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Poder Judiciário e órgãos parceiros reestruturam Comitê PopRuaJud em conformidade com CNJ

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Dezenas de pessoas sentadas em cadeiras assistem a uma apresentação em sala institucional. Um homem de terno fala ao público, no microfone.Em um esforço conjunto para garantir direitos fundamentais e dignidade a quem vive à margem da sociedade, a Escola dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso sediou, na semana passada, uma reunião estratégica para a reestruturação do Comitê Local Interinstitucional – PopRuaJud. Sob a liderança do desembargador Mário Kono, o encontro reuniu representantes de diversos ramos da Justiça, do Ministério Público, da Defensoria Pública e de secretarias estaduais e municipais para alinhar ações de cidadania em conformidade com a Resolução nº 425/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O foco principal foi organizar a rede de atendimento por meio de um sistema “multiportas”, que busca oferecer soluções integradas de saúde, assistência social, documentação e empregabilidade. Participaram ativamente órgãos como o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Justiça Federal, Ministério Público Federal e Estadual, além das secretarias de Assistência Social de Cuiabá e do Estado, de Saúde e de Habitação.

Durante a abertura, o desembargador Mário Kono enfatizou que a união de esforços é o único caminho para a eficiência. “Nosso objetivo hoje não é resolver o problema da população em situação de rua de forma individual, mas formar uma estrutura, formar um esqueleto, de forma que vamos poder atuar sempre com mais eficiência, com menos custo e mais efetividade”, afirmou o magistrado.

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Mulher negra de cabelos crespos sorri amplamente. Veste camiseta rosa com logotipo do Movimento População de Rua e jaqueta jeans.A representante do movimento da população de rua, Franciele Costa Mateus Rattacaso, que viveu na pele essa realidade por mais de um ano, trouxe um olhar crítico e necessário sobre a urgência de soluções habitacionais. “Como que a pessoa vai arrumar o emprego sem ter um endereço? Porque o acolhimento não serve de endereço. Como que ele vai tratar uma tuberculose se ele não tem um lugar para repousar? O foco é uma habitação”, cobrou Franciele, destacando que o Estado tem o dever de olhar para o ser humano além do vício em drogas.

Para a secretária de Assistência Social de Cuiabá, Hélida Vilela de Oliveira, o apoio do Judiciário é fundamental para dar segurança jurídica ao trabalho em rede, especialmente em casos complexos de saúde mental e dependência química. “A nossa pasta é a principal porta de entrada para assistir as pessoas em situação de rua. Muita coisa acaba recaindo sobre a assistência social e que de fato não é da competência, nem atribuição da assistência social, como o trabalho com pessoas em situação de drogadição e transtornos mentais”, explicou a secretária, celebrando a integração dos órgãos.

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Homem de cabelos escuros, veste terno azul, fala ao microfone. Ao fundo, tela exibe videoconferência com vários participantes.Mutirão PopRuaJud

Um dos desdobramentos práticos da reunião foi o anúncio do próximo mutirão PopRuaJud em Cuiabá, agendado para o dia 27 de agosto, no Ganha Tempo da Praça Ipiranga. O evento oferecerá uma gama de serviços em um só lugar, desde a regularização de documentos e benefícios previdenciários, até atendimentos de saúde e orientação jurídica.

Para garantir o sucesso da ação e a continuidade do trabalho, o comitê definiu a criação de seis eixos temáticos ou subgrupos, que se reunirão mensalmente para tratar de pautas específicas como acolhimento, saúde, documentação e empregabilidade. “Precisamos de continuidade em nossas ações”, defendeu o desembargador Mário Kono, ressaltando que o comitê deve ser um organismo vivo e permanente.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Lucas Figueiredo

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Estereótipos de gênero podem gerar injustiças no Direito de Família, alerta juíza

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Mulher de blazer preto fala ao microfone diante de plateia sentada. Ao fundo, telão com slide sobre campanha e banner do CEMULHER - Coordenadoria Estadual da Mulher“Não existe pai herói por fazer o que é sua obrigação, nem mãe menos dedicada por trabalhar fora”. A reflexão marcou a palestra da juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, titular da 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, durante a capacitação das Equipes Multidisciplinares das Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, realizada na tarde desta quarta-feira (15) pelo Poder Judiciário de Mato Grosso.
Com o tema “Estereótipos de Gênero no Direito de Família”, a magistrada chamou a atenção para a necessidade de psicólogos, assistentes sociais e demais profissionais reconhecerem e romperem padrões culturais que ainda influenciam decisões judiciais e atendimentos às mulheres em situação de violência.
Segundo a juíza Ana Graziela, a ideia de que a mulher deve ser sempre a principal cuidadora dos filhos, enquanto o homem ocupa exclusivamente o papel de provedor, ainda provoca julgamentos que podem comprometer a imparcialidade dos processos. “A gente não pode taxar as pessoas por um estereótipo. O pai não é herói por cuidar do filho, porque isso é obrigação. Da mesma forma, a mulher não deixa de ser uma boa mãe porque trabalha o dia inteiro ou conta com uma rede de apoio para cuidar das crianças”, afirmou.
Plateia sentada assiste palestra em auditório. Ao fundo, palestrante de preto fala ao microfone diante de telão com slide e banner do CEMULHER.Atendimento sem julgamentos
Durante a palestra, a juíza explicou que esses estereótipos podem resultar em violência processual, quando preconceitos e ideias pré-concebidas interferem na forma como mulheres são ouvidas, acolhidas e avaliadas pelo sistema de Justiça.
Ela destacou que é preciso evitar perguntas e conclusões que responsabilizem a vítima pela violência sofrida ou coloquem em dúvida sua credibilidade. “Não adianta essa mulher ser vítima em casa e, quando chega ao Fórum, sofrer um outro tipo de violência praticada pelo próprio poder público. Ela precisa encontrar acolhimento, não julgamento”, comentou.
Ao abordar a evolução histórica dos direitos das mulheres, Ana Graziela lembrou que muitos padrões sociais foram construídos ao longo dos séculos e ainda se refletem nas relações familiares e nas decisões judiciais. Por isso, defendeu que magistrados e equipes técnicas utilizem o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como instrumento para reduzir vieses e garantir decisões mais justas.
Como mensagem final aos participantes, a magistrada reforçou que empatia e imparcialidade devem orientar a atuação de todos os profissionais que lidam com famílias e mulheres em situação de violência. “Precisamos quebrar os estereótipos de gênero. Um laudo deve ser construído sem julgamentos e baseado na realidade dos fatos. Quem trabalha com essas famílias precisa compreender o contexto em que elas vivem e atuar com empatia para evitar novas formas de violência”, concluiu.

Autor: Roberta Penha

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Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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