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Projeto ELO: Escolas de Barra do Garças recebem os Círculos de Construção de Paz

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É exatamente por acreditar que a construção da paz é um processo contínuo, onde valores como respeito, acolhimento e a própria paz podem ser ensinados e aprendidos, que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso construiu uma agenda inteiramente voltada à aplicação dos Círculos de Construção de Paz, durante o Projeto ELO, no município de Barra do Garças (500 km a nordeste de Cuiabá).
 
Como já é tradicional, a ‘Semana de Práticas Restaurativas’ tem a meta de promover a realização do maior número possível de círculos de paz como atividade prática para os facilitadores em formação, e como estratégia de divulgação e fortalecimento da Justiça Restaurativa, trabalhada principalmente no ambiente escolar como ferramenta de pacificação e mudança de comportamento.
 
A agenda também contou com a realização da palestra “Princípios e Valores Restaurativos nas Políticas Públicas”, ministrada pela assessora de Relações Institucionais do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur), Katiane Boschetti da Silveira, para servidores e coordenadores do Poder Judiciário, professores da rede pública de educação e gestores municipais.
 
Temas como bullying, respeito, acolhimento e empatia foram trabalhados por facilitadores formados pelo Nugjur, com o objetivo de pacificar as relações, prevenir conflitos e combater a evasão no ambiente escolar. As atividades estiveram concentradas nos Centros Municipais de Educação Básica (CMEBs) Dona Delice Farias dos Santos e João Alves do Santos, na Escola Municipal Padre Sebastião Teixeira de Carvalho, nas Escolas Estaduais Jardim Araguaia e José Ângelo dos Santos, na Escola Interativa Coopema, no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) ‘São José’, no Centro Universitário do Vale do Araguaia (Univar), e no Fórum de Barra do Garças, com a participação de servidores e servidoras do Poder Judiciário lotados nos Polos de Barra do Garças e São Félix do Araguaia. 
 
Professora há mais de 12 anos, Daniela Sperotto tem realizado um trabalho para motivação de crianças e adolescentes a partir da inclusão dos Círculos de Construção de Paz como parte das atividades pedagógicas, ofertadas durante o turno escolar, em unidades da rede estadual e privada de ensino. Daniela é facilitadora de círculos há pelo menos seis anos, e afirma que o simples respeito ao direito de fala e escuta promovido dentro dos círculos, por si só, carrega consigo o princípio da cura do trauma.
 
“O círculo é extraordinário exatamente pelo potencial de ser um braço forte da Justiça Restaurativa na comunidade. Ele traz consigo o pertencimento, e é no pertencimento que conseguimos ver as dores e os anseios de cada um dos nossos alunos, e é a partir dessa informação, que conseguimos acessar seus sentimentos, fazendo com que eles se enxerguem pertencentes do círculo, pertencentes desse espaço que é a escola, e que se reconheçam como parte ativa e integrante da comunidade em que vivem. O princípio do processo de cura está no ouvir e no falar, e a escola acaba sendo esse espaço seguro de fala, que eles não têm em casa”, defendeu Daniela.
 
Para o juiz coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Comarca de Barra do Garças, Carlos Augusto Ferrari, a presença da presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Clarice Claudino da Silva, que também é presidente do Nugjur, e uma das principais entusiastas da política de paz em Mato Grosso, fortalece e estimula o trabalho realizado pelas comarcas. 
 
“A presença do Tribunal de Justiça no município, onde estão reunidas todas as comarcas da região, significa como que um abraço simbólico em cada dos nossos servidores e principalmente da população que tanto necessita das entregas realizadas pelo Judiciário. O ELO sem dúvida é a materialização do respeito que o Judiciário tem por seus servidores e pela população, e certamente que o plantio realizado pela Justiça Restaurativa representa terreno fértil para uma nova sociedade, construída gradativamente, tijolo por tijolo”, concluiu o magistrado.  
 
Para o gestor geral do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur), Rauny Viana, a aplicabilidade que os círculos têm e a capacidade de se adequar ao público e as necessidades específicas desse público, garantem condições para que a ferramenta seja aplicada no cuidado de crianças desde a primeira infância, passando pelo ensino fundamental até o ensino médio, e inclusive, em processos judiciais.
 
“Quando trabalhamos com as escolas, com suas peculiaridades e características próprias, o potencial de aplicação que os círculos nos dá é imenso, e isso abre uma gama enorme para trabalharmos temas delicados, especialmente na área relacional, somando com a construção de valores e princípios trabalhados pela escola e ofertados à sociedade como resultado de uma grande construção conjunta. Entendemos que jovens e adolescentes com valores humanos mais aflorados darão frutos maiores dentro da sociedade, como pessoas que enxergam além daquilo que a sociedade traz para ele, mas principalmente, sobre aquilo que ele vai responsavelmente entregar de volta à sociedade”, avaliou Rauny Viana.
 
O município de Barra do Garças já dispõe da lei municipal nº 4.736, de 12 de setembro de 2023, que instituiu o Programa Municipal de Práticas de Construção da Paz nas Escolas e prevê a aplicação dos Círculos de Construção de Paz em projetos e ações ligadas a rede pública municipal, realizados em parceria com o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc). Também foi firmado o termo de cooperação técnica, que, entre outras orientações, formaliza a parceria com o Poder Judiciário e disciplina o desenvolvimento das atividades.
 
#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: Círculo de Paz no Centro Municipal de Educação Básica Dona Delice Farias dos Santos. Segunda imagem: Professora e facilitadora Daniela Sperotto. Terceira imagem: Juiz coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania de Barra do Garças, Carlos Augusto Ferrari. Quarta imagem: Gestor Geral do Nugjur Rauny Viana.
 
Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa – TJMT
Foto: Alair Ribeiro  
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Projeto alagoano que usa leitura para transformar vidas no cárcere é apresentado no TJMT

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Captura de tela de uma reunião virtual com várias participantes em videoconferência. No centro, um homem de barba e óculos aparece em destaque falando durante o encontro online.Um projeto que começou com 40 mulheres dentro de um presídio e hoje alcança mais de seis mil pessoas privadas de liberdade (PPL) em todo o estado de Alagoas foi o tema da segunda palestra da capacitação “Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena”, realizada nesta terça-feira (2) pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SEDUC-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUS-MT).

A professora e pedagoga Juliana Alves, da 16ª Vara de Execuções Penais de Maceió e coordenadora do projeto Uniliberdade, apresentou a experiência “Livros que Libertam: Educação, Leitura e Transformação no Sistema Prisional Alagoano”, considerado um dos maiores projetos educacionais do sistema prisional alagoano.

A iniciativa é desenvolvida pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do Tribunal de Justiça de Alagoas (GMF/TJAL) e tem por base a Resolução CNJ nº 391/2021, que estabelece diretrizes nacionais para a remição de pena por meio da leitura.

Da cela para o pódio nacional

O projeto nasceu em 2022 no Presídio Feminino Santa Luzia, com três pilares fundamentais: remição de pena, com a compensação de quatro dias por ciclo mensal avaliado, estímulo crítico à autonomia intelectual do leitor e respeito rigoroso aos ritos de segurança das unidades prisionais.

O crescimento foi rápido e expressivo: em apenas cinco meses, 71% da população carcerária feminina haviam ingressado no programa. Para expandir a iniciativa para outras unidades, a equipe criou a figura do monitor de leitura, um detento capacitado para divulgar o projeto, controlar a distribuição dos livros e facilitar as atividades de leitura diretamente nas alas prisionais. Com o tempo, o projeto tornou-se uma extensão universitária que qualifica voluntários dentro das prisões, atividade que também conta para a remição de pena.

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A ausência de bibliotecas em muitas unidades foi contornada com criatividade: as atividades passaram a ser realizadas diretamente nas celas, levando a leitura a quem não poderia se deslocar até um espaço específico.

Campanha arrecadou mais de 27 mil livros

Para garantir acervo suficiente, o Tribunal de Justiça de Alagoas e a Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social lançaram uma campanha estadual de doação de livros. Os próprios detentos construíram as caixas coletoras de madeira, que foram distribuídas em pontos estratégicos do estado. A resposta da sociedade superou as expectativas: mais de 27 mil exemplares foram doados, e hoje as doações chegam de forma sistemática.

Na fase de consolidação, entre 2024 e 2025, o projeto registrou mais de quatro mil participações mensais validadas e atingiu mais de 60% de toda a população prisional de Alagoas, número que caminha para 6 mil participantes ativos.

O resultado colocou Alagoas no 1º lugar nacional em alfabetização prisional e no topo das remições por leitura homologadas pelo Sistema Nacional de Informações Penais (Sisdepen) e pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen). Como inovação tecnológica, o projeto migrou para o Kindle em uma unidade piloto, permitindo que 154 reeducandos acessassem mais de 1.200 títulos literários de forma digital, ampliando a autonomia do leitor e eliminando barreiras logísticas de distribuição física.

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Capacitação nacional promovida pelo TJMT

A apresentação integra a terceira edição da capacitação “Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena”, realizada de forma virtual pela plataforma Teams. O evento é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do TJMT (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja) da Secretaria de Estado de Educação – Seduc-MT e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (Nesp/SAAP) da Secretaria de Estado de Justiça – Sejus-MT. A coordenação é do juiz auxiliar do GMF/TJMT, Pierro de Faria Mendes.

A capacitação tem como objetivo preparar professores, pedagogos e outros profissionais para implementar práticas de leitura nos estabelecimentos penais, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com as normativas do Conselho Nacional de Justiça.

Autor: Roberta Penha

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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