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Diagnóstico tardio do autismo é tema de reflexão e conscientização

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A 5ª edição do TJMT Inclusivo promoveu uma reflexão profunda sobre os desafios de viver com autismo sem diagnóstico na vida adulta. A palestra “Quando a Resposta Chega Tarde: O Diagnóstico de Autismo na Vida Adulta” foi ministrada pela psicóloga e neuropsiquiatra Érica Rezende Barbieri, profissional com 30 anos de experiência na área e mãe de três filhos autistas.

Um deles, Enã Rezende, recebeu um diagnóstico equivocado aos dois anos de idade e apenas aos 18 obteve o resultado correto. Superando todas as dificuldades, ele se formou em Medicina, uma conquista que, segundo a mãe, simboliza o poder da informação e do acolhimento.

A palestra integrou a programação do TJMT Inclusivo: Capacitação e Conscientização em Autismo e foi realizada no dia 17 de outubro na cidade de Rondonópolis.

Durante a palestra, Érica compartilhou sua trajetória pessoal e profissional, destacando a dor e os desafios enfrentados por muitos adultos que passam décadas sem saber que fazem parte do espectro autista. “Muitos desenvolvem estratégias inconscientes para navegar em um mundo neurotípico. Não é apenas uma questão de comunicação verbal, mas de compreender e ser compreendido em todas as interações sociais”, explicou.

A psicóloga também refletiu sobre o impacto do diagnóstico precoce. “Ninguém está preparado para ter um filho com deficiência. Todos sonham com filhos saudáveis e perfeitos, mas é necessário encarar a realidade o quanto antes. Quanto mais cedo vier o diagnóstico, melhores serão as chances de desenvolvimento e tratamento”, orientou.

Durante a apresentação, Érica também ressaltou que muitos pais só reconhecem sinais de autismo em si mesmos ao acompanharem o diagnóstico dos filhos. “Ao perceber semelhanças de comportamento e sensibilidade, a família entende melhor a experiência dessas crianças e pode agir para que não passem pelo que nós passamos”, afirmou.

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Projeto Autismo na Escola

Em um dos momentos mais emocionantes, a palestrante – que foi uma das parceiras do evento – apresentou o projeto Autismo na Escola, delineado por ela e pelo esposo em 2017, com o objetivo de promover a inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de forma acessível a toda a comunidade escolar. A iniciativa teve início em Rondonópolis, com o uso da cartilha “Autismo, a Realidade”, de Ziraldo.

Em 2019, Erica contou que após a pandemia de Covid-19, graças a uma parceria com o Governo do Estado (via Secretaria de Educação), as escolas estaduais receberam o material, e a iniciativa foi ampliada, chegando à confecção de 500 mil unidades. A cartilha passou, então, a contar a história de Enã, um menino autista que sonha em fazer medicina. Hoje, os municípios podem aderir ao projeto robustecendo ainda mais a rede de conscientização.

Em sua fala, ela apresentou vídeos e reportagens sobre a iniciativa e destacou que a efetividade é diária. “O projeto vai até a sala de aula, explica o que é o autismo, o que é ilusão, ensina como as crianças podem lidar com o colega e orienta também os professores. Lembro de educadores que me diziam: ‘Aprendi mais em 20 minutos do que em toda a minha formação’. Foi quando percebi o quanto era importante falar sobre inclusão.”

Com serenidade, Érica também desfez idealizações. “Muitas pessoas acham que, por eu contar a história do meu filho, todos os autistas vão se formar em Medicina. Não é isso. Tenho também uma filha com grau severo. Mas quantos Enãs ficaram à margem da educação formal por falta de diagnóstico, de olhar, de acolhimento? Quantos talentos se perderam por confundir uma dificuldade com incapacidade?”, questionou.

Por fim, ela reforçou que cada pessoa tem um potencial único e que a inclusão começa pelo reconhecimento dessas diferenças. “Todo mundo tem um talento. Todo mundo é capaz de aprender.”

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A palestrante encerrou destacando a importância de ampliar o conhecimento sobre o autismo em mulheres, mais difícil de identificar devido ao mascaramento social. Para isso, o uso de ferramentas lúdicas, como filmes, vídeos e dinâmicas, ajuda a sensibilizar alunos e professores sobre o comportamento e as necessidades das pessoas com TEA.

O evento

O ciclo de capacitações já passou pelas cidades de Cuiabá, Sinop, Sorriso, Cáceres e Rondonópolis, reunindo esforços para promover a conscientização sobre o espectro autista em diferentes regiões do estado. A iniciativa é da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, presidida pela desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho.

A próxima edição será no dia 5 de dezembro, novamente em Cuiabá.

O projeto “TJMT Inclusivo – Capacitação e Conscientização em Autismo” está alinhado com a Resolução CNJ nº 401/2021, que estabelece diretrizes de acessibilidade no Poder Judiciário.

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Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Desembargador recebe alunos de Cáceres e inspira futuros profissionais do Direito

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Um encontro marcado por identificação e incentivo à carreira jurídica. Assim foi a visita dos 47 acadêmicos de Direito da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus Cáceres, ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), nesta quarta-feira (29). O grupo foi recebido pelo desembargador Jones Gattass Dias, também natural de Cáceres, que compartilhou sua trajetória e experiências na magistratura.

“Somos conterrâneos. Sinto-me muito em casa e espero que vocês também sejam muito bem recebidos aqui”, afirmou o magistrado ao dar as boas-vindas. Durante a conversa no Espaço Memória, ele relembrou o início da sua formação e destacou os desafios da carreira. “Eu não sabia o que queria, mas sabia o que não queria. Fui eliminando as áreas até me identificar com o Direito”, contou. Ao final, deixou uma mensagem direta aos estudantes: “Não desistam dos seus sonhos. A magistratura precisa de bons nomes”.

Prática aproxima estudantes do Judiciário

A visita integrou o projeto Nosso Judiciário, que proporciona aos acadêmicos a oportunidade de acompanhar sessões de julgamento, conhecer a estrutura do Tribunal e dialogar com magistrados. Para o desembargador, esse contato direto com a prática é essencial na formação. “O julgamento, o voto do relator, o magistrado que acompanha ou diverge, isso é uma riqueza para quem está estudando. A pessoa sai daqui sabendo se vai gostar ou não de fazer isso”, destacou.

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Um dos responsáveis por trazer os alunos ao Tribunal, o professor e advogado Hamilton Lobo Mendes Filho ressaltou a importância da experiência. “Aqui, conseguimos dar esse choque de realidade. Como somos do interior, muitos alunos não conseguem visualizar essa estrutura. A visita amplia horizontes e mostra que este pode ser um caminho profissional possível”, afirmou. Ele também agradeceu a parceria com o Judiciário. “Assistir à dinâmica de um julgamento não é simples, nem acessível a todos. Essa parceria vai continuar, todo semestre estaremos aqui”.

Experiência reforça escolhas

Entre os acadêmicos, a vivência no TJMT foi apontada como decisiva para a construção da carreira. A estudante do 9º semestre Larissa Yung destacou o impacto do contato com a prática jurídica. “Durante o curso, ficamos muito na teoria. Aqui, conseguimos ver o Direito acontecendo de verdade. Estar no plenário foi uma experiência muito significativa e despertou ainda mais o meu interesse”, relatou.

O estudante Kauan Fares Garcia também avaliou a visita como fundamental. “Pudemos observar como funciona o Poder Judiciário e presenciar o que provavelmente será nossa vida futura. A sustentação oral dos advogados foi o que mais me chamou atenção”, disse. Para ele, a experiência ajudou a concretizar o interesse tanto pela advocacia, quanto pela carreira pública.

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O projeto Nosso Judiciário segue aberto a instituições de ensino interessadas em conhecer o funcionamento do Tribunal. Durante as visitas, os participantes também recebem o Glossário Jurídico, produzido pelo TJMT, como forma de apoio ao aprendizado.

Para agendar uma visita ao Palácio da Justiça de Mato Grosso ou a instituições de ensino, basta telefonar para (65) 3617-3032/3516.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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