Tribunal de Justiça de MT
Formação no TJMT aprofunda uso da inteligência financeira no apoio às investigações
Publicado em
21 de outubro de 2025por
Da Redação
Transformar informações financeiras em conhecimento útil para o enfrentamento da criminalidade é o principal papel da inteligência financeira, conceito central da palestra “Inteligência Financeira e Grupo de Egmont”, ministrada nesta segunda-feira (20) por Leandro Lopes Ferreira, chefe da Divisão de Análise Estratégica do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).
A atividade integrou o terceiro módulo do Curso Avançado do Programa Nacional de Capacitação e Treinamento para a Recuperação de Ativos e o Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro, que acontece nos dias 20 e 21 de outubro, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Durante a palestra, Leandro Ferreira revelou que o COAF processa cerca de 50 mil comunicações financeiras por dia para combater a lavagem de dinheiro no Brasil, desvendando os bastidores de um sistema que atua como verdadeiro radar financeiro do país. “Inteligência financeira é transformar dados de atividades financeiras em conhecimento útil para as autoridades”, explicou o especialista, que possui MBA em auditoria, compliance e gestão de risco.
Da origem à modernização
Criado em 1998, após compromissos internacionais assumidos pelo Brasil desde a Convenção de Viena (1988), o COAF surgiu em cumprimento a recomendações do Grupo de Ação Financeira (GAFI), organismo internacional que orientou países a criarem suas Unidades de Inteligência Financeira. Desde então, mais de 60 milhões de comunicações já foram recebidas e analisadas.
Atualmente vinculado ao Banco Central, o órgão atua em três frentes principais: inteligência financeira, supervisão de setores sem regulador próprio (como joalherias e factoring) e articulação institucional com órgãos nacionais e internacionais.
Como funciona
Diferente do que muitos imaginam, o COAF não acessa contas bancárias, não quebra sigilos fiscais e não investiga pessoas diretamente. O trabalho começa quando setores obrigados, como bancos, corretoras, cartórios e seguradoras, enviam comunicações sobre operações em espécie ou transações suspeitas. “Utilizamos modelos preditivos e inteligência artificial para identificar riscos e gerar Relatórios de Inteligência Financeira”, detalhou Ferreira.
Esses relatórios podem ser produzidos espontaneamente pelo COAF ou solicitados por autoridades por meio do Sistema Eletrônico de Intercâmbio do Coaf (SEI-C), com entrega criptografada e rastreável em até 24 horas.
Cooperação internacional
O palestrante também destacou o papel do Grupo de Egmont, criado em 1995 e composto por 182 países, que permite a troca segura de informações entre unidades de inteligência financeira de todo o mundo. “Podemos solicitar ou receber dados de outros países, desde que haja justificativa e indícios consistentes”, ressaltou Ferreira. Ele lembrou que os relatórios produzidos têm caráter exclusivamente de inteligência, não podendo ser usados diretamente como prova judicial.
Ferreira revelou que a nova gestão do COAF busca modernizar o sistema e agilizar o rastreamento de ativos, ampliando a eficiência no suporte às investigações e fortalecendo a atuação do Poder Judiciário na recuperação de recursos desviados e na punição de crimes financeiros.
Para o palestrante, é importante que os participantes do curso compreendam a importância do papel de todos os envolvidos nesse sistema. “Desde as instituições financeiras até os profissionais obrigados a comunicar operações suspeitas, cada elo é essencial para fortalecer o combate ao crime organizado”, finalizou.
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Autor: Roberta Penha
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
Tribunal de Justiça de MT
Curso “Pena Justa no Ciclo Penal” fortalece atuação humanizada no sistema penitenciário de MT
Published
1 hora agoon
30 de abril de 2026By
Da Redação
Magistrados(as), servidores(as) e gestores(as) judiciais concluíram nos dias 29 e 30 de abril o primeiro módulo da capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal”, promovida pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso.
A formação integra a estratégia institucional voltada ao aperfeiçoamento da atuação judicial no sistema penal, com foco em práticas mais eficientes, humanizadas e alinhadas aos direitos fundamentais. Durante os dois dias de atividades presenciais, foram debatidos temas como medidas diversas da prisão, execução penal, políticas de cidadania, inspeções judiciais e atenção a populações com vulnerabilidade acrescida no ciclo penal.
O diretor da Esmagis-MT, desembargador Márcio Vidal destacou que a Esmagis e o Poder Judiciário cumprem papel essencial na formação continuada da magistratura e no aprimoramento institucional.
“A execução penal exige uma jurisdição mais consciente e comprometida com a realidade humana do sistema prisional. A formação é o caminho para que possamos refletir sobre nossas responsabilidades e buscar alternativas que efetivamente contribuam para a recuperação das pessoas. Não basta levar ao cárcere, é preciso discutir formas verdadeiras de recuperar e reeducar. Isso exige conhecimento, consciência e responsabilidade de todos nós”, comentou
Supervisor do GMF-MT, o desembargador Orlando de Almeida Perri ressaltou que a capacitação também busca ampliar a sensibilidade dos magistrados(as) diante da realidade prisional. “É muito importante promover cursos como este para conscientizar sobre a importância do sistema prisional. Precisamos enfrentar problemas graves e depende muito das atitudes e condutas dos magistrados para que possamos promover as melhorias necessárias”.
A formadora do curso, Laryssa Angélica Copack Muniz, juíza da Vara de Execuções Penais da Comarca de Curitiba e coordenadora Adjunta do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Tribunal de Justiça do Paraná, conduziu os debates com foco na humanização da atuação judicial, no papel constitucional do sistema penal e na necessidade de construir respostas mais eficazes para a violência e a reincidência. Durante a capacitação, a magistrada abordou temas ligados à execução penal, medidas alternativas à prisão, reinserção social e o compromisso institucional de garantir direitos fundamentais também às pessoas privadas de liberdade.
“O curso propõe uma reflexão sobre como juízes e juízas podem aperfeiçoar sua atuação criminal e na execução penal, contribuindo para reverter o estado inconstitucional reconhecido nas prisões brasileiras. Não existe sociedade sem reintegração. As pessoas privadas de liberdade retornarão ao convívio social, e cabe ao Estado criar condições para que voltem melhores do que entraram. Quando falamos em trabalho, estudo e dignidade no sistema prisional, falamos em segurança pública de verdade. Ressocializar também é proteger a sociedade”, destacou.
Participação ativa
Juiz da 3ª Vara Criminal de Sinop, Walter Tomaz da Costa avaliou que o curso trouxe reflexões importantes para o enfrentamento da superlotação carcerária.
“Mato Grosso vive uma realidade de superpopulação carcerária. O Programa Pena Justa enfatiza a ressocialização e tende a melhorar esse cenário, desde que haja sensibilização de todos os poderes envolvidos. E esta capacitação chega em um momento necessário, especialmente para comarcas que convivem diretamente com a superlotação carcerária. A formação permite que os magistrados compartilhem experiências e reflitam sobre caminhos possíveis. Em Sinop, por exemplo, a superlotação é uma realidade urgente, e precisamos de medidas que envolvam não apenas o Judiciário, mas também o Executivo”, contou
Já a magistrada Edna Ederli Coutinho, integrante do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá e juíza cooperadora de Execução Penal, destacou a importância de enxergar o sistema penitenciário sob a perspectiva humana.
“Esses cursos são fundamentais porque trazem ao magistrado a reflexão de que a pessoa presa continua sendo um ser humano. A rotina do trabalho judicial muitas vezes nos aproxima da burocracia e nos distancia da dimensão humana do sistema prisional. Cursos como este ajudam a resgatar esse olhar. Precisamos ainda lembrar que toda pessoa privada de liberdade um dia retornará ao convívio social. Se o sistema não oferecer trabalho, estudo e condições de dignidade, a reincidência continuará afetando toda a sociedade”, ressaltou Edna Coutinho.
Formação alinhada às metas institucionais
A capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal” integra diretrizes estratégicas relacionadas ao Prêmio CNJ de Qualidade 2026/2027 e busca fortalecer a atuação de magistrados(as), assessores(as) e gestores(as) judiciais no ciclo penal, especialmente nas áreas de fiscalização das unidades prisionais, aplicação de medidas alternativas e garantia de direitos fundamentais.
O próximo módulo será ofertado no período de 11 a 15 de maio, na modalidade EAD, com foco na prevenção à tortura e na saúde mental, também sob a responsabilidade da magistrada Laryssa Muniz.
O terceiro e último módulo será promovido no dia 18 de maio de 2026 e tratará do tema “Audiência de Custódia”, tendo como formadores o juiz Marcos Faleiros da Silva e o servidor Marcos Eduardo Moreira Siqueri.
Autor: Ana Assumpção
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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