Tribunal de Justiça de MT

Modelos desenvolvidos pelo TJMT serão referência para plano nacional de pacificação nas escolas

Publicado em

Durante a cerimônia de encerramento do “I Encontro Nacional de Justiça Restaurativa e a Transformação da Cultura Institucional”, realizado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso e Conselho Nacional de Justiça (CNJ), nesta quinta-feira (19 de outubro), em Cuiabá, o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luiz Philippe Vieira de Mello, destacou a posição de vanguarda ocupada por Mato Grosso no desenvolvimento de modelos, que segundo ele, devem ser replicados como instrumentos nacionais para uso em todo o Brasil.
 
“A Justiça Restaurativa em Mato Grosso não é transformadora, ela é transformativa, porque ela já se transformou e transformará a quem alcançar, porque aqui, o exemplo irá muito longe. Hoje vimos o poder da Justiça Restaurativa na educação, e o poder da Justiça Restaurativa olhando para dentro de si mesma, e isso é uma prova de que nós juízes podemos fazer muito mais do que fazemos para mudar a realidade do universo que está ao nosso lado. Falei para desembargadora Clarice, que realizaríamos esse evento em Mato Grosso, exatamente porque nós precisamos reconhecer quando há pessoas que são iluminadas, e que conseguem colocar luz, e dar vida a situações que nós não percebemos que são transformadoras, e a desembargadora Clarice é uma dessas pessoas, que precisam ser reconhecidas pelo o que é”, enalteceu o conselheiro.
 
Luiz Philippe de Mello, que também é coordenador do Comitê Gestor da Justiça Restaurativa do CNJ, antecipou que o Conselho se prepara para assinar nos próximos dias, um termo de compromisso com o Governo Federal para a implantação da Justiça Restaurativa como Política Pública de Educação, e que as praticas de Mato Grosso serão utilizadas como referencia para o desenvolvimento de um plano nacional de combate à violência nas escolas.
 
“O Judiciário Brasileiro tem um compromisso muito sério de auxiliar o sistema educacional na promoção de um mundo e de um país muito melhor, com pessoas melhor qualificadas, com esperança no futuro e capazes de fazer a diferença. Muitos tribunais precisarão de maior ajuda do Comitê Nacional de Justiça Restaurativa, mas Mato Grosso não terá nenhum trabalho, porque ele já está pronto para executar a parte dele, pronto e preparado, e levo daqui, os exemplos de vocês, para saber como vamos viabilizar tudo isso nacionalmente”, definiu.
 
A presidente do Poder Judiciário de Mato Grosso e presidente do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), desembargadora Clarice Claudino da Silva, refletiu sobre as ações empreendidas desde o início de sua gestão para potencializar as práticas da Justiça Restaurativa na sociedade.
 
“Na verdade, o que hoje ficou muito claro para mim, enquanto assistíamos a exposição sobre a parte da administração e de gestão do NugJur, e que consolidou-se na minha alma, foi o dizer sim ao propósito que me trouxe a essa Casa de Justiça. Sempre tive a nítida sensação de que estava à serviço da vida, e sempre procurei me colocar a disposição para encontrar esses mecanismos e ser realmente um instrumento eficiente. Naquele momento em que me coloquei à disposição da gestão deste tribunal, eu tinha como propósito essa tarefa, de fazer com que a velocidade das práticas restaurativas na nossa sociedade pudessem ser potencializadas. E desde a vinda do ministro [Luiz Philippe] a Mato Grosso, no início da nossa gestão, foi um impulso sem precedentes, porque vimos em vossa excelência a ressonância, o apoio e o aval de que estávamos no caminho certo. E visualizar a apresentação dos resultados obtidos em 10 meses é muita responsabilidade, mas também é muita gratidão por cada um daqueles que fazem parte desse corpo e dessa alma”, concluiu a presidente.
 
Ancestralidade – A cerimônia também foi marcada pela realização do maior círculo de celebração e agradecimento já realizado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, com mais de 300 pessoas, conduzidas pelo Cacique Rony Pareci, da Aldeia Wazare, do município de Campo Novo do Parecis (396 km a noroeste de Cuiabá).
 
O momento remeteu à simbologia dos Círculos de Construção de Paz, e deu aos participantes a oportunidade de vivenciar os modelos ancestrais, onde reunidos em círculos, juntos celebravam a vida e venciam desafios.
 
“A nossa ancestralidade é a nossa essência enquanto ser humano, e nós precisamos nos reconectar a ela. Assim como a flecha que precisa entender, que antes de ganhar impulso e ser lançada, ela precisa recuar para se reorganizar e redefinir seus objetivos antes de avançar. Assim o ser humano deve ser. Muitas vezes precisamos recuar, buscar nosso equilíbrio, para depois seguir, rompendo os obstáculos. E a Justiça Restaurativa nos ajuda exatamente nisso, a nos reconectarmos com o equilíbrio ou o reequilíbrio das nossas origens. Por isso, não existe melhor juiz, melhor julgador, ou melhor pessoa, existe sim, pessoas que sabem respeitar sua ancestralidade, reconhecer seu tamanho no universo e saber que ninguém avança sozinho. Quando fazemos isso, alcançamos tudo que almejamos”, definiu o cacique Rony.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: Conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luiz Philippe Vieira de Mello faz uso da dala. Segunda imagem: Presidente do Poder Judiciário de Mato Grosso e presidente do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), desembargadora Clarice Claudino da Silva fala ao púlpito. Terceira imagem: O maior círculo de celebração e agradecimento já realizado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Quarta imagem: presidente do TJMT, ministro do TST, cacique e juiz-auxiliar da presidência posam para foto. Eles estão de mas dadas e sorriem.
 
 
 
 
 
Naiara Martins/Fotos: Alair Ribeiro    
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Leia Também:  Juiz Sebastião Arruda fala sobre experiências na carreira no Por dentro da Magistratura

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Audiência pública reúne centenas de pessoas para discutir lei de combate ao crime organizado

Published

on

Foto horizontal em plano aberto que mostra a plateia lotada no auditório do Tribunal de Justiça. A audiência pública “A Lei do Combate ao Crime Organizado no Brasil e os impactos no sistema de justiça criminal: desafios e oportunidades” atraiu mais de 200 pessoas, na tarde desta sexta-feira (12), no auditório do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), para debater a Lei nº 15.358/2026 e seus reflexos no sistema de justiça criminal. A nova lei, que desde 24 de março instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil, tipifica os crimes de domínio social estruturado e de favorecimento ao domínio social estruturado, altera o Código Penal e o Código de Processo Penal brasileiros, bem como legislações correlatas.

O evento foi promovido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ), em parceria com o Ministério Público do Estado (MPE), a Polícia Judiciária Civil (PJC) e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT). Houve transmissão ao vivo por meio do canal TJMT Eventos no YouTube.

Foto horizontal que mostra o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim, falando ao microfone. Ele é um senhor de pele branca, cabelos e barba brancos, usando terno cor creme e gravata marrom. Ao fundo, um telão com as informações da audiência pública.A abertura da audiência contou com pronunciamento do presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, que apontou a sensibilidade e atualidade do tema. “O crime organizado mudou sua forma de agir. Alcança diferentes áreas da vida social e econômica e exige do Estado respostas firmes, preparadas e responsáveis”, destacou.

Ele ressaltou ainda a importância de refletir sobre investigações, responsabilização, garantias processuais e atuação integrada de todos os órgãos públicos, de forma equilibrada, séria e cuidadosa, por exemplo, com a qualidade da prova, com o uso correto dos instrumentos legais e, acima de tudo, com a preservação da confiança da sociedade na justiça. “O Poder Judiciário recebe esse debate com espírito de escuta e cooperação. A contribuição do Ministério Público, da polícia, da advocacia, da academia, da Defensoria e dos demais participantes é essencial para que possamos aprimorar práticas e construir respostas mais seguras”, declarou.

Foto horizontal que mostra o desembargador José Luiz Leite Lindote do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, de cabelos grisalhos, usando camisa branca, gravata rosa e terno azul marinho.O corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote, responsável pela audiência pública, ressaltou que a CGJ-MT decidiu promover o evento por compreender que o enfrentamento ao crime organizado exige diálogo permanente entre as instituições que integram o sistema de justiça criminal. “A recente Lei nº 15.358, conhecida como Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, trouxe novos instrumentos, novos conceitos e novos desafios para a investigação, o processamento e o julgamento de crimes. Diante dessas mudanças, é fundamental debater seus impactos e refletir sobre sua aplicação prática”.

Leia Também:  Judiciário orienta pais e responsáveis quanto às regras para viagens de crianças e adolescentes

Segundo Lindote, a audiência pública é exemplo de uma atuação conjunta entre o Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia Judiciária Civil e a OAB-MT. “Essa integração institucional tem produzido resultados em Mato Grosso, a exemplo da articulação que possibilitou a realização do primeiro leilão de sucatas vinculadas à jurisdição criminal, que resultou na arrecadação de cerca de R$ 675 mil para os cofres públicos”, enfatizou, informando que o resultado foi fruto de evento anterior, o Recupera MT, no qual foi assinada a Resolução Conjunta nº 01/2025 com o Estado.

Foto horizontal que mostra o delegado de polícia Valter de Melo Fonseca Júnior do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, alto, de cabelo e barba pretos, usando camisa branca, gravata azul estampada e terno azul. Ao fundo, um telão com as informações da audiência pública.Representando a Secretaria de Estado de Segurança Pública, o delegado de polícia Valter de Melo Fonseca Júnior afirmou que a audiência pública é o momento oportuno para pensar no atual cenário nacional. “A sociedade tem exigido respostas do Estado e nós acreditamos, enquanto Segurança Pública, que a resposta se faz através da integração. Os desafios são grandes, a legislação nova. Tem vários conceitos que precisam ser interpretados, como o conceito de domínio social. São novas tipificações, novos processos e são temas que temos que enfrentar em conjunto”, disse, enaltecendo a iniciativa do Poder Judiciário.

Foto horizontal que mostra o promotor de justiça Renee do Ó do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, de cabelo preto, usando camisa branca, gravata e terno azul marinho e óculos de grau. Atrás dele é possível ver parte de um telão.O promotor de justiça Renee do Ó Souza pontuou que, em todo o país, o crime organizado está estabelecido e notabilizado pelo incremento do lucro e regido pela prática extremamente violenta, características que são o foco da nova lei, também conhecida como Pacote Anti-facção. “Este evento marca o pontapé do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria e da Advocacia, da Polícia Civil e de toda a população brasileira que se destina e que quer enfrentar adequadamente o crime organizado”, disse.

Foto horizontal que mostra o advogado Giovane Santin do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, de barba e cabelos castanhos claros, usando camisa branca, gravata púrpura e terno azul marinho e óculos de grau.Vice-presidente da OAB-MT, Giovane Santin classificou o debate como de grande importância não só para o Estado de Mato Grosso, mas para todo o país. “Um momento em que precisamos entender e enfrentar de fato todas as consequências geradas por esse fenômeno que conhecemos e chamamos vulgarmente de facções criminosas”, disse. O advogado agradeceu ao Poder Judiciário pela oportunidade de cada instituição envolvida expor seus entendimentos sobre o tema.

Leia Também:  Salas climatizadas garantirão mais conforto e desenvolvimento a assistidos da APAE após ação do TJMT

Foto horizontal que mostra o defensor público Fernando Antunes Soubhia falando ao microfone. ele é um homem branco, calvo, usando camisa branca, gravata laranja, terno azul marinho e óculos de grau.O defensor público e diretor da Escola Superior da Defensoria Pública de Mato Grosso (DPE-MT), Fernando Antunes Soubhia fez uma crítica ao Pacote Anti-facção, afirmando que ele “repete a receita” que o Brasil testa pelo menos desde 1988 e que “fracassa” desde então. “Aumenta a pena, endurece regime, suprime o benefício. A gente fez isso em 90, como a lei dos crimes hediondos. Isso só fez aumentar a população carcerária, aumentar o contingente das facções, que agora se nacionalizaram e tornaram os seus métodos cada vez mais elaborados”, disse.

Ao apontar que “o cárcere historicamente é o maior centro de recrutamento das organizações criminosas”, Soubhia defendeu que este não seria o melhor método para lidar com o problema. Apontou ainda que “o sistema penal é seletivo e vai continuar sendo seletivo”, prendendo majoritariamente pessoas pretas, pobres e periféricas. “Infelizmente, mais uma vez, a resposta que o Estado dá à sua própria ausência nas comunidades vulnerabilizadas é o direito penal”, criticou. Por fim, o defensor público insistiu que segurança pública se constrói com o Estado presente no território, escola, saúde, trabalho e urbanização. “O que essa lei oferece, mais uma vez, é o Estado chegando com o fuzil e algema. Precisamos fazer melhor que isso”, asseverou.

Registro de presenças

Participaram da audiência pública o ouvidor-geral do Poder Judiciário, desembargador Rodrigo Curvo; o supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF-MT), desembargador Orlando Perri; os desembargadores Jorge Luiz Tadeu Rodrigues e Wesley Sanchez Lacerda; o juiz auxiliar da Presidência e secretário-geral do TJMT, Agamenon Alcântara Moreno Júnior; os juízes auxiliares da CGJ-MT João Filho de Almeida Portela, Jorge Alexandre Martins Ferreira e Myrian Pavan Schenkel; o delegado Cláudio Álvarez Santana, representando a Polícia Judiciária Civil; o coordenador da CGJ-MT, João Gualberto Neto, além de juízes e juízas, advogados e advogadas, assessores, estudantes de Direito, servidores e servidoras do Poder Judiciário, entre outros interessados no tema da audiência pública.

Autor: Celly Silva

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA