretas, esperando o momento que forem autuados pela justiça federal.

Fatores que fortalecem o posicionamento favorável de grande parte dos setores da economia nacional, aos quais a simplificação do sistema tributário vai beneficiar toda a sociedade, a partir da perspectiva de aumento da base arrecadatória, com o retorno de parte dos 40% da economia, que hoje está na informalidade.

Para o deputado e presidente da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo, Arnaldo Jardim, alcançar o tributo padrão ideal para a realidade brasileira ainda é um desafio, mas o texto em tramitação pode ser definitivo para destravar a economia brasileira, que se vê diante do Custo Brasil alcançando o patamar de R$ 1,7 trilhão, resultado de um conjunto de entraves que oneram o ambiente de negócios nacional.

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“As discussões sobre a reforma tributária acontecem há 40 anos. Nesse período o texto foi azeitado e hoje é bem aceito por todos os atores da economia brasileira. Mas temos o grande desafio de chegar nesse tributo padrão ideal, partindo da premissa que não terá acréscimo da massa arrecadada pelo governo”, declarou.

Jardim detalha também que, para além de impactar seriamente a operação de empresas de diversos portes e segmentos, o valor também encarece preços e serviços, comprometendo investimentos e a geração de empregos no país.

“O IVA não resolve todos os problemas, mas é o único caminho consistente para a simplificação do sistema tributário brasileiro, refletindo de forma positiva no Custo Brasil e na vida dos brasileiros. Para se ter uma ideia, devido à complexidade tributária, o tempo gasto no Brasil para a preparação de impostos é de aproximadamente 62 dias e meio, enquanto a média da OCDE é de 6 dias”, concluiu Jardim.

Fonte: FSB Comunicação

Fonte: Portal do Agronegócio

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Segurança jurídica no campo: FPA aponta enfraquecimento de normas fundiárias entre 2023 e 2025

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) avalia que houve enfraquecimento das normas de proteção fundiária no Brasil nos últimos anos. Entre 2023 e 2025, ao menos 15 atos normativos federais alteraram regras relacionadas à questão fundiária, com reflexos diretos sobre o direito à propriedade privada rural, segundo a entidade.

De acordo com o levantamento, parte significativa das medidas promove flexibilizações em procedimentos legais, especialmente no que diz respeito à desapropriação de terras e à regularização fundiária.

Flexibilização de regras levanta preocupações

Entre os pontos destacados está a retirada da exigência de previsão orçamentária para desapropriações. A revogação do memorando-circular nº 01/2019 do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em abril de 2023, e o Decreto 12.002/2024 são citados como exemplos dessa mudança.

Outra medida apontada é o Decreto 11.637/2023, que permite a titulação de terras para pessoas jurídicas, como associações e cooperativas de assentados, além de priorizar a titulação coletiva. Na avaliação da FPA, o modelo pode abrir margem para maior atuação de grupos organizados no acesso à terra via reforma agrária.

Já a Instrução Normativa 132/2023 do Incra ampliou a possibilidade de participação de entidades externas no cadastramento de famílias para o Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA).

Regularização fundiária e entraves legais

A FPA também aponta ausência de regulamentação da Lei 14.757/2023, que trata da regularização fundiária na Amazônia. Sem regulamentação, dispositivos como a atualização de laudos de vistoria antigos não podem ser plenamente aplicados.

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Além disso, normas recentes passaram a incorporar critérios ambientais ao processo fundiário. O Decreto 11.688/2023, por exemplo, direcionou áreas passíveis de regularização para políticas ambientais e retirou o Ministério da Agricultura de instâncias técnicas sobre o tema.

Na mesma linha, a Portaria 1.309/2025 ampliou a participação do Ministério do Meio Ambiente nas atribuições do Incra e permitiu o envolvimento de organizações da sociedade civil em levantamentos fundiários.

Programa Terra da Gente concentra críticas

O Programa Terra da Gente, instituído em 2024, é apontado como o principal eixo da atual política de reforma agrária. Segundo parlamentares da FPA, o decreto que criou o programa apresenta pontos considerados controversos do ponto de vista jurídico.

Entre eles, está a possibilidade de utilização de terras vinculadas a garantias judiciais, como bens penhorados, sem previsão clara de compensação orçamentária. Outro ponto levantado é a previsão de cancelamento de títulos fundiários já emitidos, inclusive em áreas de faixa de fronteira.

A entidade também destaca que o decreto não diferencia propriedades produtivas daquelas que não cumprem função social, tema previsto na Constituição Federal.

Avanço de desapropriações e reação no Congresso

Em março de 2025, sete decretos classificaram áreas como de interesse social para desapropriação. Segundo a FPA, parte dessas medidas pode conflitar com dispositivos legais que restringem assentamentos em áreas invadidas ou em propriedades de porte médio.

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Diante desse cenário, parlamentares protocolaram o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 167/2024, que busca sustar os efeitos do Programa Terra da Gente. A proposta aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Projetos buscam reforçar segurança jurídica

Outras iniciativas legislativas tramitam no Congresso com foco na segurança jurídica no campo. O Projeto de Lei 4.357/2023 propõe definir de forma mais objetiva o conceito de função social da propriedade rural, condicionando sua caracterização ao trânsito em julgado de decisões judiciais em casos de crimes ambientais ou trabalhistas.

Já o Projeto de Lei 8.262/2017 trata da retomada da posse de propriedades invadidas, permitindo ação por parte do proprietário com apoio policial, dentro de prazos estabelecidos.

Outra proposta, o PL 709/2023, prevê sanções administrativas a invasores de terras, incluindo restrições ao acesso a programas públicos, crédito subsidiado e cargos públicos por um período determinado.

Debate segue no centro da agenda do agro

O conjunto de medidas e propostas evidencia que a questão fundiária segue como um dos principais pontos de atenção do agronegócio brasileiro. O debate envolve temas como segurança jurídica, reforma agrária, regularização fundiária e o equilíbrio entre produção, direitos de propriedade e políticas públicas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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