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Magistrados e servidores concluem primeiro módulo do “Curso de Formação de Formadores”

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O primeiro módulo do Curso “Formação de Formadores – FOFO”, ofertado pela Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT), foi concluído nesta quarta-feira (19 de junho). A capacitação é credenciada junto à Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira (Enfam) e válida para fins de vitaliciamento e/ou promoção de magistrados. O grande diferencial do FOFO é a metodologia ativa e a Andragogia, a arte de ensinar adultos. Nesta edição, além dos magistrados, servidores do Poder Judiciário também participam da capacitação.
 
As aulas do módulo 01 foram ministradas pelo professor, pedagogo e servidor do Enfam, Fernando de Assis Alves, e pelo juiz federal da 9ª Vara Federal de Execução Fiscal do Rio de Janeiro, Vladimir Santos Vitovsky. Após 24 horas/aula, os 33 magistrados (as) e servidores (as) participantes foram unânimes em afirmar que o curso superou as expectativas e estão ansiosos pelo módulo 02, que acontecerá em julho, em formato virtual (EAD) e 40 horas/aula. O cronograma prevê ainda o terceiro e último módulo com 16 horas/aula, a ser realizado presencialmente e que está marcado para agosto. A vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Maria Erotides Kneip, é uma das alunas.
 
A diretora-geral da Esmagis, desembargadora Helena Maria Bezerra, explicou que como o curso de formação de formadores é oferecido com frequência, a Escola tem priorizado professores que tenham concluído o FOFO.
 
“Por isso o curso é longo e não é fácil. Ensina como ministrar aulas práticas, como fazer exemplos, preparar aulas e planejamentos, e também como fazer aula em EAD, à distância. É importante para eles como professores (as), entenderem porque às vezes não sabe transmitir porque é uma clientela diferenciada. Nós convidamos também os servidores do Tribunal, porque temos o Nupemec (Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos) que tem escola de conciliação, e da Escola dos Servidores, porque os professores de lá também tem que ter esse curso. Se a gente já tem esse curso porque não estender para todos. O direito é para todos. O estudo é para todos. Está dando certo, não pode ser turma grande, mas daqui a pouco fazemos outro curso”, concluiu a desembargadora.
 
De volta ao magistério
 
A juíza Gabriela Karina Knaul de Albuquerque e Silva, do Juizado Especial da Fazenda Pública de Cuiabá, é mestre em Direito e já foi professora em cursos de ensino superior e pós-graduação. Ela explicou que o seu interesse pelo FOFO surgiu da necessidade de atualização, de como administrar o planejamento das aulas e como tornar mais dinâmico o conhecimento, já que pretende voltar a exercer o magistério. Ela explicou também que não conhecia a Metodologia Ativa e o curso lhe introduziu à prática.
 
“A Metodologia ativa eu não conhecia de forma sistematizada, de como desenvolver habilidades nesse formato mais ativo, eu não tinha essa familiaridade. O curso me deu essa introdução, que eu achei bem importante, que é a metodologia mais atual e do futuro, mais contemporânea. A gente precisa despertar nos alunos esse pensar. Uma aula expositiva é muito cansativa e dificulta o pensar. Quando a metodologia é ativa, o aluno contribui para o aprendizado e isso eu acho bem positivo. Aprende mais e absorve de verdade”, conclui a magistrada.
 
Assim como a juíza Gabriela, o juiz Ricardo Adelino Suaid, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), veio em busca de qualificação para voltar às salas de aula. 
 
Ele contou que desde 2022 tentava fazer o FOFO, e que procurou pelos tribunais do Brasil, mas que não viu uma ocasião ideal, que só surgiu agora, em Mato Grosso.
 
Ricardo tem experiência como professor universitário e desde que assumiu o cargo atual, se dedica exclusivamente à magistratura. No entanto, pretende voltar ao magistério assim que concluir o Curso de Formação de Formadores. “Dei aula para o curso de Direito, em Ribeirão Preto (SP), e brevemente pretendo voltar à sala de aula e esta é a razão, inclusive, pela qual eu quis fazer o curso.”
 
Ele disse que há uma mudança de perspectiva “muito grande” entre as aulas que dava e a forma como aprendeu durante o primeiro ciclo do FOFO. “Numa relação aluno/professor, o aluno estava colocado de forma passiva, não havia uma participação efetiva na aula do professor. Esse curso me proporcionou um panorama totalmente diverso daquele que eu enxergava na docência: uma participação ativa, metodologias ativas que proporcionam maior interação professor/aluno e consequentemente um aprendizado muito maior”, concluiu Ricardo Suaid.
 
O curso de formador de formadores
 
O professor do curso, Fernando de Assis Alves, que leciona há 23 anos, disse que a perspectiva do curso é aperfeiçoar a prestação jurisdicional, já que é preciso incentivar a formação entre pares, servidores atuando com servidores e magistrados e vice-versa.
 
“É importante que haja um alinhamento pedagógico mínimo, principalmente com relação ao uso das metodologias ativas. Até porque nós entendemos e identificamos que a maioria das competências, tanto para servidores quanto para magistrados, acaba rompendo a dimensão do conhecimento, porque na verdade o conhecimento a maioria já tem, agora aplicá-lo na prática e lidar com situações previstas e não previstas – o que chamamos de competência de alta-complexidade, o modelo tradicional de ensino não dá conta de desenvolver”, explicou o professor, dizendo ainda que com as metodologias ativas, os alunos vão desejar estar no espaço de formação e não somente porque há um instrumento normativo que sugere que eles tenham que fazer curso de formação continuada.
 
De acordo com o professor Fernando, todo o curso é pautado em avaliações diagnósticas que são realizadas previamente e ao longo de toda a formação porque é preciso que haja um alinhamento conceitual para que não haja segmentação e para que as pessoas não se sintam deslocadas dentro do curso.
 
Após a conclusão do Curso de Formação de Formadores, o (a) profissional passa a figurar no Banco Nacional de Formadores e atuarem em cursos credenciados pelo Enfam.
 
Para permanecer no Banco, a cada dois anos eles têm que realizar, no mínimo, 48 horas de formação continuada.
 
Escola de Mediadores e Conciliadores
 
O gestor de Capacitação e Avaliação do Nupemec do TJMT, Carlos Mar Auc Campelo, faz parte da turma e explicou que o curso “veio bem a calhar” para fomentar as capacitações que o Nupemec, que também é uma escola – voltada para mediação e conciliação e forma mediadores, conciliadores e expositores de oficina de parentalidade.
 
“Só tenho a agradecer a parceria com a Esmagis, que está fomentando a aproximação de servidores e magistrados. Acho isso louvável. A gente tem que aproximar, juntar as nossas forças para que possamos fazer um Poder Judiciário mais célere, mais próximo e de portas abertas para receber a sociedade. Esses conhecimentos, essa tecnologia no aprendizado é fundamental pra nós. Estou muito agradecido com a participação de todos, com o envolvimento de todos (…) nós servidores temos nossos conhecimentos, nossas competência e podemos compartilhar”, disse o gestor.
 
#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. FOTO 1: A imagem panorâmica mostra a sala onde foram realizadas as aulas. As pessoas estão sentadas em cadeiras escolares, em círculo para que possam ver umas às outras. FOTO 2: A imagem mostra a diretora-geral da Esmagis e o professor Fernando, em pé, sorrindo e olhando para a câmera. Ele segura o certificado de participação entregue pela desembargadora, que usa um vestido estampado nas cores verde, preto e branco e usa óculos de grau. Ele veste terno cinza, camisa branca e sem gravata. FOTO 3: A imagem mostra a juíza Gabriela Karina, uma mulher de pele clara, olhos verdes, cabelos loiros, lisos e na altura dos ombros. Ela veste blazer cinza claro. FOTO 4: o juiz Ricardo Suiad tem pele clara e olhos verdes, cabelos e barba grisalhos. Ele usa terno azul-marinho e camisa branca. FOTO 5: a imagem mostra o servidor do Nupemec. Ele é um homem de pele e olhos claros, cabelos loiros e curtos e barba grisalha. Usa óculos de grau, terno azul-marinho e camisa rosa claro, sem gravata.
 
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Aprimoramento do suporte pedagógico e valorização de potencialidades marcam debate sobre inclusão

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A inclusão escolar ultrapassa a dimensão técnica e demanda a construção de um ambiente pautado pela empatia, pela escuta e pela compreensão das diferenças. A reflexão é do professor Agnaldo Fernandes, um dos mais de mil participantes do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Com 24 anos de atuação na rede pública de ensino em Cuiabá e Várzea Grande, o educador destacou que o processo inclusivo se consolida, sobretudo, na convivência e no envolvimento de toda a comunidade escolar. “Existe também um trabalho importante com os demais estudantes, para que compreendam as diferenças e participem, respeitem e entendam. Exige preparo, sensibilidade e tempo”, afirmou.

A vivência em sala de aula, como professor de Artes, também revela o potencial expressivo dos estudantes atípicos quando encontram estímulos adequados. Segundo o professor Agnaldo Fernandes, há um envolvimento natural dos educadores em buscar estratégias mais direcionadas, especialmente em áreas como as artes, onde muitos alunos demonstram habilidades significativas. “A gente se apega muitas vezes, quer trabalhar de uma forma mais específica, mais enfática, pra que ele consiga se desenvolver, principalmente na minha área, que tem crianças que conseguem ter um potencial incrível na área de artes. Alguns autistas, por exemplo, conseguem trabalhar pintura, o faz de conta, uma série de elementos da arte que são interessantíssimos”, relatou.

No entanto, o tempo limitado e a dinâmica da rotina escolar acabam impondo barreiras à continuidade desse trabalho mais aprofundado. “Só que você tem muito pouco tempo pra trabalhar, aí você tem a próxima turma e a próxima turma e a próxima turma”, acrescentou, ao destacar a dificuldade de conciliar a atenção individualizada com a demanda de múltiplas turmas ao longo do dia.

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Ainda assim, o compromisso dos professores se mantém como um dos pilares da inclusão. O educador enfatiza que há um esforço contínuo para oferecer o melhor atendimento possível, mesmo diante das limitações estruturais. “A gente se esforça muito, tenta fazer o máximo, mas a gente gostaria que tivesse mais um apoio, um espaço específico pra aqueles que precisam, porque são seres humanos que necessitam de um acompanhamento maior”, afirmou.

Para ele, a ampliação desse suporte pode representar um avanço significativo não apenas no processo de aprendizagem, mas também na construção de perspectivas futuras para esses estudantes. “Esse apoio mais estruturado permitiria que eles se desenvolvessem melhor e pudessem, futuramente, estar no mercado de trabalho de uma forma muito mais efetiva”, concluiu.

Promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), o evento foi realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, reunindo mais de 2,1 mil participantes, entre coordenadores escolares, professores e cuidadores de alunos com deficiência. A iniciativa, conduzida pela vice-presidente do TJMT e presidente da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, reafirma o compromisso institucional do Judiciário mato-grossense com a promoção de direitos e com o fortalecimento de práticas inclusivas alinhadas às demandas sociais.

TJMT Inclusivo

O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade, e dá cumprimento à Resolução nº 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelece diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência no âmbito do Judiciário. A iniciativa também está em consonância com a Lei nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

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Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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