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“Medidas Protetivas: a proteção da vida das mulheres’” foi tema de palestra para professores no TJMT

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A segunda capacitação do projeto “A escola ensina, a mulher agradece” foi realizada na sexta-feira (15 de agosto), no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Participaram 190 professores de Artes, Língua Portuguesa e História dos municípios de Cuiabá, Barra do Garças, Cáceres, Rondonópolis, Sinop e Várzea Grande.

A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, da 15ª Promotoria Criminal de Cuiabá e coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica da capital, ministrou a palestra “Medidas Protetivas: a proteção da vida das mulheres”. A iniciativa é uma parceria do Poder Judiciário, por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT).

A eficácia das Medidas Protetivas

Durante a palestra, Claire Dutra apresentou dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso. De janeiro a 14 de agosto, o estado registrou 10.946 medidas protetivas, e em 2024 foram 17.910.

A promotora mostrou a relação entre a falta de medida protetiva e os casos de feminicídio. Entre 2019 e 2025, de 316 vítimas de feminicídio, 288 não tinham buscado ajuda. Em 2025, das 32 vítimas, apenas quatro tinham medida protetiva. Destas, três haviam reatado com o agressor, o que demonstra o risco quando a medida não é cumprida. “Se a mulher não procurar ajuda, não temos como saber”, disse a promotora. “Esse papel é de toda a sociedade. Se souber de uma situação, tem que denunciar.”

Ela ressaltou que o aumento das denúncias não significa mais violência, mas que as mulheres estão se sentindo mais encorajadas a buscar ajuda. “Quanto mais você divulga, mais as pessoas denunciam”, concluiu.

A ferramenta mais eficaz

Embora a Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006) ofereça diversas medidas, a promotora Claire Dutra afirmou que o monitoramento eletrônico com o botão do pânico é a mais eficaz. Essa tecnologia permite monitorar o agressor em tempo real, garantindo que ele não se aproxime da vítima.

O sistema consiste em uma tornozeleira eletrônica para o agressor e um dispositivo eletrônico para a vítima. Quando o agressor ultrapassa o limite de distância estabelecido pelo juiz, o dispositivo da vítima vibra e aciona o alerta. A promotora explicou que essa ferramenta está disponível em todas as comarcas de Mato Grosso, ao contrário do aplicativo SOS Mulher MT, que só funciona em locais com Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOSP).

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Obstáculos para o cumprimento

A promotora apontou alguns desafios para a aplicação efetiva das medidas protetivas:

Dificuldade de notificação: Embora o Poder Judiciário de Mato Grosso seja ágil na expedição das medidas, concedendo-as em menos de 24 horas, há dificuldade em localizar o agressor para notificá-lo oficialmente. A punição por descumprimento só pode ser aplicada após a intimação.

Fiscalização limitada: A falta de um efetivo suficiente da Patrulha Maria da Penha para cobrir todos os municípios dificulta a fiscalização.

Medidas Protetivas e como solicitá-las

As medidas protetivas visam garantir o direito das mulheres a uma vida sem violência, preservando sua saúde física, emocional e patrimonial. Entre as medidas mais comuns, a promotora citou:

Afastamento do agressor: proibição de se aproximar da vítima ou de seus familiares.

Apoio psicológico: obrigação do agressor de frequentar grupos reflexivos.

Afastamento do lar: o agressor pode ser obrigado a se afastar da residência.

Auxílio financeiro: obrigação de prestar alimentos provisórios.

Garantia de emprego: a vítima tem o direito de não ser demitida por se afastar do trabalho temporariamente.

Auxílio-aluguel: benefício financeiro para que a mulher possa se mudar de casa.

A promotora esclareceu que a mulher pode solicitar uma medida protetiva diretamente na delegacia ou por meio de advogado, Defensoria Pública ou Ministério Público, e que não é necessário um boletim de ocorrência para o pedido. A solicitação pode ser feita de forma online pelo site da Polícia Civil (ícone SOS Mulher) ou pelo aplicativo SOS Mulher MT.

A Educação como base para a mudança

A promotora Claire Dutra reforçou o papel fundamental da educação na luta contra a violência. Ela destacou que é na escola que se pode “plantar uma sementinha” para que as crianças cresçam em um ambiente mais consciente e respeitoso, contribuindo para uma mudança na realidade. A capacitação de professores, como a promovida pelo TJMT, é essencial para que eles se tornem multiplicadores desse conhecimento.

A promotora também enfatizou a importância da sociedade não ser conivente com a violência, criticando a mentalidade de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. A proteção da mulher é um esforço conjunto que envolve a família, o Estado e toda a sociedade.

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O impacto da capacitação

Maria Aparecida Alves de Lima, professora de Língua Portuguesa na Escola Estadual João Brienne de Camargo, em Cuiabá, compartilhou suas impressões sobre a iniciativa e os planos para aplicar o aprendizado em sala de aula. Para ela, a capacitação foi “muito importante” e as palestras foram “bastante claras”. Ela destacou que o evento trouxe informações valiosas, como a existência do aplicativo SOS Mulher, um conhecimento que ela pretende compartilhar com os alunos.

A professora reconhece que a educação desempenha um papel fundamental na prevenção da violência e acredita que iniciativas como essa, embora não resolvam o problema sozinhas, “com certeza contribuem para uma diminuição desse quadro”.

Como levar a discussão para a sala de aula

Como educadora de alunos do sexto e sétimo ano do Ensino Fundamental, a professora Maria Aparecida sabe que é preciso adaptar o conteúdo para a faixa etária. Ela planeja usar a tecnologia a seu favor, explorando ferramentas como o Canva para criar materiais mais atrativos, como histórias em quadrinhos.

A ideia é abordar o tema por meio de diferentes textos, como charges, propagandas antigas e atuais, para fazer com que os alunos percebam a evolução da representação da mulher e a persistência de certas ideias, como a objetificação. Ao questionar comportamentos que antes eram vistos como normais, ela espera incentivar uma reflexão crítica nos estudantes.

A escola ensina, a mulher agradece

O projeto, coordenado pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), tem como objetivo capacitar os profissionais da educação para que a cultura de prevenção à violência se espalhe pelas escolas e chegue até as famílias e comunidades. A iniciativa também está alinhada à Lei Federal nº 14.164/2021, que institui a Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher, e faz parte do Plano de Gestão 2025-2026 do TJMT.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo: Lucas Figueiredo

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Por Dentro da Magistratura: juíza Christiane Neves destaca atuação humanizada e desafios da Justiça

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Divulgação do 49º episódio de A juíza Christiane da Costa Marques Neves, auxiliar da Presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), é a entrevistada da 49ª edição do programa Por Dentro da Magistratura, exibida nesta sexta-feira (17 de julho). Com 27 anos de atuação na magistratura, ela compartilhou experiências profissionais, relembrou momentos marcantes da carreira e refletiu sobre os desafios enfrentados pelo Poder Judiciário e o impacto das decisões judiciais na vida das pessoas.

Natural de Belo Horizonte (MG) e criada em Cáceres (MT), Christiane relembrou sua trajetória até a magistratura. Formada em Direito e Administração, ela destacou que a realização profissional e a oportunidade de contribuir com a sociedade são as principais motivações que a mantêm na carreira há quase três décadas. “Sou muito feliz no que eu faço. A oportunidade que a gente tem de influenciar na vida, de atingir as pessoas e a responsabilidade decorrente dessa atitude nossa, desse lugar onde nós estamos, é uma responsabilidade muito grande”, afirmou.

Com ampla experiência nas áreas de Família e Sucessões, a magistrada destacou que atuar em conflitos familiares exige a combinação entre conhecimento técnico e sensibilidade humana. “É uma área muito delicada. Exige muita técnica, mas também uma escuta importante, diálogo constante e bastante cuidado da nossa parte”, ressaltou.

Outro tema de destaque foi a atuação de Christiane Neves na Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso, onde contribuiu para importantes iniciativas voltadas à infância e juventude, especialmente nas áreas de adoção e enfrentamento à violência doméstica. Durante a entrevista, a magistrada ressaltou os avanços alcançados na proteção de crianças e adolescentes, mas também chamou atenção para os desafios ainda existentes.

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Segundo ela, crianças mais velhas, grupos de irmãos e menores com deficiência ou problemas de saúde enfrentam maiores dificuldades para serem inseridos em famílias substitutas, o que exige um trabalho permanente de sensibilização e articulação entre o Judiciário e a rede de proteção.

Atualmente atuando como juíza auxiliar da Presidência do TJMT, Christiane trabalha diretamente com a gestão de precatórios. Durante o programa, ela ressaltou a importância de uma atuação responsável e cuidadosa para garantir maior eficiência no pagamento dos créditos devidos aos cidadãos. “Precatório é dinheiro. As pessoas precisam receber e, normalmente, são processos que levaram muito tempo para chegar à fase em que estão. Nós procuramos atuar com muito zelo, porque muitos credores já faleceram sem receber seus créditos e, hoje, são seus sucessores que aguardam esse pagamento”, explicou. A magistrada acrescentou que, embora haja avanços no cumprimento das obrigações por parte de alguns entes públicos, ainda existem municípios que enfrentam dificuldades para quitar suas dívidas.

Outro tema abordado foi o crescimento da demanda judicial em todo o país. Para a magistrada, o elevado volume de processos continua sendo um dos principais desafios da Justiça brasileira. “O número de juízes não acompanha o volume de trabalho que nós temos”, observou.

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Christiane também relembrou passagens marcantes de sua trajetória, desde a atuação na área criminal em região de fronteira até os casos envolvendo adoção e Direito de Família, que considera algumas das experiências mais transformadoras da carreira.

Já na esfera pessoal, revelou hábitos que ajudam a equilibrar a intensa rotina profissional, como a prática de corrida, momentos de oração e reflexão e o gosto por viagens, atividade que lhe permite conhecer novas culturas e realidades.

Ao final do programa, a magistrada deixou uma mensagem para aqueles que desejam ingressar na magistratura, destacando que a carreira exige dedicação, perseverança e comprometimento, mas oferece a oportunidade única de promover mudanças concretas na vida das pessoas e contribuir para o fortalecimento da Justiça.

Clique neste link para assistir ao episódio completo.

https://www.youtube.com/watch?v=5jthK8RAw8M

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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