Tribunal de Justiça de MT

Egressa do sistema prisional relata mudança de vida após receber oportunidade de emprego

Publicado em

Desde que deixou o sistema prisional, há 2 anos, Monique Silveira Chaves de Moraes desfruta de uma nova vida, longe do mundo das drogas, que a levaram a perder a liberdade. A mudança foi possível pelo fato dela ter se envolvido nos projetos de ressocialização voltados aos recuperandos e, posteriormente, ter recebido uma oportunidade por parte do advogado Marco Augusto de Almeida, coordenador do Conselho da Comunidade da Execução Penal de Cuiabá (Concep), localizado no Fórum da Capital, onde ela trabalha como recepcionista.
 
“Antes eu vivia uma vida anormal. Eu vim do mundo de prostituição, onde conheci muitos caminhos, como as drogas, onde eu mesma, quando ficava sozinha, ficava chorando, triste porque eu não queria fazer aquilo, mas fazia porque, para mim, o mundo não me aceitava. Hoje em dia eu vivo uma vida completamente diferente. Eu saio de manhã cedo da minha casa, vou para o meu curso às 7h. Saio do curso venho direto pro trabalho. Hoje eu consigo expressar para as pessoas o que eu sinto. Foi aqui que passei a ter fé em mim mesma e comecei a mudar totalmente a minha vida e a correr atrás dos estudos”, relata Monique, que é uma mulher trans e, por conta disso, sofria com o preconceito que a levou a viver à margem da sociedade.
 
Além de trabalhar como recepcionista do Concep, Monique faz dois cursos (de Administração e RH e de Matemática Financeira) e, após concluí-los, sonha em fazer faculdade de Serviço Social. Com sua história de vida, ela busca influenciar outras pré-egressas do sistema penitenciário. “Hoje em dia eu ajudo várias pessoas com palestras e escuto muitos depoimentos como o meu, de pessoas que queriam sair daquela vida, mas por falta de oportunidade, estão lá até hoje. Por isso peço a Deus sabedoria para saber lidar com essas situações”, afirma.
 
Para o coordenador do Conselho da Comunidade da Execução Penal de Cuiabá (Concep), Marco Augusto de Almeida, a chegada de Monique à equipe foi um “ grande presente” para a instituição. “Digo isso porque ela nos traz uma série de situações que nos faz ver que cumprimos o nosso papel como sociedade e também como membros do Poder Judiciário. A Monique representava, naquele momento, a grande oportunidade para mostrar que aquilo que nós realizamos é sim a melhor escolha. Sendo uma mulher trans e uma egressa do sistema prisional, ela estar conosco fortalece o nosso diálogo de que ressocializar e, principalmente, acolher as pessoas é o caminho que a sociedade deve seguir”, avalia Almeida.
 
O conselheiro elogia a postura do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) por estar na vanguarda da ressocialização de reeducandos e ex-reeducandos, com ações voltadas à educação, trabalho e assistência social à essa população, por meio, por exemplo, do Escritório Social e do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF). “Hoje o Poder Judiciário de Mato Grosso é referência para todas as instituições dos demais poderes e também para as empresas como um todo porque demonstra que, ao realizar essa humanização no acolhimento, o cidadão é capaz de desenvolver toda sua potencialidade”, afirma.
 
De acordo com o juiz da Vara de Execuções Penais de Cuiabá e coordenador do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, Geraldo Fidelis, a prisão causa estigma às pessoas, que saem de lá sem crença no futuro e, muitas vezes, retornam para a criminalidade. Por isso ele reforça a importância de se apoiar aqueles que desejam mudar de vida. “O Poder Judiciário está abrindo oportunidade para essas pessoas com parcerias através do Escritório Social, da Fundação Nova Chance para pegar essas pessoas e colocar para trabalhar, desde antes de ganharem a liberdade, ainda no regime fechado, mas com maior acolhimento no momento da mudança de regime do fechado para o semiaberto, abraçando-as a fim de que, com esse acolhimento, elas se sintam envolvidas e tenham essa chama reaquecida no coração de buscar uma nova vida”, pontua.
 
Exemplo de que a ressocialização é possível, Monique ainda deixa um apelo para que todos colaborem com a reintegração de quem deixou o sistema prisional e deseja seguir um novo caminho. “O que posso pedir é que as pessoas olhem pra gente como se olhasse para seu próprio filho, com amor, com carinho. Se vir uma pessoa assim não julgar, vai lá e dá uma mão, uma oportunidade. Muitas vezes é isso o que falta: que a humanidade olhe para essas pessoas com o mesmo olhar e deem um voto de confiança porque todos merecem uma segunda chance”, defende.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: Monique está sentada em seu posto de trabalho em frente ao computador. Ela é uma mulher negra, com cabelo preto e liso, um pouco abaixo dos ombros. Usa uniforme azul, crachá e óculos. Segunda imagem: Coordenador do Concep, Marco Augusto de Almeida, em pé e gesticulando, enquanto concede entrevista. Ele é um homem negro, com cabelo preto, curto e crespo. Usa camisa preta de manga comprida e aliança no dedo. Ao fundo, uma parede branca e o jardim do Fórum de Cuiabá. Terceira imagem: Juiz Geraldo Fidelis enquanto concede entrevista à TV Justiça em seu gabinete. Ele é um homem branco, com cabelo grisalho e liso. Usa camisa branca, gravata azul marinho com linhas em tons mais claros de azul, paletó preto e óculos de grau. Ao fundo, parede branca com diversos certificados e diplomas e dois quadros, um com a pintura do pai do juiz e outro retratando a deusa grega Themis e a balança, ambos símbolos da Justiça.
 
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Leia Também:  TJMT e Faculdade Fasipe firmam protocolo para ampliar atendimento no Juizado Especial de Sinop

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário lança página no portal do TJMT

Published

on

A Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso lançou sua página no portal do TJMT, durante o evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado nos dias 15 e 16 de abril. Agora, os públicos interno e externo ao Tribunal de Justiça podem acessar acessibilidade.tjmt.jus.br e conferir todas ações da Comissão, bem como entrar em contato com seus membros.
A juíza auxiliar da Vice-presidência, Alethea Assunção Santos, fez a apresentação da página na internet durante o evento. “O portal da Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso tem a finalidade de apresentar as iniciativas, ações, capacitações, os projetos da Comissão e também é um repositório de atos normativos, de leis e das notícias relativas às ações. Então é uma forma de difundir o trabalho da Comissão”, explica.
Mulher de cabelos longos posa sorrindo em primeiro plano. Ao fundo, palco com cadeiras e telão verde do evento TJMT Inclusivo, com pessoas desfocadas ao redor.Conforme a magistrada, a criação da página demonstra o compromisso da Comissão em fomentar a construção de uma política institucional mais inclusiva. “O Poder Judiciário precisa olhar para o jurisdicionado, abrindo as possibilidades para aqueles que têm alguma deficiência, mas também olhar para o servidor, nos atendo às barreiras arquitetônicas e outras dificuldades daquele servidor e também do público externo. A Comissão tem essa função de compreender quais são essas necessidades específicas e trabalhar para reduzir esses empecilhos e garantir a acessibilidade e a inclusão”, defendeu.
A página da Comissão conta com a sessão “Fale Conosco”, onde estão disponíveis os canais de contato. “Esperamos que a população acesse, entre em contato conosco, mande dicas, sugestões e que, assim, a gente possa manter o portal ativo”, convida a juíza Alethea Assunção.
A página da Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso está no portal do Tribunal de Justiça, no espaço dedicado aos portais temáticos, conforme a imagem ao lado.
Leia também:

Do silêncio à representatividade: trajetória de educadora sensibiliza no TJMT Inclusivo

Leia Também:  Banco é condenado por empréstimo consignado com assinatura falsa

Quando saúde e educação não dialogam, direitos são comprometidos, alerta advogado no TJMT Inclusivo

Capacitação no Judiciário aproxima da realidade pessoas com deficiência e amplia atuação inclusiva

Desafios invisíveis do autismo são tema de palestra no TJMT Inclusivo

Palestra destaca papel da educação na identificação e acolhimento de pessoas com autismo

Fibromialgia evidencia limites da acessibilidade e reforça debate sobre inclusão no Judiciário

Vendas nos olhos e novas percepções: palestra provoca reflexão sobre a pluralidade das deficiências

Curatela e autonomia de pessoas autistas desafiam decisões judiciais

TJMT Inclusivo atrai mais de 1,5 mil pessoas em capacitação sobre direitos das pessoas autistas

Romantização do autismo pode comprometer invisibilizar desafios reais, alerta especialista

‘Educação e saúde, ou caminham lado a lado ou falham juntas’, assevera advogado no TJMT Inclusivo

Palestra traz realidade de famílias atípicas e desafios para garantir direitos

Promotora de justiça aborda avanços e desafios na garantia de direitos de pessoas autistas

Judiciário de MT abre programação voltada aos direitos das pessoas com deficiência

Leia Também:  Comunidades indígenas de MT receberão 2.480 cestas de alimentos e kits de higiene em abril

Autor: Celly Silva

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA