Tribunal de Justiça de MT

Judiciário oferece curso de parentalidade a pais e mães envolvidos em ações de família

Publicado em

Visando contribuir com a pacificação social com o uso de ferramentas da Justiça Multiportas, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por meio do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos e Cidadania (Nupemec), oferece cursos de parentalidade a pais e mães envolvidos em processos judiciais que tramitam nas Varas de Família.
 
A iniciativa busca auxiliar essas famílias, que enfrentam conflitos relacionados à ruptura do vínculo conjugal, a criarem uma relação saudável junto aos filhos, tendo como premissa que a família parental jamais acaba e, da mesma forma, as relações de afeto e respeito entre seus membros também deve continuar, tendo como foco o bem-estar emocional e psicológico das crianças e adolescentes.
 
O curso ocorre de maneira virtual e é facultativo aos pais e mães aceitar ou não o convite, que é feito pelos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs) da Capital e de segundo grau. Para resguardar as partes, o mesmo curso é realizado junto aos pais e às mães, porém, em salas virtuais separadas, por profissionais capacitados, os mediadores.
 
No caso de 41 comarcas do interior que não dispõem de Cejusc, o serviço é oferecido pelo Cejusc Virtual Estadual, que na última semana realizou o primeiro curso de parentalidade do semestre, com partes de 25 processos judiciais relativos a divórcio, guarda e pensão alimentícia, oriundos das comarcas de Campinápolis, Brasnorte, Dom Aquino e Novo São Joaquim.
 
Ubiracy Nogueira é um dos servidores que atuam especificamente na justiça restaurativa e atua como instrutor do curso de parentalidade. “O Judiciário tem se preocupado com a Justiça Multiportas. Todas essas sistemáticas de oferecer amparo emocional para as partes nós estamos disponibilizando e a primeira porta é a oficina de parentalidade. E a mediação ajuda muito também. A ideia é trazer informações que possam auxiliá-los nesse processo de separação para que eles tenham foco neles como pessoas. Estando estabilizados e com tranquilidade emocional para poder cuidar dos filhos e tratar das questões jurídicas, como assuntos como guarda, pensão alimentícia, alienação parental”, explica.
 
Ao passarem pelo curso de parentalidade, a ideia é que pais e mães reflitam e passem a ter uma postura de prevenção ao conflito, sabendo utilizar métodos como a comunicação não violenta (CNV), por exemplo. O conteúdo programático também abrange questões como alienação parental, guarda, entre outros. “Saber tratar essa criança como criança. Evitar situações que geralmente acontecem de acreditar que se fizer um jogo diferente para a criança, como trazer eles para o lado deles seja melhor. E não é assim. Eles vão continuar como família parental, não mais como família conjugal. O pai vai ser pai, mãe vai ser mãe, os avós vão ser os mesmos. Vai acrescentar talvez pessoas novas nessa família. A vida continua e esse ser humano que está em construção tem uma carga muito forte nesse processo de separação e os pais são responsáveis por isso”, afirma Ubiracy Nogueira.
 
Avaliações de quem participou – A dentista M.M. participou do curso de parentalidade, no final de junho, e se mostrou surpresa com o serviço oferecido pelo Poder Judiciário. “Eu não sabia o que era, nunca tinha ouvido falar sobre, mas achei muito bacana! Acho até que poderia ter ouvido falar antes porque, querendo ou não, muita coisa já passou e muita coisa que o mediador falou acontece”, disse.
 
A psicóloga C.B. também fez o curso e destacou a importância da experiência para seu aprendizado enquanto mãe. “Foi muito importante e interessante! Por mais que sejam temas já vistos por mim em livros, é sempre bom estar aqui do outro lado e ver o que estamos fazendo certo ou não”, diz. Ela destaca ainda a necessidade de estar atento às atitudes que podem impactar na formação dos filhos. “O amor e a empatia tem que prevalecer porque com crianças nós estamos construindo cidadãos que nós vamos entregar para o universo. E quem são esses homens e essas mulheres que nós vamos entregar para o universo? Os rasgos que ficam, as falas pesadas que ficam, mesmo tentando se suturar aquilo ali, nós entregamos sujeitos lesionados para a vida”, avalia.
 
No lado dos pais que participaram do último curso, realizado no final de junho, C.C., acredita que a iniciativa do Poder Judiciário seja válida. “Tem uma boa contribuição. Cada caso é um caso, cada ser humano trata de um jeito. Mas quando a pessoa está buscando realmente amenizar o conflito e o maior interesse é o bem-estar da criança, é muito válido sim”.
 
Já o pai F.C. destaca a aplicabilidade prática do que foi debatido no curso. “A maioria das coisas que foram passadas, como o quesito de presença, de evitar conflitos, como brigas na frente dos filhos, tem que ter essa visão de evitar esse tipo de situação. A criança observa 24 horas, o trabalho da criança é ser criança, então a gente tem que frear um pouco para trazer um bom exemplo para nossos filhos”, afirma.
 
Ele comenta ainda que os ensinamentos do curso de parentalidade servem não só para quem está vivendo um conflito familiar, mas também para quem ainda sequer formou família, como forma de se desmistificar tabus. “Esse tipo de coisa deveria ser passado nas escolas, desde o ensino médio para as pessoas se prepararem para os relacionamentos porque é uma coisa que você descobre só quando acontece. Quando tem filho é uma complicação maior. Acho que ninguém está preparado porque nunca é explicado. É uma visão muito romântica familiar”.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: Captura de tela que mostra, na parte superior, em quadrinhos pequenos, os participantes do curso on-line e, abaixo, no quadro maior, um slide da aula que mostra um menino agachado, escondendo o rosto entre os braços cruzados, aparentando estar triste. No slide se lê: “Pior pesadelo do filho é conflito intenso dos pais: brigam na frente dos filhos, falam mal um do outro, usam os filhos como mensageiros, usam os filhos para se vingar do outro, usam os filhos como espiões”.
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Leia Também:  Secretários do Supremo Tribunal Federal palestram no Encontro de Vice-Presidentes no TJMT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário lança página no portal do TJMT

Published

on

A Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso lançou sua página no portal do TJMT, durante o evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado nos dias 15 e 16 de abril. Agora, os públicos interno e externo ao Tribunal de Justiça podem acessar acessibilidade.tjmt.jus.br e conferir todas ações da Comissão, bem como entrar em contato com seus membros.
A juíza auxiliar da Vice-presidência, Alethea Assunção Santos, fez a apresentação da página na internet durante o evento. “O portal da Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso tem a finalidade de apresentar as iniciativas, ações, capacitações, os projetos da Comissão e também é um repositório de atos normativos, de leis e das notícias relativas às ações. Então é uma forma de difundir o trabalho da Comissão”, explica.
Mulher de cabelos longos posa sorrindo em primeiro plano. Ao fundo, palco com cadeiras e telão verde do evento TJMT Inclusivo, com pessoas desfocadas ao redor.Conforme a magistrada, a criação da página demonstra o compromisso da Comissão em fomentar a construção de uma política institucional mais inclusiva. “O Poder Judiciário precisa olhar para o jurisdicionado, abrindo as possibilidades para aqueles que têm alguma deficiência, mas também olhar para o servidor, nos atendo às barreiras arquitetônicas e outras dificuldades daquele servidor e também do público externo. A Comissão tem essa função de compreender quais são essas necessidades específicas e trabalhar para reduzir esses empecilhos e garantir a acessibilidade e a inclusão”, defendeu.
A página da Comissão conta com a sessão “Fale Conosco”, onde estão disponíveis os canais de contato. “Esperamos que a população acesse, entre em contato conosco, mande dicas, sugestões e que, assim, a gente possa manter o portal ativo”, convida a juíza Alethea Assunção.
A página da Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso está no portal do Tribunal de Justiça, no espaço dedicado aos portais temáticos, conforme a imagem ao lado.
Leia também:

Do silêncio à representatividade: trajetória de educadora sensibiliza no TJMT Inclusivo

Leia Também:  Poder Judiciário de Mato Grosso

Quando saúde e educação não dialogam, direitos são comprometidos, alerta advogado no TJMT Inclusivo

Capacitação no Judiciário aproxima da realidade pessoas com deficiência e amplia atuação inclusiva

Desafios invisíveis do autismo são tema de palestra no TJMT Inclusivo

Palestra destaca papel da educação na identificação e acolhimento de pessoas com autismo

Fibromialgia evidencia limites da acessibilidade e reforça debate sobre inclusão no Judiciário

Vendas nos olhos e novas percepções: palestra provoca reflexão sobre a pluralidade das deficiências

Curatela e autonomia de pessoas autistas desafiam decisões judiciais

TJMT Inclusivo atrai mais de 1,5 mil pessoas em capacitação sobre direitos das pessoas autistas

Romantização do autismo pode comprometer invisibilizar desafios reais, alerta especialista

‘Educação e saúde, ou caminham lado a lado ou falham juntas’, assevera advogado no TJMT Inclusivo

Palestra traz realidade de famílias atípicas e desafios para garantir direitos

Promotora de justiça aborda avanços e desafios na garantia de direitos de pessoas autistas

Judiciário de MT abre programação voltada aos direitos das pessoas com deficiência

Leia Também:  Poder Judiciário de Mato Grosso

Autor: Celly Silva

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA