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Pontes e Lacerda passa a contar com Sala da Mulher para acolher vítimas de violência

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A Polícia Militar de Mato Grosso, por meio do 12º Comando Regional, sediado em Pontes e Lacerda (a 448 km a oeste de Cuiabá), em conjunto com a Coordenadoria de Polícia Comunitária e Direitos Humanos da (CPCDH), inaugurou a “Sala da Mulher”, no âmbito do Programa “Patrulha Maria da Penha”. O espaço foi criado com o objetivo principal de prestar atendimento especializado, em um ambiente acolhedor, visando receber e ouvir de forma humanizada mulheres vítimas de violência doméstica.
 
A solenidade de inauguração ocorreu quinta-feira (25) e contou com a presença da juíza substituta Djéssica Giseli Küntzer, designada para a Terceira Vara Criminal de Pontes e Lacerda, que enfatizou a importância dessa iniciativa: “A delegacia de Pontes e Lacerda já possui um Núcleo de Atendimento à Mulher Vítima de Violência Doméstica. A Sala da Mulher da PM vem para completar uma rede de atendimento às vítimas. De certa forma, é uma vitória para a Comarca, porque nem todos os lugares contam com salas específicas para esse acolhimento das vítimas, o que impede que muitas mulheres denunciem o agressor com receio de sofrerem algum constrangimento.”
 
A tenente-coronel PM Emirella Martins, coordenadora da CPCDH, informou que a sala conta com uma brinquedoteca, especialmente construída e dedicada às crianças que eventualmente acompanham suas mães ou que também já foram vítimas de algum tipo de violência. “No contexto de violência contra às mulheres, observamos que a estrutura de atendimento à mulher em vários municípios do interior do Estado é bem diferente do disposto na Capital. Neste sentido, de pronto esta Sala de Atendimento à Mulher pela Patrulha Maria da Penha da PMMT garantirá um espaço seguro, acolhedor e propício para o recebimento de denúncias de violências contra às mulheres, bem como realizar o acompanhamento daquelas já acolhidas pelo programa de proteção Patrulha Maria da Penha”, explicou.
 
“Além disso, também ofertará aos nossos policiais militares, condições adequadas para realizarem seu trabalho com foco no atendimento humanizado e no compromisso institucional de servir e proteger a sociedade, nesta, inclusa a mulher em situação de violência. A inauguração da sala também propiciará uma ampliação no diálogo sobre a temática, fortalecimento da rede de enfrentamento, em especial, nas ações preventivas e pela promoção de uma cultura de paz nas relações de gênero”, completou a coordenadora.
 
Na Sala da Mulher, serão atendidas vítimas encaminhadas pelo Poder Judiciário ou que comparecerem à Polícia Militar para fazer a denúncia. Esse espaço foi projetado para oferecer um ambiente seguro, acolhedor e livre de julgamentos, proporcionando às mulheres um local onde se sintam confortáveis para relatar os abusos sofridos e buscar a proteção e amparo devidos.
 
A inauguração da Sala da Mulher em Pontes e Lacerda é uma iniciativa para fortalecer a rede de proteção às vítimas de violência doméstica na região. Além disso, demonstra o compromisso das autoridades e instituições locais em combater esse grave problema social, fornecendo um atendimento adequado para as mulheres que precisam de auxílio nesses momentos difíceis.
 
#Paratodosverem: Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: Foto colorida da fachada da sala.
 
Alcione dos Anjos
Assessoria de Comunicação CGJ-MT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Especialista destaca papel da leitura na ressocialização: “Uma biblioteca precisa ter vida”

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Foto horizontal que mostra um carrinho cheio de livros, em primeiro plano. Em segundo plano, desfocado, aparece a sala de aula com mulheres privadas de liberdade sentadas nas carteiras. A formação de acervos bibliográficos adequados à realidade das pessoas privadas de liberdade e o trabalho desenvolvido pelos profissionais da educação foram apontados como fatores essenciais no fortalecimento dos projetos de remição de pena pela leitura durante a III Capacitação – Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição de Pena, realizada nesta terça-feira (2) pelo Poder Judiciário Estadual, em formato virtual. O evento prossegue nesta quarta-feira (3).

Promovido pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), pela Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Secretaria de Estado de Educação) e pelo Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/SAAP/Secretaria de Estado de Justiça), o evento reuniu profissionais que atuam nas unidades prisionais de Mato Grosso para debater estratégias de ampliação do acesso à leitura e à educação no cárcere.

Durante a palestra “A Importância da Formação de Coleções de Livros na Unidade Prisional Para a Remição pela Leitura”, a bibliotecária e chefe da Biblioteca Central da Secretaria de Administração Penitenciária do Amazonas, Andrea Oliveira Melo, destacou que uma biblioteca prisional deve ser planejada a partir das necessidades do público atendido e não apenas como um espaço destinado ao armazenamento de livros.

Com experiência na área desde 2012, a especialista ressaltou que a construção de um acervo eficiente exige planejamento, seleção criteriosa e atualização constante das obras disponibilizadas.

“A formação de coleções é fruto de um processo de planejamento. Precisamos decidir o que fará parte daquele acervo e compreender que uma biblioteca não é apenas um local com estantes e livros. Para ser uma biblioteca viva, ela precisa ser utilizada e ter foco nas pessoas que atende. Isso envolve seleção, qualificação, validação e até mesmo a retirada de materiais que já não atendem às necessidades daquele público”, explicou.

A palestrante lembrou que a Lei de Execução Penal determina que todas as unidades prisionais devem possuir biblioteca para atender as pessoas privadas de liberdade e destacou que o acesso ao livro representa uma importante ferramenta de inclusão e reinserção social.

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“O livro serve para aproximar a pessoa novamente da sociedade. Quando lemos, vivenciamos histórias, ampliamos horizontes e construímos novos conhecimentos. Por isso, precisamos compreender as particularidades da população prisional, que muitas vezes teve acesso limitado à educação e aos bens culturais ao longo da vida”, afirmou.

Andrea também chamou a atenção para os desafios enfrentados no Amazonas em razão das grandes distâncias geográficas e das condições de acesso às unidades prisionais. Segundo ela, apesar das dificuldades, o objetivo permanece o mesmo: garantir que a leitura alcance todos os custodiados, independentemente de estarem matriculados em atividades escolares formais.

Ao apresentar os resultados alcançados pelo sistema prisional do Amazonas, Andrea Oliveira Melo destacou que os projetos de remição pela leitura já beneficiaram 3.974 pessoas privadas de liberdade, conforme dados atualizados até maio de 2026.

A especialista também alertou para a importância da seleção adequada dos materiais disponibilizados aos leitores, especialmente no caso de obras técnicas, que exigem acompanhamento criterioso para garantir que atendam aos objetivos educacionais e de ressocialização previstos nos projetos de leitura.

Durante a palestra, Andrea compartilhou experiências exitosas desenvolvidas nas unidades prisionais do Amazonas, entre elas iniciativas de incentivo à leitura, campanhas de arrecadação de livros e parcerias institucionais voltadas ao fortalecimento dos acervos bibliográficos.

Outro exemplo apresentado foi a parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio de um projeto de extensão que teve início no Centro de Detenção Feminino e atualmente também é desenvolvido em unidade masculina.

“Hoje contamos com cerca de 15 estudantes envolvidos. O mais interessante é que, além de trabalharmos a reescrita e a produção textual, todos os livros utilizados nas atividades são posteriormente doados para as bibliotecas prisionais, contribuindo para ampliar os acervos disponíveis”, explicou.

Ao encerrar sua participação, a bibliotecária compartilhou uma reflexão que, segundo ela, traduz o significado da leitura dentro do sistema prisional:

“Podem aprisionar meu corpo, mas enquanto houver um livro, minha mente será livre.”

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Sobre a mesa, um caderno aberto com anotações manuscritas é preenchido com atenção por uma pessoa. Ao lado, livros empilhados, incluindo obra de Clarice Lispector, indicam estudo e reflexão em ambiente de leitura orientada.Papel dos pedagogos

A programação contou ainda com a apresentação da professora Maísa Miranda, servidora da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso e responsável pela educação prisional no estado, que detalhou as atribuições dos profissionais da educação envolvidos nos projetos de remição pela leitura.

Segundo ela, os pedagogos exercem papel estratégico na organização das atividades e no acompanhamento dos participantes, especialmente nas unidades em que não há coordenador pedagógico ou integrador curricular.

“Os profissionais atuam na mediação das atividades de remição pela leitura, promovem oficinas, orientam os participantes na elaboração dos relatórios de leitura e auxiliam em diversos processos educacionais dentro das unidades prisionais”, explicou.

Maísa destacou ainda que, diante da inexistência de um sistema informatizado para controle dos acervos, os pedagogos também desempenham funções relacionadas à gestão dos livros e ao acompanhamento dos estudantes privados de liberdade.

Entre as atribuições estão a organização dos empréstimos, o incentivo às práticas de leitura, o apoio aos processos de matrícula e a articulação com as escolas de referência para atualização de informações sobre transferências e alvarás de soltura.

“O sucesso do projeto depende do engajamento dos docentes e também da comissão de validação. É um trabalho construído em parceria, sempre com o objetivo de garantir oportunidades de aprendizagem e contribuir para a reinserção social das pessoas privadas de liberdade”, concluiu.

Coordenada pelo juiz auxiliar do GMF/TJMT, Pierro de Faria Mendes, a capacitação integra as ações desenvolvidas pelo Poder Judiciário e instituições parceiras para fortalecer a política de educação prisional e ampliar o acesso à remição de pena pela leitura em Mato Grosso.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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