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Mais inclusão: Judiciário realiza reunião ampliada para incentivar utilização da linguagem simples

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O Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Laboratório de Inovação (InovaJusMT), realizou uma reunião ampliada on-line voltada a magistrados (as) e servidores (as) de 1ª e 2ª instância de todo Estado para incentivar a aplicação das técnicas de linguagem simples. O encontro registrou 2,3 mil participantes e foi realizado na manhã desta terça-feira (dia 21).
 
A presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargadora Clarice Claudino da Silva, exaltou o empenho contínuo da atual gestão de adotar essa prática e do incentivo à contribuição de todos nesse processo. “Quero que todos os presentes se sintam incentivados nessa missão de abraçar a linguagem simples”, enalteceu na abertura do encontro.
 
A vice-presidente do TJMT, desembargadora Maria Erotides Kneip, destacou que a linguagem simples é um instrumento que promove a inclusão. “É muito bom poder se comunicar de modo que a outra pessoa compreenda. E ainda é mais positivo quando tratamos dos atos do Poder Judiciário que precisa ser entendido em todas as suas nuances. Que todos nos esforcemos para que essa técnica seja aplicada”, apontou.
 
O corregedor-geral da Justiça, desembargador Juvenal Pereira da Silva, também reforçou que simplificar a linguagem é crucial para garantir o acesso à Justiça para todos, independentemente do grau de escolaridade, conhecimento jurídico ou condição social. “Textos claros, diretos e objetivos ajudam na compreensão dos direitos e deveres dos cidadãos, permitindo o acompanhamento dos processos e desmistificando a imagem do Judiciário”.
 
Reunião ampliada – A juíza auxiliar da presidência do TJMT e coordenadora do Laboratório de Inovação (Inovajus), Viviane Brito Rebello, expôs exemplos práticos e corriqueiros do uso de vocabulário rebuscado e de difícil entendimento.
 
A magistrada também apontou que, apesar do cumprimento aos ritos constitucionais e legais, é possível evitar o excesso de formalidade e tornar compreensíveis procedimentos muito específicos. “Não estamos falando que é preciso usar gírias, mas sabemos que conseguimos fazer que decisões e atos de expediente sejam fáceis de serem entendidos”. Assim, descomplicar no uso de palavras e expressões assegura que o cidadão, além de ter mais clareza sobre as ações do Judiciário, tenha menos desconfiança, dúvidas e reclamações.
 
Outro recurso que facilita o entendimento dos documentos jurídicos é a aplicação do direito visual. “A aplicação de figuras, ilustrações, textos curtos e simples trazem uma organização própria no documento que ajuda nessa leitura e compreensão”, demonstrou.
 
 
Justiça Acessível – Outra reflexão trazida pela magistrada foi a falta de acessibilidade e a desigualdade social estimuladas pela linguagem complexa e extremamente técnica. “Como magistrado e servidor, é preciso escrever e falar de modo que o público saiba o que está ocorrendo. E não unicamente o advogado, por exemplo. Penso que nós não devemos deixar para a intepretação de terceiros o que está sendo determinado à parte interessada do processo”, disse.
 
Segundo a juiza Viviane Brito, o texto está em linguagem simples quando a pessoa encontra rapidamente o que procura, entende imediatamente o conteúdo e usa facilmente essa informação.
 
Para garantir a efetividade dessa prática é preciso capacitação continuada aos magistrados e servidores assim como a revisão continuada dos documentos e decisões elaborados diariamente. “A gente deve fazer de uma forma a facilitar o entendimento com palavras simples. E, diante de expressões que não são substituíveis, que elas sejam explicadas”, exemplificou. “É uma mudança de mentalidade e comportamento. Estou há 30 anos no Judiciário e já vimos muitas mudanças e melhorias. E essa é mais uma das viradas de chave que teremos, permitindo que as pessoas entendam o que falamos”, completou.
 
InovaJusMT – No encontro, os participantes também puderam conhecer as ações que já vem sendo desenvolvidas em Mato Grosso por meio do InovaJusMT a exemplo da disponibilização gratuita e on-line do Manual de Linguagem Clara e Direito Visual e do Glossário de Termos Jurídicos, sendo este último em permanente construção por ser de natureza colaborativa e coletiva.
 
O InovaJusMT participou ainda de iniciativas como o Encontro de Laboratórios de Inovação (E-Lab 65/66), assim como vem compartilhando ideias e boas práticas com tribunais de justiça de todo país. “O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por exemplo, está elaborando um banco nacional de linguagem simples e a gente acredita que o glossário desenvolvido pelo TJMT deve, em muito, colaborar com essa iniciativa”.
 
Em Mato Grosso, a magistrada revelou que a utilização da linguagem simples já está prevista na Lei n° 12.336/2023, que instituiu a Política Estadual de Linguagem Simples e de Direito Visual no âmbito do Estado.
 
Para acrescentar às ações do Judiciário, o InovaJusMT vem estudando ainda incluir um modelo de documento com a técnica de linguagem simples a ser incorporado no Processo Judicial Eletrônico (PJe), iniciativa que passa por consulta junto a todos os magistrados e servidores e que pode ser proposta como meta ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Outras ações podem ser sugeridas pelo público interno por meio de um formulário de contribuição disponibilizado durante essa reunião on-line.
 
A realização de oficinas sobre o tema até o mês de novembro, que ocorrerão na Escola dos Servidores e na Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT), também está na programação.
 
CNJ – A linguagem simples está alinhada com os macrodesafios estabelecidos na Estratégia Nacional do Poder Judiciário 2021-2026 do CNJ, sob o aspecto “Da Sociedade”, e que tratam sobre “Garantia dos Direitos Fundamentais” e “Fortalecimento das Relações do Judiciário com a Sociedade”. O tema igualmente vai ao encontro do objetivo estratégico do TJMT de “Fomentar Ações de Comunicação e de Articulação para fortalecer a imagem do PJMT e garantir maior efetividade na Prestação Jurisdicional” assim como contempla o plano de gestão da CGJ “Aperfeiçoamento da Prestação Jurisdicional de 1º grau, Fortalecimento das Ações de Inclusão e Justiça e Cidadania”.
 
Talita Ormond
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Audiência pública reúne centenas de pessoas para discutir lei de combate ao crime organizado

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Foto horizontal em plano aberto que mostra a plateia lotada no auditório do Tribunal de Justiça. A audiência pública “A Lei do Combate ao Crime Organizado no Brasil e os impactos no sistema de justiça criminal: desafios e oportunidades” atraiu mais de 200 pessoas, na tarde desta sexta-feira (12), no auditório do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), para debater a Lei nº 15.358/2026 e seus reflexos no sistema de justiça criminal. A nova lei, que desde 24 de março instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil, tipifica os crimes de domínio social estruturado e de favorecimento ao domínio social estruturado, altera o Código Penal e o Código de Processo Penal brasileiros, bem como legislações correlatas.

O evento foi promovido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ), em parceria com o Ministério Público do Estado (MPE), a Polícia Judiciária Civil (PJC) e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT). Houve transmissão ao vivo por meio do canal TJMT Eventos no YouTube.

Foto horizontal que mostra o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim, falando ao microfone. Ele é um senhor de pele branca, cabelos e barba brancos, usando terno cor creme e gravata marrom. Ao fundo, um telão com as informações da audiência pública.A abertura da audiência contou com pronunciamento do presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, que apontou a sensibilidade e atualidade do tema. “O crime organizado mudou sua forma de agir. Alcança diferentes áreas da vida social e econômica e exige do Estado respostas firmes, preparadas e responsáveis”, destacou.

Ele ressaltou ainda a importância de refletir sobre investigações, responsabilização, garantias processuais e atuação integrada de todos os órgãos públicos, de forma equilibrada, séria e cuidadosa, por exemplo, com a qualidade da prova, com o uso correto dos instrumentos legais e, acima de tudo, com a preservação da confiança da sociedade na justiça. “O Poder Judiciário recebe esse debate com espírito de escuta e cooperação. A contribuição do Ministério Público, da polícia, da advocacia, da academia, da Defensoria e dos demais participantes é essencial para que possamos aprimorar práticas e construir respostas mais seguras”, declarou.

Foto horizontal que mostra o desembargador José Luiz Leite Lindote do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, de cabelos grisalhos, usando camisa branca, gravata rosa e terno azul marinho.O corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote, responsável pela audiência pública, ressaltou que a CGJ-MT decidiu promover o evento por compreender que o enfrentamento ao crime organizado exige diálogo permanente entre as instituições que integram o sistema de justiça criminal. “A recente Lei nº 15.358, conhecida como Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, trouxe novos instrumentos, novos conceitos e novos desafios para a investigação, o processamento e o julgamento de crimes. Diante dessas mudanças, é fundamental debater seus impactos e refletir sobre sua aplicação prática”.

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Segundo Lindote, a audiência pública é exemplo de uma atuação conjunta entre o Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia Judiciária Civil e a OAB-MT. “Essa integração institucional tem produzido resultados em Mato Grosso, a exemplo da articulação que possibilitou a realização do primeiro leilão de sucatas vinculadas à jurisdição criminal, que resultou na arrecadação de cerca de R$ 675 mil para os cofres públicos”, enfatizou, informando que o resultado foi fruto de evento anterior, o Recupera MT, no qual foi assinada a Resolução Conjunta nº 01/2025 com o Estado.

Foto horizontal que mostra o delegado de polícia Valter de Melo Fonseca Júnior do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, alto, de cabelo e barba pretos, usando camisa branca, gravata azul estampada e terno azul. Ao fundo, um telão com as informações da audiência pública.Representando a Secretaria de Estado de Segurança Pública, o delegado de polícia Valter de Melo Fonseca Júnior afirmou que a audiência pública é o momento oportuno para pensar no atual cenário nacional. “A sociedade tem exigido respostas do Estado e nós acreditamos, enquanto Segurança Pública, que a resposta se faz através da integração. Os desafios são grandes, a legislação nova. Tem vários conceitos que precisam ser interpretados, como o conceito de domínio social. São novas tipificações, novos processos e são temas que temos que enfrentar em conjunto”, disse, enaltecendo a iniciativa do Poder Judiciário.

Foto horizontal que mostra o promotor de justiça Renee do Ó do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, de cabelo preto, usando camisa branca, gravata e terno azul marinho e óculos de grau. Atrás dele é possível ver parte de um telão.O promotor de justiça Renee do Ó Souza pontuou que, em todo o país, o crime organizado está estabelecido e notabilizado pelo incremento do lucro e regido pela prática extremamente violenta, características que são o foco da nova lei, também conhecida como Pacote Anti-facção. “Este evento marca o pontapé do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria e da Advocacia, da Polícia Civil e de toda a população brasileira que se destina e que quer enfrentar adequadamente o crime organizado”, disse.

Foto horizontal que mostra o advogado Giovane Santin do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, de barba e cabelos castanhos claros, usando camisa branca, gravata púrpura e terno azul marinho e óculos de grau.Vice-presidente da OAB-MT, Giovane Santin classificou o debate como de grande importância não só para o Estado de Mato Grosso, mas para todo o país. “Um momento em que precisamos entender e enfrentar de fato todas as consequências geradas por esse fenômeno que conhecemos e chamamos vulgarmente de facções criminosas”, disse. O advogado agradeceu ao Poder Judiciário pela oportunidade de cada instituição envolvida expor seus entendimentos sobre o tema.

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Foto horizontal que mostra o defensor público Fernando Antunes Soubhia falando ao microfone. ele é um homem branco, calvo, usando camisa branca, gravata laranja, terno azul marinho e óculos de grau.O defensor público e diretor da Escola Superior da Defensoria Pública de Mato Grosso (DPE-MT), Fernando Antunes Soubhia fez uma crítica ao Pacote Anti-facção, afirmando que ele “repete a receita” que o Brasil testa pelo menos desde 1988 e que “fracassa” desde então. “Aumenta a pena, endurece regime, suprime o benefício. A gente fez isso em 90, como a lei dos crimes hediondos. Isso só fez aumentar a população carcerária, aumentar o contingente das facções, que agora se nacionalizaram e tornaram os seus métodos cada vez mais elaborados”, disse.

Ao apontar que “o cárcere historicamente é o maior centro de recrutamento das organizações criminosas”, Soubhia defendeu que este não seria o melhor método para lidar com o problema. Apontou ainda que “o sistema penal é seletivo e vai continuar sendo seletivo”, prendendo majoritariamente pessoas pretas, pobres e periféricas. “Infelizmente, mais uma vez, a resposta que o Estado dá à sua própria ausência nas comunidades vulnerabilizadas é o direito penal”, criticou. Por fim, o defensor público insistiu que segurança pública se constrói com o Estado presente no território, escola, saúde, trabalho e urbanização. “O que essa lei oferece, mais uma vez, é o Estado chegando com o fuzil e algema. Precisamos fazer melhor que isso”, asseverou.

Registro de presenças

Participaram da audiência pública o ouvidor-geral do Poder Judiciário, desembargador Rodrigo Curvo; o supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF-MT), desembargador Orlando Perri; os desembargadores Jorge Luiz Tadeu Rodrigues e Wesley Sanchez Lacerda; o juiz auxiliar da Presidência e secretário-geral do TJMT, Agamenon Alcântara Moreno Júnior; os juízes auxiliares da CGJ-MT João Filho de Almeida Portela, Jorge Alexandre Martins Ferreira e Myrian Pavan Schenkel; o delegado Cláudio Álvarez Santana, representando a Polícia Judiciária Civil; o coordenador da CGJ-MT, João Gualberto Neto, além de juízes e juízas, advogados e advogadas, assessores, estudantes de Direito, servidores e servidoras do Poder Judiciário, entre outros interessados no tema da audiência pública.

Autor: Celly Silva

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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