AGRONEGÓCIO

Embrapa seleciona 22 propostas de inovação para suínos e aves

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A revelação das empresas que construirão projetos de inovação em parceria com a Embrapa ocorreu durante o evento “Inova 2023 – Avicultura e Suinocultura do amanhã”, que teve como foco principal debater as principais tendências de inovação para as produções de aves, suínos e ovos. Entre participantes presenciais e on-line, o evento do Inova reuniu mais de 160 profissionais interessados em entender melhor o futuro da avicultura e suinocultura.

O “Inova 2023 – Avicultura e Suinocultura do amanhã” foi dividido em três painéis. O primeiro trouxe as tendências de inovação para a avicultura e suinocultura a partir da visão das agroindústrias. O segundo focou na visão dos produtores e o terceiro na visão do Estado e ciência. “Sem dúvida, inovações ligadas à sustentabilidade, sanidade animal, inteligência artificial e outros temas emergentes já estão provocando transformações”, enfatizou Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). “Também é necessário inovar para fazer com que o país inteiro seja considerado área livre de febre aftosa, situação que o Norte e Nordeste do país ainda não possuem”, completou Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS).

Para o chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Krabbe, o dia foi valioso do ponto de vista das discussões, que foram de extrema importância porque ficou claro o que se espera de inovação nas oportunidades e desafios que as cadeias de aves e suínos têm pela frente. “A palavra que fica disso tudo é sinergia. Esse é o termo que resume tudo. Não podemos mais perder tempo e trabalhar isoladamente. Temos que atuar juntos, juntando forças, unindo os elos das cadeias”, frisou Everton. O diretor-executivo de Pesquisa e Inovação da Embrapa, Clênio Pillon, também esteve presente no evento e destacou que a empresa está olhando com muita atenção a todas as oportunidades de inovação que contribuam cada vez mais com a manutenção e o avanço da pesquisa em prol das cadeias produtivas.

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A Embrapa Suínos e Aves publicará no início de 2024 um estudo sobre tendências de inovação para suinocultura e avicultura com base no que foi debatido durante o evento.

Empresas selecionadas

O Inova 2023 trouxe uma proposta de fomento a projetos de inovação aberta, que está distribuída em quatro etapas. A primeira delas recebeu até 13 de setembro propostas para o edital público voltado a atender demandas de inovação. No total, 40 propostas foram inscritas, que foram analisadas pela equipe técnica, numa segunda etapa, e que chegaram ao número de 22 propostas selecionadas. A partir de novembro, os 22 proponentes selecionados e os pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves formarão equipes para a construção de projetos de inovação, que terão até abril de 2024 para serem apresentados a fontes de financiamento. Entre as fontes de financiamento estão a própria Embrapa (que alocará até R$ 500.000,00 por ano em projetos de inovação do Inova) e o Biopark (centro de inovação sediada em Toledo, no Paraná, que investirá R$ 100.000,00 por projeto do seu interesse).

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O chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, pesquisador Everton Krabbe, destacou que a equipe foi surpreendida com o resultado e o alcance desta edição do Inova. “Superou as nossas expectativas e nos desafia na capacidade orgânica da equipe para a internalização de projetos”.

Os proponentes selecionados foram a NUTRISA – Nutrimento Agropastoril S/A, BTA Aditivos Ltda, Fenix Ambiental, Inmuno, Setor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Biopark Educação, AB Vista Brasil, JF Tecnologia, Inovação e Pesquisa Ltda, Kindra, Roboagro, Glycovam, Algabloom, Embio, Ny Research, Terrabioenergia, ABLUO, SER Brasil, Safeeds, Arqueatec e Wageningen University and Research. Fazem parte deste grupo startups, pequenas, médias e grandes empresas, além de instituições ligadas à ciência e tecnologia. As propostas variam de uso de algas na alimentação animal até soluções computacionais para agilizar o abate e inspeção de suínos.

O Programa Inova é uma realização da Embrapa Suínos e Aves e tem como correalizadores a Prefeitura de Concórdia, INCTECh Incubadora Tecnológica, Pollem Parque Científico e Tecnológico e Biopark e Biopark Educação. Conta também com o apoio da Fapesc, Fapeg e CREA/SC. Como patrocinadores Bronze, o programa tem Sindicarne/ACAV, Kemin, Frimesa e DSM Produtos Nutricionais. No patrocínio Prata, SIPS, ICASA e MSD Saúde Animal. As mídias parceiras são Avicultura Blog, O Presente Rural, Avicultura Industrial, Suinocultura Industrial, AviNews, NutriNews e SuinoBrasil.

Fonte: Embrapa Suínos e Aves

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Vacilos do Trump faz Brasil se aproximar da liderança mundial no agro

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A distância que durante décadas separou Brasil e Estados Unidos no comércio mundial do agronegócio praticamente desapareceu. Em 2025, os norte-americanos exportaram o equivalente a cerca de R$ 883 bilhões em produtos agrícolas, enquanto as vendas brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 871 bilhões. Uma diferença de apenas 1,4% entre dois países que começaram este século em posições muito distantes.

Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram mais do que uma aproximação circunstancial. Enquanto o Brasil ampliou produção, produtividade e presença em novos mercados, as exportações norte-americanas cresceram em ritmo bem menor e passaram a enfrentar dificuldades em destinos estratégicos.

Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou R$ 871 bilhões, considerando a conversão dos valores divulgados oficialmente. Foi o maior resultado da série histórica e representou crescimento de 3% sobre o ano anterior.

Os Estados Unidos encerraram o mesmo período com aproximadamente R$ 883 bilhões em exportações agrícolas.

A diferença de cerca de R$ 12 bilhões é pequena diante do tamanho do comércio dos dois países e mostra quanto a posição relativa mudou.

No início dos anos 2000, as exportações agrícolas americanas eram mais de duas vezes e meia superiores às brasileiras. Em apenas cinco anos, enquanto as vendas externas dos Estados Unidos cresceram aproximadamente 14%, as brasileiras avançaram 68%.

O movimento continua em 2026.

Entre janeiro e julho, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente R$ 533 bilhões, novo recorde para o período. Somente em julho foram cerca de R$ 84 bilhões, também a maior marca já registrada para o mês.

Parte da aproximação pode ser explicada por uma diferença estrutural entre os dois concorrentes.

Os Estados Unidos possuem uma fronteira agrícola praticamente consolidada e enfrentam limitações para aumentar significativamente sua área cultivada. Na pecuária bovina, o rebanho norte-americano está próximo dos menores níveis das últimas sete décadas, situação que reduziu a disponibilidade de animais e aumentou a necessidade de importação de carne.

O Brasil ainda possui maior capacidade de crescimento da produção, seja pela incorporação de áreas já abertas, seja principalmente pelo aumento da produtividade e pela possibilidade de realizar duas ou até três safras na mesma área durante o ano.

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Essa vantagem aparece com clareza na soja.

Brasil e Estados Unidos estão entre os grandes responsáveis pela oferta mundial da oleaginosa, mas o Brasil assumiu a liderança tanto na produção quanto nas exportações e passou a ocupar uma parcela crescente do mercado chinês.

A China é justamente onde a diferença entre os dois países se tornou mais evidente.

Em 2025, os chineses compraram aproximadamente R$ 285 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu sozinho por 32,7% de tudo o que o setor exportou.

No comércio agrícola norte-americano ocorreu o movimento contrário.

A China, que durante anos esteve entre os principais compradores dos Estados Unidos, caiu para a sexta posição entre os destinos do agro americano em 2025. As vendas recuaram 66% em apenas um ano, para aproximadamente R$ 43 bilhões.

O próprio USDA associa essa retração às tarifas recíprocas e à redução das compras chinesas de soja norte-americana.

A disputa comercial entre Washington e Pequim acelerou uma mudança que já vinha ocorrendo por razões produtivas. Diante das tarifas impostas aos produtos americanos, importadores chineses aumentaram a procura por fornecedores alternativos, e o Brasil estava em posição privilegiada para atender essa demanda.

O efeito ultrapassou a soja.

O Brasil ampliou participação internacional em carnes, algodão, milho e outros produtos agropecuários e passou a disputar mercados que historicamente tinham forte presença dos Estados Unidos.

Na carne bovina, a inversão é particularmente significativa. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, enquanto os Estados Unidos, pressionados pela redução de seu rebanho, aumentaram as importações para abastecer o próprio mercado.

Essa situação levou recentemente o governo norte-americano a ampliar em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que poderá entrar no país dentro da cota com tarifa reduzida até o fim deste ano, criando uma oportunidade adicional para fornecedores como o Brasil.

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A política comercial adotada pelo governo Donald Trump acrescentou uma nova variável a essa disputa.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos atingiram também produtos brasileiros e criaram dificuldades para cadeias que dependem mais diretamente daquele mercado. Café, carnes, suco de laranja e determinados produtos industrializados estão entre os segmentos mais expostos às decisões de Washington.

O efeito sobre o conjunto do agronegócio brasileiro, entretanto, é limitado pela diversificação dos destinos.

Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 59 bilhões em produtos do agro brasileiro, equivalentes a 6,7% das exportações do setor. A China comprou quase cinco vezes esse valor.

Essa diferença ajuda a explicar por que medidas comerciais americanas podem provocar impactos severos em determinadas cadeias sem necessariamente interromper o crescimento das exportações do agronegócio como um todo.

Também mostra por que a abertura de mercados passou a ter peso estratégico para o Brasil. Quanto maior o número de compradores disponíveis para carnes, grãos, fibras, café, frutas e produtos processados, menor a dependência de decisões comerciais tomadas por um único país.

Para o produtor rural, a aproximação dos Estados Unidos no ranking mundial não representa apenas uma disputa estatística. Mercados adicionais significam mais alternativas para escoar a produção e podem aumentar a concorrência entre compradores, especialmente nas cadeias em que o Brasil já possui grande excedente exportável.

Há, porém, um risco nessa trajetória. A crescente concentração das vendas brasileiras na China aumenta a exposição às decisões do país asiático. Quase um terço das receitas do agro brasileiro no exterior depende atualmente daquele mercado.

Por isso, o próximo passo da expansão brasileira passa não apenas por vender mais, mas por diversificar compradores e aumentar o valor agregado dos produtos exportados.

A distância para os Estados Unidos, de qualquer forma, nunca foi tão pequena. Depois de décadas perseguindo o maior exportador agrícola do mundo, o Brasil chega à segunda metade de 2026 em condições de disputar uma posição que, no início deste século, parecia muito distante.

Fonte: Pensar Agro

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