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Na Expedição, aposentados descobrem descontos indevidos e recebem orientação para recuperar direitos

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Entre os atendimentos previdenciários da 7ª Expedição Araguaia-Xingu, histórias como as de Isaías e Euclides revelam a importância da presença do Judiciário nas comunidades mais afastadas.

Isaías da Costa Athaides, 76 anos, conhecido como “Isaías Violeiro”, chegou acompanhado da esposa Maria Athaides e buscava entender descontos que apareciam todos os meses na aposentadoria. Cobranças indevidas foram identificadas e o casal registrou um boletim de ocorrência para que o caso seja investigado e revertido, tudo feito ali mesmo com a parceria da Polícia Judiciária Civil. “A gente batalha a vida inteira. Quando vem a aposentadoria, ainda tiram da gente…”, desabafou Isaías. “Agora vai resolver”, complementou.

O mesmo ocorreu com Euclides Ferreira Carvalho, 76 anos, que havia ido apenas para atualizar a identidade. Durante a consulta, a equipe descobriu um desconto mensal, que ele nunca havia percebido. “A gente não conhece nada, até tem medo… Mas aqui ele me explicou tudo certinho. Agora vai resolver”, contou.

Acesso à saúde – Da leitura das embalagens ao cuidado com a saúde, enxergar bem é condição básica para viver com autonomia. Mas, em regiões onde a consulta com um oftalmologista é distante e cara, corrigir a visão acaba sendo um sonho adiado por anos. Durante a 7ª Expedição Araguaia-Xingu, promovida pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, esse sonho finalmente saiu do papel para centenas de moradores, como a dona de casa Ana Maria Santos Souza, 69 anos, e o lavrador Manuel de Souza Lima, 71 anos, que chegaram à ação com a vista cansada e voltaram para casa com a consulta oftalmológica em dia e um novo par de óculos escolhido na hora. “Se não fosse esse evento, eu ainda tava com o grau atrasado há anos. Nota 10”, disse ela. “O doutor falou: ‘Vamos ver esse exame’. Aí mandou fazer um óculos pra perto e outro pra longe. E agora é gratuito, zero valor”, comemorou ele.

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Enquanto isso, Geralda Camelo Barbosa, 50 anos, conseguiu, em dois dias de Expedição, tudo aquilo que vinha adiando há anos: atualizou a identidade, fez exame de vista, garantiu um novo óculos e cuidou da saúde bucal. “Ontem eu restaurei um dente e hoje fiz a limpeza. Graças a Deus, arrumei tudo aqui”.

Além dos documentos em dia, Genival de Freitas Silva, 42 anos, também saiu com novo exame oftalmológico. “Precisava demais. Consegui entender o que era esse embaçamento todo. Agora vou enxergar até pensamento”, brincou.

Ludilene Ribeiro de Souza, 30 anos, tentava há meses tirar a identidade dos filhos, sempre sem sucesso e com perda de dias de aula. Na Expedição, tudo mudou. “Tirei as identidades, fiz a biometria, passei pelo médico e fiz o teste rápido de saúde. Ainda vou no dentista. Aqui na porta de casa é outra coisa”, agradeceu.

Quem também aproveitou a Expedição para colocar a saúde bucal em dia foi Raimundo Nonato, de 68 anos, chegando por volta das 6h30. “Fui muito bem atendido”.

Programação – Durante quase duas semanas, a segunda etapa da 7ª Expedição Araguaia-Xingu cruzou as estradas do Vale do Araguaia levando serviços e cidadania a diferentes comunidades da região. Entre 5 e 12 de novembro, as equipes estiveram em três pontos do nordeste mato-grossense — a Agrovila Jacaré Valente e o Distrito de Veranópolis, em Confresa, e o Distrito de Espigão do Leste, em São Félix do Araguaia. Nesse período, além de orientação jurídica, foram ofertados serviços como emissão e atualização de documentos (RG, CPF, Certidão de Nascimento e Título Eleitoral), consultas de saúde, vacinação, exames de vista e atividades recreativas e educativas.

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Parceria – A iniciativa foi coordenada pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, com estrutura de serviços do próprio Judiciário por meio do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur), Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) e Juizado Volante Ambiental (Juvam).

Também integraram a ação uma ampla rede de parceiros: Defensoria Pública, Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), Ministério Público de Mato Grosso, Politec, Justiça Federal, Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), Polícia Judiciária Civil (PJC), Companhia de Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros Militar, Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Secretaria de Estado de Saúde (SES), Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel).

Autor: Talita Ormond

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Curso “Pena Justa no Ciclo Penal” fortalece atuação humanizada no sistema penitenciário de MT

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Magistrados(as), servidores(as) e gestores(as) judiciais concluíram nos dias 29 e 30 de abril o primeiro módulo da capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal”, promovida pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso.

A formação integra a estratégia institucional voltada ao aperfeiçoamento da atuação judicial no sistema penal, com foco em práticas mais eficientes, humanizadas e alinhadas aos direitos fundamentais. Durante os dois dias de atividades presenciais, foram debatidos temas como medidas diversas da prisão, execução penal, políticas de cidadania, inspeções judiciais e atenção a populações com vulnerabilidade acrescida no ciclo penal.

O diretor da Esmagis-MT, desembargador Márcio Vidal destacou que a Esmagis e o Poder Judiciário cumprem papel essencial na formação continuada da magistratura e no aprimoramento institucional.

“A execução penal exige uma jurisdição mais consciente e comprometida com a realidade humana do sistema prisional. A formação é o caminho para que possamos refletir sobre nossas responsabilidades e buscar alternativas que efetivamente contribuam para a recuperação das pessoas. Não basta levar ao cárcere, é preciso discutir formas verdadeiras de recuperar e reeducar. Isso exige conhecimento, consciência e responsabilidade de todos nós”, comentou

Supervisor do GMF-MT, o desembargador Orlando de Almeida Perri ressaltou que a capacitação também busca ampliar a sensibilidade dos magistrados(as) diante da realidade prisional. “É muito importante promover cursos como este para conscientizar sobre a importância do sistema prisional. Precisamos enfrentar problemas graves e depende muito das atitudes e condutas dos magistrados para que possamos promover as melhorias necessárias”.

A formadora do curso, Laryssa Angélica Copack Muniz, juíza da Vara de Execuções Penais da Comarca de Curitiba e coordenadora Adjunta do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Tribunal de Justiça do Paraná, conduziu os debates com foco na humanização da atuação judicial, no papel constitucional do sistema penal e na necessidade de construir respostas mais eficazes para a violência e a reincidência. Durante a capacitação, a magistrada abordou temas ligados à execução penal, medidas alternativas à prisão, reinserção social e o compromisso institucional de garantir direitos fundamentais também às pessoas privadas de liberdade.

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“O curso propõe uma reflexão sobre como juízes e juízas podem aperfeiçoar sua atuação criminal e na execução penal, contribuindo para reverter o estado inconstitucional reconhecido nas prisões brasileiras. Não existe sociedade sem reintegração. As pessoas privadas de liberdade retornarão ao convívio social, e cabe ao Estado criar condições para que voltem melhores do que entraram. Quando falamos em trabalho, estudo e dignidade no sistema prisional, falamos em segurança pública de verdade. Ressocializar também é proteger a sociedade”, destacou.

Participação ativa

Juiz da 3ª Vara Criminal de Sinop, Walter Tomaz da Costa avaliou que o curso trouxe reflexões importantes para o enfrentamento da superlotação carcerária.

“Mato Grosso vive uma realidade de superpopulação carcerária. O Programa Pena Justa enfatiza a ressocialização e tende a melhorar esse cenário, desde que haja sensibilização de todos os poderes envolvidos. E esta capacitação chega em um momento necessário, especialmente para comarcas que convivem diretamente com a superlotação carcerária. A formação permite que os magistrados compartilhem experiências e reflitam sobre caminhos possíveis. Em Sinop, por exemplo, a superlotação é uma realidade urgente, e precisamos de medidas que envolvam não apenas o Judiciário, mas também o Executivo”, contou

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Já a magistrada Edna Ederli Coutinho, integrante do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá e juíza cooperadora de Execução Penal, destacou a importância de enxergar o sistema penitenciário sob a perspectiva humana.

“Esses cursos são fundamentais porque trazem ao magistrado a reflexão de que a pessoa presa continua sendo um ser humano. A rotina do trabalho judicial muitas vezes nos aproxima da burocracia e nos distancia da dimensão humana do sistema prisional. Cursos como este ajudam a resgatar esse olhar. Precisamos ainda lembrar que toda pessoa privada de liberdade um dia retornará ao convívio social. Se o sistema não oferecer trabalho, estudo e condições de dignidade, a reincidência continuará afetando toda a sociedade”, ressaltou Edna Coutinho.

Formação alinhada às metas institucionais

A capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal” integra diretrizes estratégicas relacionadas ao Prêmio CNJ de Qualidade 2026/2027 e busca fortalecer a atuação de magistrados(as), assessores(as) e gestores(as) judiciais no ciclo penal, especialmente nas áreas de fiscalização das unidades prisionais, aplicação de medidas alternativas e garantia de direitos fundamentais.

O próximo módulo será ofertado no período de 11 a 15 de maio, na modalidade EAD, com foco na prevenção à tortura e na saúde mental, também sob a responsabilidade da magistrada Laryssa Muniz.

O terceiro e último módulo será promovido no dia 18 de maio de 2026 e tratará do tema “Audiência de Custódia”, tendo como formadores o juiz Marcos Faleiros da Silva e o servidor Marcos Eduardo Moreira Siqueri.

Autor: Ana Assumpção

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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